Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, partilhou na noite de 6 de fevereiro um texto nas redes sociais em que chamou "esterco" a Daniel Oliveira, enviando, inclusivamente, cumprimentos ao seu pai, o poeta Herberto Hélder, que morreu a 23 de março de 2015.

"O Daniel Oliveira e outros como ele não passam de um esterco. Um esterco que fala de mim para ter palco e nunca ganhou umas eleições na vida. Pois eu já, duas vezes. A última com maior votação de sempre", começou por dizer. "E não existem sobras de vacinas seu esterco. Defensor de fura filas. Aprende a não falares do que não sabes, não é a tua área. A tua área é mais vigarices com graus académicos. Eu sou mestre, tu não, cumprimentos ao teu Pai. "

ana rita cavaco

A publicação, que entretanto já foi apagada do mural de Facebook da bastonária, é acompanhada por um artigo do "Correio da Manhã" (intitulado de "O mestrado 3-D do ex-bloquista") e parece surgir como resposta a uma crónica, em o jornalista e cronista crítica o comportamento de Ana Rita Cavaco, na sequência de ter chamado "gorda fura filas" a Isilda Gomes, Presidente da Câmara de Portimão, depois de esta ter recebido as duas doses da vacina indevidamente, alegando que é obesa e hipertensa.

"Presidente da Câmara de Portimão. A gorda fura filas. Malvada a hora [em] que nasci magra", escreveu no Facebook, a 2 de fevereiro.

Dois dias depois, na quinta-feira, 4 de fevereiro, Daniel Oliveira acusou, então, a bastonária de comportamento "intolerável" e "degradante", afirmando ainda que esta está liderar uma "caça às bruxas", em que faz uso da difamação com base no "ouviu dizer".

"A tristeza com que vejo espertalhões passarem à frente para receberem a vacina – deixo para a edição impressa desta sexta-feira a demissão de Francisco Ramos – é a mesma com que vejo uma bastonária liderar uma caça às bruxas nas redes sociais, chamando 'gorda' a uma autarca, difamando pessoas porque “ouviu dizer” que tomaram a vacina indevidamente e recusando-se a corrigir quando é esclarecida", começou por ser escrever Daniel Oliveira no jornal "Expresso".

É que além de Isilda Gomes, Ana Rita Cavaco acusou ainda Jorge Botelho, secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, e a mulher Margarida Flores de “fura filas e chicos espertos”, acusando-os de também terem recebido indevidamente a vacina contra a COVID-19. 

O Secretário de Estado que coordena o combate à COVID-19 no Algarve — que entretanto apresentou uma queixa por difamação contra Ana Rita Cavaco — terá ligado à bastonária. informando-a de que a informação relativa à sua vacinação indevida era falsa. O que levou a uma nova publicação assinada pela enfermeira: "Entretanto, ligou-me agora o SE Jorge Botelho, agora fixei o nome, referindo que não foi vacinado, nem ele, nem a esposa, mas que tem critérios para ser. Ficou aborrecido com o que as pessoas dizem. Achei que devia pôr aqui a sua posição, mas confesso que fiquei confusa, não foi mas tem critério. Lembrei-me de outra coisa também, o critério neste país para se ter um alto cargo público, a família."

Daniel Oliveira põe mesmo em causa o caráter de Ana Rita Cavaco. "Perante a informação de que estava a difamar alguém, a bastonária (é mesmo bastonária) não pediu desculpas, não corrigiu o que escreveu. Preferiu manter a dúvida: 'confesso que fiquei confusa'. E passou ao ataque, sobre relações familiares na ocupação de cargos públicos, sem qualquer relação com os factos em causa e o processo de vacinação", escreveu.

"Errar numa acusação desta natureza é grave, mas pode acontecer a qualquer pessoa num gesto imediato e irrefletido de que se arrepende. Saber que se mentiu e manter a insinuação, em vez de pedir desculpa pela injustiça cometida, define o caráter de alguém."

Daniel Oliveira considera que Ana Rita Cavaco tem estado a "desempenhar um papel lamentável" , acusando-a de adotar um "comportamento que degrada o espaço público", um comportamento "intolerável em quem ocupa o lugar que ocupa". Põe em causa a forma como representa os outros profissionais da enfermagem: "Apesar de apenas 19 mil dos enfermeiros lhe terem dado o seu voto, é inconcebível que a classe se consiga rever no seu comportamento ofensivo e tóxico."

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