Não têm um estabelecimento comercial, não trabalham por conta de outrem, nem têm um ordenado fixo ao fim do mês. Mas os influenciadores também têm contas para pagar e a crise que resulta da quarentena e das medidas do estado de emergência veio dificultar a vida a muitos.

Mesmo que algum do trabalho habitual já seja feito em casa, a maior parte das receitas dependem de marcas — que deixaram de comunicar ou diminuíram os investimentos porque não têm como vender — e de presenças em eventos que foram entretanto cancelados.

Coloca-se então a questão: de que é que vivem os influenciadores em tempo de pandemia? "Ao longo do último ano fui procurando outras formas de conseguir rentabilizar o meu trabalho, sem que este dependesse unicamente das colaborações com as marcas. Por isso, optei por disponibilizar alguns dos presets (filtros para fotografias) para o Lightroom que criei e vendo-os online", diz à MAGG a influenciadora e youtuber Adriana da Silva.

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Adriana acrescenta que consegue ainda algum retorno a partir dos vídeos do seu canal de YouTube, no qual tem 165 mil subscritores, que diz ser suficiente para os próximos meses caso a produtividade e conteúdos publicados não diminua.

Já no caso de Anita da Costa, com 225mil seguidores no Instagram, as colaborações com marcas são a sua única fonte de rendimento, mas admite que nesta fase o importante é ter liquidez: "Tive a sorte de não ter feito grandes investimentos nos últimos tempos. Além disso, a minha empresa é de prestação de serviços e só tem duas pessoas empregadas, sendo que uma delas sou eu", refere Anita, proprietária da Anita And The Blog.

Em casa e sem estímulos do exterior, ambas tiveram de adaptar os conteúdos à nova realidade: "O meu objectivo é que as pessoas possam ir ao meu canal de YouTube ou ao meu Instagram e vejam aí uma oportunidade de desanuviar de toda a situação", refere Adriana da Silva, adiantando que a maior dificuldade que está a ter é o facto de conseguir estar plena e garantir que consegue passar uma energia positiva.

É também pelo Instagram que Adriana, mais conhecida como Adri da Silva, faz parte da comunicação com os seus 231 mil seguidores, ainda que esta não seja um fonte de rendimento, já que a plataforma não tem qualquer tipo de programa para rentabilizar os conteúdos que são publicados. 

Tal como Adriana, a influenciadora Anita está também a adaptar os conteúdos à nova situação global. "É claro que alguns dão para adaptar, outros não. E está sempre nas mãos das marcas querer ou não fazer conteúdo nesta altura. Acho que muitas vezes temos a sensação de desrespeito pelo momento. Para já não recebi esse feedback dos meus seguidores, pelo contrário. As pessoas querem ver conteúdo, querem uma sensação de normalidade, desligar a cabeça das notícias", refere.

E é isso mesmo que tenta fazer: partilha o tipo de conteúdos que sempre partilhou, com uma nova dinâmica, sempre a pensar em quem está do outro lado. "Não estou a incentivar a um consumo desenfreado, estou a promover serviços de que as pessoas precisam, que nem sempre são remunerados, a partilhar conteúdo orgânico e a entreter as pessoas, porque este é o meu trabalho", diz Anita da Costa.

Contudo, destaca que essa readaptação não foi simples e começou por ser um choque: "Eu já estava em casa e a minha posição é bastante mais fácil do que a da maior parte das empresas. Resolvi fazer conteúdo orgânico, mostrar a minha casa, os meus cães e os meus treinos", refere.

E de facto, no caso de Anita, a quarentena não tem sido sinónimo de pouco trabalho. Aliás, depois de enviar um e-mail com uma sugestão para um marca com quem já tinha fechado um trabalho e cujo conteúdo estava relacionado com a 'casa', acabou por fazer esse trabalho e a partir daí não parou: "Na semana seguinte os e-mails começaram a aparecer e nestes últimos dias tenho tido muito trabalho".

A influenciadora Adriana Silva aponta alguns aspetos que a preocupam, inclusive o bem estar da família, mas no que diz respeito ao trabalho refere que não tem pensado muito sobre o futuro. "É importante estar inteirada daquilo que se está a passar, mas face às alterações repentinas que esta situação tem vindo a ter, prefiro aguardar e continuar a fazer o que tenho feito até então", opinião que é também partilhada por Anita da Costa: "A economia será um problema que iremos resolver mais tarde, mas tudo isto é um caso sem precedente, ninguém sabe muito bem o que aí vem".

A situação das agências de influenciadores

Adriana da Silva faz parte da agência Milenar Media que, como tantas outras empresas, passou a trabalhar remotamente. Contudo, a agência revela que as receitas das colaborações dos influenciadores caíram bastante: "Até este momento a quebra tem sido muito elevada. Várias foram as campanhas que já estavam adjudicadas ou em vias disso e foram suspensas".

Isto porque alguns dos planos de marketing de marcas internacionais com quem a Milenar Media trabalha deixaram de fazer sentido e mudaram o foco para a ajudar a comunidade. Contudo, o panorama parece que pode vir a melhorar: "Acreditamos que rapidamente este decréscimo vai ser alterado pois estamos num momento de grande procura de conteúdo. Toda a gente está ligada mais do que nunca às redes sociais", refere a agência, que continua a apostar em propostas adaptadas à nova realidade e espera fechar novos contratos em breve.

E não é só Adriana da Silva ou Anita da Costa que se estão a reinventar no digital. A Milenar Media, que trabalha a titulo exclusivo com dez criadores de conteúdos, revela que muitos dos influenciadores com quem trabalham estão a trazer ideias originais e novos formatos, como os lives que ganharam força no Instagram nas últimas semanas.

"Eles têm um papel fundamental em dois aspectos específicos: o de entretenimento, nesta fase de isolamento social e de informação, consciencialização da comunidade para os cuidados a ter e ajuda ao próximo — especialmente na geração mais jovem", conclui a agência.

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