O Presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, afirmou esta quinta-feira, 1 de abril, numa mensagem transmitida em direto na rede social Facebook, que, se decidir receber a vacina contra a COVID-19, será o último cidadão brasileiro a fazê-lo já que, a seu ver, esse é o "exemplo que um chefe deve dar".

"Há uma discussão agora, sobre se eu me vou vacinar ou não me vou vacinar. Eu vou decidir. O que eu acho? Eu já contraí o vírus. Eu acho que o que deve acontecer é: depois de o último brasileiro ser vacinado, se sobrar uma vacina, então eu vou decidir se me vacino ou não. Esse é o exemplo que um chefe tem de dar. Igual ao quartel. Geralmente o comandante é o último a se servir. É o que dá exemplo a todos", afirmou.

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No mesmo discurso, fez questão de frisar que muito tem sido criticado por não usar máscara em algumas situações e referiu ainda que, se as pessoas quiserem acompanhar todos os aspetos relacionados com a pandemia no Brasil — vacinação, número de mortes, novos casos, entre outros — devem entrar no site da Localiza SUS.

Bolsonaro fez questão de demonstrar, desde o início da pandemia, a indiferença quanto à gravidade da situação, não tendo, muitas vezes, tomado as medidas necessárias para a combater. Atualmente, o Brasil é um dos países do mundo mais afetado pela COVID-19, registando recordes de mortes a cada dia. Na quarta-feira, 31 de março, o país sul-americano registou, pelo segundo dia consecutivo, um novo máximo de mortes (3.869) — dia que ficou marcado por mais um discurso do presidente a criticar as medidas de isolamento.

"O apelo que se faz aqui é de que políticas de 'lockdown' (confinamento obrigatório) sejam revistas, isso cabe na ponta da linha aos governadores e prefeitos, porque só assim nós podemos voltar à normalidade", afirmou Bolsonaro citado pela "SIC Notícias".  "Não é ficando em casa que nós vamos solucionar esse problema. (...) Nenhuma nação se sustenta por muito tempo com esse tipo de política. E nós queremos realmente é voltar à normalidade o mais rápido possível, buscando medidas para combater a pandemia, como vacinas", acrescentou.

Bolsonaro gastou 350 mil euros em férias

Esta quinta-feira, 1 de abril, o deputado federal Elias Vaz fez questão de tornar público que o chefe de Estado do Brasil gastou mais de 2,3 milhões de reais (cerca de 350 mil euros) em férias realizadas entre os meses de dezembro e janeiro, altura em que o País se encontrava em plena pandemia.

Os documentos que comprovam os gastos feitos entre 18 de dezembro e 5 de janeiro foram enviados ao deputado do Partido Socialista Brasileiro pelos ministros do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, após um pedido de informação oficial feito pelo parlamentar, noticia esta sexta-feira, 2 de abril, o "Observador". 

"Numa situação normal, esse gasto já seria um absurdo. Agora, numa situação onde tínhamos quase 200 mil mortes [devido à covid-19] naquele período, o fim do auxílio de emergência [para os mais pobres] e a alegada falta de recurso… Nós tínhamos, claramente, uma crise sanitária e económica, e ele [Bolsonaro] sai de férias. Já não é uma situação compreensível o Presidente sair de férias num momento desse, e ainda gastou esse dinheiro. É uma afronta ao povo brasileiro", frisou Elias Vaz, citado pelo mesmo jornal.

Depois de enviar os dados à imprensa local e de os ter partilhado nas redes sociais, o deputado informou que vai também pedir ao Tribunal de Contas da União que investigue os gastos do chefe de Estado. "Quando o Brasil registava quase 200 mil mortes, o presidente torrava o dinheiro do povo com passeios. Enquanto isso, falta comida no prato de milhares de cidadãos atingidos em cheio pela crise", acrescentou Elias Vaz.

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