Pela primeira vez desde o início da pandemia, Portugal é o primeiro país da União Europeia com uma média de mais novos casos de infeção por COVID-19 por um milhão de habitantes. Numa escala mundial, Portugal está em segundo lugar, atrás de Israel, e no quarto lugar no que toca ao número de mortes. Os dados são da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, que mostram que o País nunca esteve tão acima nas tabelas que indicam os números diários de infeções e de óbitos a lamentar.

Nos últimos sete dias, Portugal regista uma média de 885,85 novos casos de infeção por cada milhão de habitantes e está no 13.º lugar na lista dos países que mais realizam testes de despiste à doença.

Os dados surgem numa altura em que todo o sistema de saúde do País, onde se inclui o Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como todo o setor privado, está à beira da rutura. O alerta foi dado este domingo, 17 de janeiro, pela ministra da Saúde Marta Temido depois de uma visita ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, que já se viu obrigado a transferir pacientes e que, no domingo, registou um total de 173 doentes internados com COVID-19, em que 19 estavam em unidades de cuidados intensivos.

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"Estamos a pôr todos os meios que existem no País a funcionar, mas há um limite e estamos muito próximos do limite", alertou em declarações aos jornalistas no local.

Nesse mesmo dia, estavam internados 2.054 doentes nos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo — o que equivale a quase metade dos 4.889 doentes hospitalizados em todo o País devido à doença. Nas unidades de cuidados intensivos da mesma região estavam 243 doentes.

O alerta da ministra da Saúde surge na mesma altura em que a falta de espaço e meios já se sente em várias unidades do País. A administração do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, já fez saber ter sido obrigada a transferir pacientes em tratamentos de quimioterapia para outros hospitais do Grupo Luz, que gere o espaço, escreve o "Correio da Manhã".

O objetivo é libertar mais profissionais de saúde e garantir espaço para a chegada de novos doentes, no mesmo dia em que a unidade hospital registava 204 internamentos e 19 em cuidados intensivos devido à COVID-19.

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No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, onde se inclui o Hospital Santa Maria, registou-se, no domingo, 202 internados e 43 em cuidados intensivos devido à doença. Devido à perspetiva de que os números de infeção continuem a aumentar durante as próximas semanas, o centro hospitalar vai aumentar o número de postos de atendimento e de quartos de urgência autónoma, abrindo ainda outra enfermaria com 20 camas, escreve o mesmo jornal.

Nos hospitais do Barreiro, Cascais e Torres Vedras o cenário é igualmente dantesco. "Doentes do Barreiro, Torres Vedras e Cascais foram transferidos para os hospitais Curry Cabral e São José", explicou Rosa Valente, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospital Lisboa Central, ao mesmo jornal. Espera-se que, nos próximos dias, o internamento seja alargado para mais 300 camas.

Face a este cenário, Marta Temido apela ao confinamento dos portugueses. "É preciso parar as cadeias de transmissão sob pena de estas situações se transformarem em regra. Toda a gente está a fazer sacrifícios. Temos de nos esforçar mais em temos de comunidade para garantir que param as cadeias de transmissão, senão não há sistema de saúde que aguente. Fiquem em casa, cumpram e façam cumprir as pessoas à sua volta."

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