Pela primeira vez em mais de 150 anos, o presidente dos EUA não vai estar presente na tomada de posse do presidente eleito. Depois de ter condenado a invasão dos apoiantes que atiçou com um discurso inflamado, Donald Trump fez saber que não irá receber Joe Biden na Casa Branca como, aliás, manda a tradição aquando da transição de poder entre presidentes.

A informação foi dada esta sexta-feira, 8 de janeiro, pelo próprio na sua página oficial de Twitter. "Para todos aqueles que perguntaram, não irei à Inauguração [o dia em que Joe Biden é confirmado e oficializado como o presidente dos EUA durante os próximos quatro anos] a 20 de janeiro", lê-se na mensagem escrita por Trump aos seus seguidores.

Atiçados por Donald Trump, manifestantes invadem Capitólio para sabotar transição de poder
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Ao longo da história do país, só três presidentes americanos recusaram comparecer na tomada de posse do seu sucessor, escreve a CNN. Foram eles John Adams, em 1801; John Quincy Adams, em 1829; e Andrew Johnson, em 1869. A recusa em comparecer surge no mesmo dia em que Donald Trump se viu obrigado a condenar, publicamente, a invasão ao Capitólio que o próprio instigou.

Nunca a democracia nos EUA tinha sido atacada desta forma. Pela primeira vez em toda a história do país, manifestantes atiçados por Donald Trump invadiram o edifício do Capitólio, em Washington, com o objetivo de sabotar a transição de poder para Joe Biden durante a certificação dos votos do Colégio Eleitoral pelo congresso americano. A invasão aconteceu na quarta-feira, 6 de janeiro, pouco depois das 18 horas, hora de Portugal.

Momentos antes, Donald Trump discursara para os seus apoiantes com passagens inflamatórias que terão servido como catalisador para o que se seguiu. "Depois disto [do discurso], vamos caminhar até ao Capitólio para aplaudir os senadores corajosos. E provavelmente não aplaudiremos alguns deles. Porque nunca conseguiremos conquistar de novo o nosso país com fraqueza. Temos de mostrar força e temos de ser fortes. Nunca vamos desistir. Nunca se desiste quando há roubo envolvido [referindo-se às alegações, infundadas, de fraude nas eleições]", disse.

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O estrago estava feito. No momento em que os senadores e membros da Câmara dos Representantes se preparavam para voltar a reunir, milhares de apoiantes de Donald Trump — que tinham passado o dia na capital — invadiram o edifício. Em poucos minutos, vidros partidos, tiros disparados e a desordem no coração de um país. Os vídeos captados por cidadãos no local mostram a polícia a abrir o gradeamento para os manifestantes entrarem.

Ao final da tarde nos EUA, noite em Portugal, a Guarda Nacional e as outras forças da autoridade acionadas pela Casa Branca para dar resposta à invasão, anunciaram de que a situação tinha sido controlada e que o Capitólio já estava seguro. Durante o processo, o FBI detetou, e desativou, duas bombas nas imediações do edifício e já abriu uma investigação.

Restaurados os trabalhos no Capitólio, o dia terminou como deveria ter terminado: com o congresso a confirmar os votos do Colégio Eleitoral e Joe Biden como presidente dos EUA durante os próximos quatro anos.

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