Cada vez que se aproxima um autocarro da Carris não há como enganar. Aquele amarelo característico leva-nos sempre a um suspiro profundo por termos chegado a tempo de o apanhar ou por finalmente ficarmos resguardados do frio do inverno.

Não são sabemos quem nos leva ao trabalho, não trocamos mais do que um "bom dia", mas sabemos que quem todos os dias se senta ao volante não tem o trabalho facilitado. "Isto é uma profissão que se não se gostar, é terrível", diz à MAGG Rui Durão, 58 anos, inspetor de tráfego da Carris, ainda que tenha começado como motorista há 25 anos depois de ser militar.

Rui é como um confidente dos colegas de trabalho, uma vez que, como inspetor, percebe bem os desafios diários, entre os quais está o trânsito característico de Lisboa. Tem como função acompanhar faltas, tratar da documentação, acompanhar os motoristas e avaliar a performance e desempenho dos mesmos. Rui conhece a rede da Pontinha como ninguém: revela-nos que o primeiro Carris sai às 4h45 e até ao fim da manhã outros 190 começam aí o seu caminho.

Com mais um ano de casa encontrámos Armando Costa, 51 anos. É motorista e formador na estação de Miraflores e chegou à Carris através de um anúncio de emprego no jornal "Record". Decidiu escrever uma carta para se candidatar ao trabalho e foi então em 1994 que recebeu um telegrama — sim, já lá vai o tempo — para confirmar que foi admitido.

Também os tempos eram outros quando Carlos Coelho, 48 anos, entrou na Carris. Seguiu as pisadas do avó, guarda-freio, e do pai que esteve nos recursos humanos e apesar de terem em comum a mesma empresa, a sua função é diferente. Carlos entrou como mecânico de automóveis e só depois passou para técnico de atividades complementares.

Recorda-se que há 30 anos havia cerca de 8 mil trabalhadores, cantina e até supermercado na Carris. Agora, há menos trabalhadores, menos ligações familiares dentro da empresa, mas ainda assim não deixa a casa que o recebeu com 15 anos.

Estes são apenas três dos retratos da Carris. Desde os mais novos, com 29 anos, aos mais velhos com 59, mostramos-lhe quem são os anónimos desta semana.

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