Fernanda Tadeu foi a grande convidada desta segunda-feira, 8 de março, do programa da TVI "Dois às 10" . À conversa com Cláudio Ramos e Maria Botelho Moniz, a mulher do primeiro-ministro António Costa referiu que não gosta de ser vista apenas como a mulher de alguém.

"Ninguém define uma pessoa por ser mulher ou marido de alguém, uma pessoa é um projeto único, é alguém que tem um percurso que é pessoal, que tem objetivos, ambições e metas a traspor." Foi com esta frase que se iniciou uma longa conversa na qual Fernanda Tadeu não podia deixar de falar do seu percurso profissional.

Foi no liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde conheceu e começou a namorar com António Costa, que, enquanto adolescente, sentiu que queria fazer algo para salvar o mundo. "Eu acho que cada um de nós encontra a sua forma de o tentar fazer, a minha era através da educação. Eu gosto muito de crianças e achei que a forma de poder intervir de alguma forma era educar aquelas crianças, torná-las adultos que soubessem responder aos problemas que surgem na vida. Ajudar aquelas crianças a pensar e a serem críticas e intervenientes no seu mundo."

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Educadora de infância de profissão, reformou-se antes da idade estipulada pois considera que o trabalho que iria desenvolver com a idade atual nunca seria da mesma qualidade do que aquele que tem vindo a fazer ao longo da vida. "Achei que estava na altura de sair porque acho que ninguém aguenta 40 anos a trabalhar da mesma forma com crianças. É difícil e as crianças precisam de uma vivacidade que nós começamos a perder", afirmou referindo que este é um trabalho que nunca poderá "ser contado por horas" uma vez que exige muita dedicação diária. "Sempre fiz o meu pé de meia e saí sabendo que tinha capacidade económica para ser independente apesar de deixar de trabalhar."

Como professora, falou sobre as dificuldades que esta classe enfrenta há vários anos. "Eu considero-me uma mulher livre e digo sempre o que penso", referiu relativamente às manifestações de professores nas quais fez questão de participar, mesmo sendo mulher de António Costa.

"Eu tinha o meu projeto de vida e os meus objetivos. Eu estava na escola e sabia o que se passava na escola e portanto não podia, de maneira nenhuma, concordar com uma situação que foi nessa altura de uma injustiça enorme para os professores e para a dignidade dos professores." Fernanda Tadeu realça que é a primeira a confrontar o primeiro-ministro com algumas situações com as quais não concorda e refere que, muitas vezes, a sua opinião é tida em conta para a tomada de decisões.

António Costa e Fernanda Tadeu
créditos: antoniocostapm/Instagram

Questionada por Cláudio Ramos se alguma vez sentiu que o governo não olhava para os professores como a base que eles devem ser na sociedade, Fernanda Tadeu referiu que sim e fez questão de realçar a dificuldade que é para muitos professores terem, todos anos, de se deslocar para longe de suas casas e ir dar aulas para sítios que não conhecem, nunca podendo esquecer a alegria com que têm de encarar as crianças todas as manhãs. "Ser educador não é brincar com meninos. Nós trabalhamos com aqueles meninos em todas as áreas e é preciso despertar-lhes o interesse."

"Temos de continuar a lutar pela igualdade de género enquanto houver mulheres que ganham menos, trabalhando o mesmo do que os homens."

Par além de professora, mulher e companheira, Fernanda é ainda mãe de dois filhos, Catarina e Pedro, e não tem vergonha em assumir que a pior altura da sua vida foi quando os dois saíram de casa. À filha tenta passar muito a lição de que, enquanto mulher, deve continuar a lutar diariamente pela igualdade.

"Nós temos de continuar a lutar pela igualdade de género enquanto houver mulheres que ganham menos trabalhando o mesmo do que os homens. Enquanto houver mulheres que não conseguem aceder a postos de chefia como os homens tendo as mesmas aptidões", afirma referindo que gostava que já não fosse necessário assinar o Dia Internacional da mulher.

Durante a entrevista, Fernanda Tadeu falou ainda da ligação que sempre teve com a avó Júlia e da boa relação que tem com a sogra, Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, com quem aprendeu muito. "Sempre foi uma grande jornalista, uma mulher que lutou pelas outras mulheres. Uma mulher que admiro muito pelo seu trabalho em prol das outras mulheres."

O estado de saúde delicado pelo qual passou foi ainda tema de conversa e Fernanda fez questão de salientar que se encontra bem. "Eu tive um tumor no pulmão que teve de ser retirado, correu tudo bem. Felizmente era um tumor que estava no seu sítio e não se expandiu. A minha vida voltou ao normal e estou 100% saudável e isso foi uma coisa que ficou para trás", concluiu.

Fernanda Tadeu e António Costa estão casados desde 1987 e têm dois filhos: Pedro, de 30 anos e Catarina, de 27.

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