Mariana Machado é uma das mulheres portuguesas com mais pinta no Instagram. Prova disso são as 115 mil pessoas que a seguem nesta rede social e que acompanham os passos da influenciadora digital. Foi também aqui que a ex-enfermeira partilhou com os seguidores que se tinha candidatado para ajudar a fazer frente à pandemia de COVID-19. A notícia de que tinha sido chamada veio a 25 de março, o dia em que tinha ficado combinado dar o seu testemunho enquanto enfermeira que se tinha inscrito para ajudar n’ “O Programa da Cristina”. A entrevista prosseguiu só o conteúdo é que se alterou ligeiramente.

“A produção do programa foi avisada nesse dia que eu tinha sido chamada”, contou à MAGG. “Eu já me tinha inscrito e ia falar sobre o facto de ter sido enfermeira, ter deixado a profissão e, agora, nesta situação, ter voltado a ajudar de alguma maneira”. Esta partilha tinha um único objetivo: incentivar outras pessoas que tivessem tirado o curso e que não estivessem no ativo a ajudar. No caso de Mariana, depois de várias tentativas, enviou um e-mail à Ordem dos Enfermeiros, que depois a chamou para ajudar na SNS 24. A notícia foi dada na televisão por Cristina Ferreira que fez uma video-chamada com a influenciadora digital.

Foi precisamente no Instagram que a influenciadora digital publicou uma fotografia que dava conta dos estudos e da formação que estava a fazer. “É preciso uma formação e eu nunca tinha feito SNS 24”, explicou acrescentando que a maior dificuldade foi aprender a diagnosticar um paciente apenas a ouvi-lo.

mariana machado

“Nós enquanto enfermeiros aprendemos a observar o doente como um todo, a olhar para ele, a escutá-lo. Neste caso só há uma parte e é através da audição que temos de fazer o diagnóstico. Se me disserem que dói a garganta eu teria tendência em espreitar, neste caso tenho de pedir à pessoa que veja por mim e nem sempre é fácil. É uma adaptação diferente à forma de diagnóstico”. A par desta dificuldade, outra: teve de aprender a mexer no sistema informático. Ainda assim, e após dois dias de formação, começou a trabalhar.

“No início era estranho, até porque achei que ia ter mais casos de COVID-19. Mas todas as pessoas podem ligar. Houve casos que tive de enviar para o INEM. Aparece-nos de tudo um pouco. Por isso, a avaliação tem de ser muito criteriosa e com muito cuidado”, referiu. “Hoje em dia já estou totalmente integrada, já não estou tão nervosa, já consigo desempenhar as minhas funções de forma mais tranquila e mais autónoma”, disse, acrescentando que existe sempre um supervisor a quem podem recorrer caso seja necessário uma avaliação ou tomada de decisão superior.

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Segundo a própria, a entrada de Mariana e de outros colegas no serviço veio colmatar uma falha grande no sistema de atendimento de chamadas. “Quando eu entrei havia 400 chamadas em espera, hoje em dia estamos com um tempo de atendimento que demora 30 segundos. Melhorou realmente bastante”.

A influenciadora portuguesa explicou à MAGG que tem horário até ao final e que depois a sua continuação neste serviço depende da necessidade de manter a sua função ativa. Assim, Mariana Machado trabalha num call-center com várias outras pessoas, com "horários normais", com folgas e com turnos de 6 ou 8 horas. “Temos os cuidados óbvios”, disse. “Desinfetamos o nosso local de trabalho, as esponjas para os auscultadores são nossas e mantemos a distância obrigatória”. Em casa, onde vive com o marido, segue o mesmo esquema. “Tenho um santuário à porta de casa. Deixo lá os sapatos, tiro a roupa ponho num cesto que está na entrada e desinfeto”.

A trabalhar várias horas por dia no call-center, a influenciadora digital admitiu à MAGG que não foi fácil conciliar este trabalho com o das redes sociais: “A primeira semana foi muito complicada, quase não estava a publicar nada [no Instagram] porque foi mesmo um período de adaptação”. Agora, vários dias depois, explica que tenta aproveitar as folgas para criar conteúdo que depois pode ir publicando ao longo da semana, enquanto trabalha na linha de saúde 24.

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