Marta Temido deixa o alerta: a vacina contra a COVID-19 não vai chegar para todos e será administrada apenas a populações alvo, disse no "Primeiro Jornal", da SIC, este sábado, 21 de novembro.

O plano de vacinação, garante, já está em curso. "Já designámos uma comissão que integra pessoas da área do setor da saúde, mas também de outros setores de várias áreas governamentais — Ministério da Defesa Nacional, Ministério da Administração Interna, entre outros — que tem nas mãos a coordenação daquilo que é a atuação de vários serviços, designadamente, da Direcção-Geral da Saúde, a quem cabe a responsabilidade pela definição mais pormenorizada de cada uma das populações alvo, dos grupos de risco."

Idade, comorbilidades e profissão são fatores na definição destas populações alvo. "São as populações acima de uma determinada de idade, com comorbilidades, são os profissionais de saúde envolvidos no cuidado das pessoas particularmente vulneráveis, designadamente pela sua idade, são profissionais que asseguram funções essenciais para o Estado", explica. "É nestes grupos que todos os países que já têm as suas estratégias definidas estão a fazer afinação para saber exatamente dentro deste universo."

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A ministra da Saúde garante que não estamos atrasados em relação a outros países europeus. O armazenamento e a estratégia de administração estão a ser delineados. "Já trabalhámos muitos outros aspetos da logística. Sabemos que vamos ter várias vacinas, que cada uma tem condições de refrigeração, que cada uma tem condições de entrega nacional. Sabemos que vamos ter uma estratégia de administração de vacina que vai precisar de profissionais de saúde, para garantir que é realizada no mais curto prazo possível", disse.

E destacou: "E precisamos de uma outra coisa, mais uma vez: precisamos que as pessoas percebam que a vacina vai ter grupos indicados e que é a esses que se destina e não a outros."

Questionada sobre a data de chegada da vacina a Portugal em janeiro, mês apontado pelo Governo, a Ministra não deu garantias: "Quando chegar a Portugal, o que não queremos que aconteça é que não haja da parte do Estado português tudo preparado para a sua administração."

Corre-se o risco de o cenário se assemelhar ao verificado com a vacina da gripe, alvo de uma "sobreprocura"? "Eu gostava de dizer que as vacinas contra a gripe sazonal concretamente são uma quantidade limitada anual. E países com a nossa dimensão compraram a nossa dimensão de vacinas, o nosso montante", lembra Marta Temido. "De qualquer forma, há vacinas [da gripe] a chegar esta semana e vamos continuar a vacinar", acrescentou, numa alusão às 200 mil doses a caminho, as últimas disponíveis para o país no mercado mundial.

"É preciso que as pessoas em casa percebam isso: já estamos a arriscar não tratar outros doentes"

O Serviço Nacional de Saúde não está perto da "rutura", mas está numa situação crítica. "Nós já estamos numa situação crítica. É preciso que as pessoas em casa percebam isso: já estamos a arriscar não tratar outros doentes", disse Marta Temido, alertando a população para a importância de travar os contágios, através de comportamentos.

Nesta altura da entrevista, logo no início, discute-se a capacidade de os hospitais receberem mais doentes com necessidade de internamento em Unidades de Cuidados Intensivo. A ministra frisa que há 485 camas ocupadas por pessoas infetadas com COVID-19, num universo de 569 pensadas para estes doentes.  "Temos 485 doentes internados, numa disponibilidade de 569 camas e num número", acrescentando que o número total — para doentes COVID e não COVID — é de 1886.

Antes disso, a abrir a entrevista, falou-se no regime excecional de autonomia dada aos hospitais para contratarem médicos, "de um conjunto de especialidades necessárias".  Questionada sobre o porquê de só agora se ter aberto este regime, a ministra explica que, logo o início da pandemia, houve "regime de contratação de profissionais de saúde". A diferença é que era "a termo."

O objetivo deste novo regime, explica, passa por responder às necessidades a longo prazo do Serviço Nacional de Saúde (SNS).  "Quando dizemos que podem contratar autonomamente, por tempo indeterminado, não é só resposta à pandemia. "

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