Mais de um mês depois de se saber que Clara Pinto Correia, escritora, bióloga e professora universitária, tinha sido encontrada morta em casa, em Estremoz, aos 65 anos, as circunstâncias e causa da morte continuam por desvendar. Ao que tudo indica, segundo o jornal "Correio da Manhã", o relatório da autópsia só vai ser revelado no final deste mês de janeiro, e, de acordo com uma amiga de Clara Pinto Correia, sabe-se agora que a escritora andava a doar móveis e à procura de um novo dono para o seu cão antes de morrer.

Clara Pinto Correia morreu aos 65 anos. Corpo foi encontrado em casa, em Estremoz
Clara Pinto Correia morreu aos 65 anos. Corpo foi encontrado em casa, em Estremoz
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"Ela estava triste por ir embora. Dizia 'tenho de ir para a Casa do Artista. Tenho de me ir embora'. Ela tinha de sair até ao fim deste mês, tinha uma ordem despejo", contou Maria José, vizinha e amiga, ao jornal. Isto era algo que já se sabia, uma vez que a irmã da atriz e jornalista Margarida Pinto Correia já tinha dito que tinha sido despejada da casa onde vivia há três décadas. "A minha senhoria (…) pôs-me uma ordem de despejo. Há 30 anos que lhe arrendava a casa e dava-me lindamente com ela", disse na altura.

No entanto, Maria José conta agora que Clara Pinto Correia andava a doar o pouco que tinha aos amigos, como roupas, móveis e outros objetos. Além disso, pelos relatos, a antiga escritora também andava à procura de um novo dono para o seu cão, Sebastião, e alguns dias depois, a 9 de dezembro, Clara Pinto Correia é então encontrada morta em casa pela empregada. "No domingo de manhã (...) olhei para as janelas, para todo lado, não vi luz nem o cão a ladrar. Quando ela caía, o cão ladrava logo. Desta vez, não. Porquê? Gostava de saber. Só deram com ela na terça-feira".

A par disto, uma outra amiga da antiga professora, Bela, explicou ao CM que não queria entrar em pormenores sobre a morte de Clara Pinto Correia. "Não era talvez uma coisa de que eu não estivesse à espera. Mas não quero nem posso entrar em pormenores", disse. "A Clara gostava de viver. As irmãs queriam que ela fosse para a Casa do Artista, mas ela queria continuar cá e estava muito triste por causa disso", acrescentou Maria José, que disse ainda que a escritora estava a receber apoio social e eram as irmãs que pagavam a renda da casa até então.