São Teotónio e Longueira-Almograve são as duas freguesias do município de Odemira mais afetadas pelo surto da COVID-19. Por isso, o governo de António Costa decidiu não só estabelecer uma cerca sanitária a toda a região, mas também avançar com a requisição civil do empreendimento ZMar Eco Experience, que servirá de covidário para isolar doentes infetados.

"A situação epidemiológica, particularmente grave no município de Odemira, bem como a falta de acordo com a sociedade comercial supra indicada, fundamenta que, por razões de interesse público e nacional, com caráter de urgência se reconheça a necessidade de requisitar temporariamente o ZMar Eco Experience e os respetivos serviços“, lê-se no despacho publicado no Diário da República.

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Isto porque, lê-se no despacho, o empreendimento "é um estabelecimento que apresenta as condições aptas e adequadas para a realização de confinamento em isolamento por pessoa a quem o mesmo tenha sido determinado pelas autoridades de saúde".

Esta requisição será válida enquanto a situação de calamidade se aplicar ao concelho de Odemira. Assim sendo, a gestão do empreendimento, que rejeitou um acordo com o governo para a cedência do espaço, passará a ser feita por entidades públicas. Está, no entanto, previsto a atribuição de indemnizações por parte do Estado pelo uso dos materiais do alojamento.

Apesar disso, os residentes do ZMar contestaram esta ideia uma vez que o empreendimento "não é apenas um parque de campismo, mas sim um espaço onde existem várias habitações particulares", escreve o jornal "Observador" citando Nuno Silva Vieira, o advogado que representa os moradores, que falou com a Lusa.

"Há 260 casas, 160 de particulares e esta requisição civil é para todo o empreendimento, por isso, espero que esta decisão venha a ser alterada pelo governo", continua.

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O advogado garante ainda que nenhum dos moradores do ZMar vai sair das suas casas e que, em vez disso, irão aguardar um novo contacto por parte do executivo que, acredita, "não conhece este empreendimento". "O governo não é o tribunal e as pessoas que aqui vivem não vão abandonar as suas casas para dar lugar a pessoas doentes. Não se trata de má vontade, tem que ver com leis."

O alojamento, que esteve em risco de insolvência, previa a reabertura ao público a 28 de maio. Esse cenário, no entanto, é agora incerto devido à requisição civil do governo.

"A requisição civil para os fins a que se propõe coloca em casa a época alta e a faturação que seria essencial para que a empresa pudesse prosseguir a sua recuperação", diz Pedro Pidwell, administradora da empresa gestora do empreendimento, à Agência Lusa, citada pelo "Observador".

Esta requisição, diz, "aponta para a liquidação da empresa e para a extinção de mais de 100 postos de trabalhos". Além de que, continua, afeta a imagem do empreendimento junto do público. "Passar férias num sítio que foi um covidário não é a solução mais apelativa", argumenta o empresário.

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