Nunca a democracia nos EUA tinha sido atacada desta forma. Pela primeira vez em toda a história do país, manifestantes atiçados por Donald Trump invadiram o edifício do Capitólio, em Washington, com o objetivo de sabotar a transição de poder para Joe Biden durante a certificação dos votos do Colégio Eleitoral pelo congresso americano. A invasão aconteceu esta quarta-feira, 6 de janeiro, pouco depois das 18 horas, hora de Portugal.

Momentos antes, Donald Trump discursara para os seus apoiantes com passagens inflamatórias que terão servido como catalisador para o que se seguiu. "Depois disto [do discurso], vamos caminhar até ao Capitólio para aplaudir os senadores corajosos. E provavelmente não aplaudiremos alguns deles. Porque nunca conseguiremos conquistar de novo o nosso país com fraqueza. Temos de mostrar força e temos de ser fortes. Nunca vamos desistir. Nunca se desiste quando há roubo envolvido [referindo-se às alegações, infundadas, de fraude nas eleições]", disse.

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O estrago estava feito. No momento em que os senadores e membros da Câmara dos Representantes se preparavam para voltar a reunir, milhares de apoiantes de Donald Trump — que tinham passado o dia na capital — invadiram o edifício. Em poucos minutos, vidros partidos, tiros disparados e a desordem no coração de um país. Os vídeos captados por cidadãos no local, mostram a polícia a abrir o gradeamento para os manifestantes entrarem.

Dentro do capitólio, congressistas, senadores e todo o pessoal profissional refugiou-se nos seus gabinetes até serem conduzidos para o exterior do Capitólio por indicação da polícia, que recomendou o uso de máscaras antigás já que as autoridades usaram granadas de gás para dispersar os manifestantes.

No total, sabe-se agora que 14 agentes da polícia ficaram feridos, quatro pessoas morreram e mais de 70 foram detidas, algumas por violaram o decreto de recolher obrigatório que fora acionado como resposta à violência, outras por estarem armadas sem apresentarem licença de porte de arma. À medida que o caos se desenrolava no edifício do Capitólio, Donald Trump apelava à calma daqueles que tinha atiçado, mas continuou a insistir na tese de que as eleições presidenciais tinham sido alvo de fraude.

"Por favor, ajudem e apoiem a polícia do Capitólio e todos os agentes da autoridade. Eles são quem estão no lado certo do nosso país. Protestem pacificamente", escreveu Donald Trump num tweet. Num outro, entretanto apagado pelo Twitter, lia-se: "Esta eleição foi fraudulenta, mas não podemos deixar isto nas mãos destas pessoas. Precisamos de paz. Por isso, vão para casa. Adoramo-vos, vocês são muito especiais. Sei como se sentem, mas vão para casa."

Ao final da tarde nos EUA, noite em Portugal, a Guarda Nacional e as outras forças da autoridade acionadas pela Casa Branca para dar resposta à invasão, anunciaram de que a situação tinha sido controlada e que o Capitólio já estava seguro. Durante o processo, o FBI detetou, e desativou, duas bombas nas imediações do edifício e já abriu uma investigação.

Restaurados os trabalhos no Capitólio, o dia terminou como deveria ter terminado: com o congresso a confirmar os votos do Colégio Eleitoral e Joe Biden como presidente dos EUA durante os próximos quatro anos.

Depois de uma condenação internacional por parte de vários dirigentes políticos em todo o mundo, devido à violência que dominou o edifício em Washington, Donald Trump, entretanto banido do Twitter, Instagram, Facebook, e Snapchat, insistiu, em forma de comunicado, discordar "totalmente com o resultado das eleições".

Apesar disso, garante que "haverá uma transição ordeira [de poder] a 20 de janeiro", altura em que Joe Biden tomará posse como novo presidente.

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