Um rapaz de 15 anos foi considerado culpado do homicídio do estudante Harvey Willgoose, também de 15 anos, ocorrido em fevereiro deste ano, à porta da cantina da All Saints Catholic High School, em Sheffield, Inglaterra.

O tribunal ouviu que o arguido, cuja identidade não pode ser revelada por motivos legais, levou para a escola uma faca de caça com lâmina de 13 centímetros, com a qual atingiu Harvey duas vezes no peito, poucos minutos após o início da pausa para almoço.

Imagens de videovigilância divulgadas pela polícia, após a condenação, mostram o momento em que Harvey chega à escola e o arguido, momentos antes, a tentar provocá-lo. O tribunal ouviu que Harvey manteve sempre uma postura pacífica. Outro vídeo revela o jovem a segurar a faca dentro da cantina antes do ataque.

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O arguido tinha admitido homicídio involuntário, mas negava homicídio qualificado. Foi, no entanto, declarado culpado por um júri do Tribunal da Coroa de Sheffield, por maioria de 11 contra um, após 14 horas de deliberação. A leitura da sentença está marcada para outubro, altura em que o juiz decidirá também se levanta ou não a restrição de identidade.

A defesa alegou que o adolescente perdeu o controlo após anos de bullying e “um período intenso de medo na escola”. “Sabem que não consigo controlar” e “não estou bem da cabeça”, disse aos professores poucos minutos depois do ataque. Já em tribunal, afirmou não se recordar do momento do crime, algo que a acusação classificou como mentira.

A acusação apresentou provas de que o jovem estava “obcecado” por armas, encontrando-se no telemóvel fotografias suas a posar com facas.

Os pais da vítima, Mark e Caroline Willgoose, disseram à Sky News que o crime com recurso a facas “é agora um modo de vida para os jovens” e que o problema não é levado suficientemente a sério nas escolas.

“Forçámos o Harvey a ir à escola, mas as pessoas não percebem que há um problema com facas em todas as escolas. É um modo de vida agora para os jovens, e tem de acabar”, disse a mãe, Caroline Willgoose, que revelou que o filho evitava ir à escola devido à ansiedade e sentia-se inseguro.

Durante o julgamento, foi também revelado que o arguido já tinha protagonizado episódios de violência na escola. Meses antes do homicídio, a mãe do jovem alertou a direção escolar depois de encontrar uma arma na sua mochila, o que levou ao contacto com a polícia.