Ao 31.º dia de guerra, a relação política entre os Estados Unidos e a Rússia foi posta em causa. Apesar de já se ter prontificado a receber refugiados ucranianos e ajudar na crise humanitária na Ucrânia, nunca Joe Biden, presidente norte-americano, se tinha pronunciado sobre eventuais mudanças no regime político de Moscovo.

NATO, G7 e do Conselho Europeu discutem guerra na Ucrânia. Conflito dura há um mês
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Fê-lo este sábado, 26 de março, através de um discurso na Polónia, membro da NATO, com duras palavras a respeito de Vladimir Putin, onde alegadamente sugeria que o presidente russo deveria ser deposto do cargo. "Por amor de deus, este homem não pode continuar no poder", disse Joe Biden, no Castelo de Varsóvia, após um encontro com o presidente polaco, Andrej Duda.

No final do discurso, Joe Biden, que já teria descrito, por duas vezes, Putin como "criminoso de guerra", foi questionado sobre o que pensava a respeito do presidente russo e não hesitou em responder. "Ele é um carniceiro", rematou.

A Casa Branca já retificou as declarações do presidente norte-americano, esclarecendo que Biden não estava a apelar a uma mudança de regime e frisando que os Estados Unidos não têm uma estratégia para derrubar Vladimir Putin.

Segundo o comunicado oficial da Casa Branca, na rede social Twitter, as declarações de Biden pressupunham apenas que Putin não pode exercer o seu poder em "países vizinhos".

"O ponto do presidente era que Putin não pode ter permissão para exercer o seu poder nos vizinhos ou na região. Ele [Biden] não estava a discutir o poder de Putin na Rússia, ou uma mudança de regime", lê-se.

"Um líder deve manter a calma"

Apesar da intervenção da Casa Branca, a Rússia já reagiu e frisou que os "insultos" de Biden a Putin reduzem as possibilidades de melhorar as relações entre Washington e Moscovo. "Um líder deve manter a calma", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência noticiosa Tass, citada pelo "Jornal de Notícias".

"Esses insultos pessoais reduzem a oportunidade de melhorar as nossas relações bilaterais. Temos de ter consciência disso", disse. No mesmo discurso, Peskov mostrou-se surpreendido pela postura de Biden e mencionou que os Estados Unidos já exigiram que "se matassem pessoas".

"Afinal, (Biden) é o homem que uma vez exigiu, ao falar na televisão do seu país, que se bombardeasse a Jugoslávia. Exatamente, bombardeamentos à Jugoslávia. Exigiu que se matassem pessoas", afirmou Peskov.

"Portanto, é no mínimo estranho escutar dele uma coisa dessas", frisou, referindo ainda que a decisão de afastar Putin não cabe ao presidente norte-americano, mas sim aos cidadãos da Federação Russa.

 Tensão entre Washington e Moscovo

Durante o discurso deste sábado, 26, Biden criticou ainda a postura política da Rússia face à NATO. "O Kremlin quer retratar o crescimento da NATO como um projeto imperialista, com o propósito de desestabilizar a Rússia. Não poderia estar mais afastado da verdade. A NATO é uma aliança defensiva", frisou.

O presidente norte-americano reforçou ainda que as forças do seu país em território europeu estão presentes para defender os países que pertencem à NATO. "Não vamos ceder um único centímetro de território da NATO", acrescentou.

Joe Biden garantiu ainda que a economia russa vai perder metade do seu alcance nos próximos anos, passando da 11.ª maior economia do mundo para nem sequer entrar no top 20, após as sanções aplicadas pelo ocidente.

"A economia russa está a caminho de ser cortada pela metade nos próximos anos. A economia russa estava classificada como a 11ª maior economia do mundo antes desta invasão, em breve nem estará entre as 20 maiores", disse o presidente norte-americano, citado pela CNN Portugal.

Macron condena "escalada das palavras"

"Eu não usaria estas palavras", disse Emmanuel Macron, presidente francês, a propósito do discurso de Joe Biden na Polónia. Macron condena "escalada verbal" com Moscovo, alertando que o que está em causa é um cessar-fogo na Ucrânia.

"Temos de fazer de tudo para impedir que esta situação escale. Eu não usaria estas palavras, porque continuo a falar com o presidente Putin", declarou Macron ao canal de televisão France 3, citado pela CNN Portugal, durante a tarde deste domingo, 27.

O presidente francês esclareceu ainda que o seu papel nesta guerra é "conseguir primeiro um cessar-fogo e depois a retirada total das tropas russas por via diplomática"." Queremos parar a guerra que a Rússia lançou na Ucrânia sem entrar em guerra", frisou.

"Vamos reconstruir a Ucrânia depois de vencer a guerra"

Durante a tarde deste domingo, 27, uma mensagem gravada pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi transmitida em várias cidades do mundo, incluindo em Lisboa, no Terreiro do Paço, onde centenas de pessoas se manifestam contra a guerra na Ucrânia.

Num apelo ao mundo, o presidente ucraniano defende que só um povo unido "pode parar o homem que sozinho começou esta guerra" e prometeu: "vamos reconstruir a Ucrânia depois de vencer a guerra".

"Há um mês, antes desta guerra, vivíamos num mundo diferente. Milhares de ucranianos estavam vivos e agora já não estão. O mundo costumava viver sem preocupações e agora todos pensam no que fazer se a Rússia entrar ainda mais na Europa. Vejo o medo dos políticos, alertou Zelensky.

O presidente ucraniano exige ainda mais sanções à Rússia, nomeadamente no setor energético,e, mais uma vez, apela a um cessar-fogo e à retirada total das tropas russas de território ucraniano.

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