O ano está a passar demasiado rápido e já vamos com quase quatro meses de 2023 em cima. Mas como ainda temos de penar muito até ao final do ano, há sempre espaço para saber que tendências é que ainda virão a dar o ar da sua graça. Podíamos estar a falar de roupa ou maquilhagem, mas é igualmente importante saber aquilo que se avizinha para os nossos cabelos – e foi por isso que, aquando da ModaLisboa, que se realizou entre os dias 9 e 12 de março, aproveitámos para falar com Helena Vaz Pereira.

No meio da confusão dos bastidores, entre modelos e colaboradores, lá estava ela, a mestre dos cabelos das celebridades e das modelos que pisaram as passerelles da capital. E nada melhor que aproveitar o momento em que estava com a mão na massa – isto é, nos cabelos e nos produtos da L'Oréal Professionnel, marca da qual se assume embaixadora e com a qual colaborou no evento – para tirar algumas dúvidas.

Numa era em que há produtos e dispositivos eletrónicos, como secadores e placas, que nos distanciam daquele que é o nosso cabelo real, Helena Vaz Pereira admite que a maré está a mudar. "A naturalidade está e vai continuar a ser tendência e eu diria que a diversidade também", começa por explicar à MAGG. "Atualmente, o importante é respeitares a natureza do teu cabelo. Se o teu cabelo é encaracolado, é tirares partido disso. Se o teu cabelo é liso, é teres um bom corte e fazeres um bom styling", frisa.

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Na verdade, a cabeleireira diz que é tão adepta desta tendência de naturalidade que acaba por incentivar aqueles que passam pelas suas mãos a seguirem-na. "É uma proposta que faço sempre. É sempre mais bonito assumires aquilo que tens. Saímos de uma altura em que as pessoas queriam fazer alisamentos e assumem o natural, que é o mais interessante, por exemplo", continua.

Como acontece na moda, também na beleza as tendências são cíclicas. E no que aos cabelos diz respeito, se ousarmos em dizer que certos cortes ou penteados estão ultrapassados, o mais provável é que, uns tempos depois, nos arrependamos daquilo que dissemos. E, segundo Helena Vaz Pereira, ainda que a naturalidade esteja a ter mais expressão que nunca, há aspetos das décadas de 60/70, pautadas pela exuberância, que estão a querer (voltar a) sair da toca.

"Os cabelos retro, dessas décadas mais antigas, estão a voltar", revela, acrescentando que isso fica patente, por exemplo, nos volumes excessivos, mas nem por isso menos glamourosos. "Já comecei a sentir, especialmente aqui na ModaLisboa, que muitos desginers quiseram isso, os cabelos mais estruturados", ou seja, aqueles que são mais elaborados, explica a profissional. "Apesar da naturalidade, as tendências também são um bocadinho isso: voltares atrás e reinterpretares à luz dos dias de hoje", remata.

E isto fica patente nos cortes e no styling. Para 2023, uma grande tendência são as franjas, admite Helena Vaz Pereira, acrescentando que é um corte de cabelo que "se veio a prolongar um bocadinho no tempo" – mas atenção, que têm de ser sempre "adequadas ao rosto".

Por exemplo, para as caras mais redondas, o truque passa por evitar franjas muito simétricas, apostando nas camadas. Para os rostos quadrados, ter uma franja mais desfiada, leve e dividida ao meio é a melhor opção. Este último género também fica bem a quem tiver uma forma mais oval – e as mais pesadas ficam a cargo dos rostos mais longos, para dar algum equilíbrio.

Outra das grandes tendências para este ano são os cortes escadeados, que gritam "anos 70". E isto funciona para todos os cabelos, mais curtos ou compridos. Além disso, o bob – aquele corte curto com que Coco Chanel arrasava – também está a ter um regresso. "É um corte elegante, intemporal e que eu, pessoalmente, adoro", confessa a cabeleireira.

De uma coisa, Helena Vaz Pereira tem a certeza: "ter volume e estrutura, exibir muita identidade e atitude, assumires o que és e o que tens é o que nos faz especiais". Mas, por via de dúvidas, não há nada que "consultar um cabeleireiro de confiança" não resolva.

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