Algumas marcas nascem em silêncio, crescem longe dos holofotes e, quando chegam a Paris, já sabem exatamente quem são. A Ernest W. Baker é uma dessas histórias (e tem raízes portuguesas). Fundada em 2017 por Inês Amorim e Reid Baker, a marca fez a sua estreia oficial na Semana de Moda de Paris com a coleção outono/inverno 2026, sendo a consequência natural de um percurso feito com tempo e muito foco no produto.

A dupla conheceu-se em Milão, enquanto estudava moda, num caminho que passou também por Londres, Antuérpia e colaborações com designers um pouco por todo o mundo. O reconhecimento chegou em 2018, quando a insígnia foi selecionada para o LVMH Prize, o que foi reflexo de uma entrada triunfal nos radares da indústria internacional.

Ernest w baker
Ernest w baker Inês Amorim e Reid Baker créditos: Luca Tombolini

Desde então, escusado será dizer que tem vindo a construir uma reputação sólida, discreta e altamente respeitada, não tivesse a insígnia sido responsável por ter vestido nomes como Pharrell Williams (o cantor e diretor criativo das coleções masculinas da Louis Vuitton, precisamente), assim como Kim Kardashian, Harry Styles ou Justin Bieber. E sem nunca ceder à pressa ou à produção em massa, atenção, porque o seu ritmo desafia a lógica acelerada da moda contemporânea.

Até porque a produção da marca está de arraiais assentes no Porto. É aqui que a Ernest W. Baker desenvolve e produz as suas coleções, trabalhando de perto com a indústria portuguesa, numa relação quase artesanal com quem faz as peças acontecer. O orgulho no made in Portugal não é um slogan, uma vez que se traduz em quantidades reduzidas, processos manuais e um cuidado extremo com cada detalhe, com peças que levam horas a finalizar.

A coleção outono/inverno 2026 está assente, precisamente, nessa ideia de percurso, já que foi pensada como uma viagem, que tem tanto de física, como emocional e criativa. Por isso, a coleção liga memórias das temporadas passadas a uma sensação clara de "direção e novos começos", diz a marca em comunicado. Especialmente tendo em conta que este é primeiro desfile oficial, pelo que tudo aqui se cose com linhas de movimento, impulso e descoberta.

O cenário do desfile reforça essa narrativa, assim como os detalhes de inspiração náutica que atravessam a coleção. Entre as opções apresentadas há camisas de marinheiro em couro, malhas às riscas, fechos que remetem para o universo marítimo, assumindo-se como referências subtis, mas usadas com contenção, que evocam navegação e passagem sem cair no literal. É uma coleção que sugere mais do que explica, diga-se.

Os clássicos continuam a ser um território seguro para a Ernest W. Baker, mas nunca intocável. O xadrez surge em três interpretações diferentes, reinventado em malhas e couro, e estende-se a uma panóplia de acessórios, que vão de mocassins a carteiras baguete. A repetição de conjuntos coordenados cria uma identidade visual coesa, quase intuitiva, que se reconhece à distância.

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Nesta temporada, houve ainda o patrocínio da reconhecida Swarovski, explica a marca na missiva, dizendo que abriu espaço para uma exploração mais ampla dos enfeites, responsável por cristais bordados em alfaiataria, malhas, couro e nos acessórios, formando padrões inspirados em constelações e estrelas cadentes. Como se isto não bastasse, a André Ópticas ainda deu uma ajuda com acessórios vintage, carregados de memória.

A pensar em todos os modelos que vimos, e consoante aquilo que lhe contámos, reunimos alguns dos nossos looks favoritos do desfile, recheado de peças que condensam tudo aquilo que a marca, que preza os valores da precisão, sensibilidade e uma identidade cada vez mais clara no mapa da moda internacional, é hoje. Ora veja.

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