Tomás Taborda partilhou recentemente um testemunho marcante sobre episódios de discriminação, violência verbal e ameaças físicas de que tem sido alvo ao longo da vida, devido à sua orientação sexual e expressão de género.

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Segundo o jovem, as situações de preconceito e discriminação começaram muito antes de se assumir. "Antes sequer de eu me identificar com o que quer que fosse já era chamado de mil e uma coisas quando era mais novo. Sempre em tom negativo e pejorativo. Usavam gay como insulto. E muitas vezes não era só dos meus colegas, lembro-me de auxiliares me questionarem porque é que eu queria brincar com bonecas, ou seja, quase que haver uma pressão 'oh Tomás, os teus amigos estão ali a jogar futebol, vai jogar com eles'", começou por dizer.

Tomás Taborda descreveu a adolescência como um período exigente, e maioritariamente marcado por uma constante tentativa de se adaptar para evitar críticas dos outros. "Lembro-me perfeitamente que aos meus 16 anos tinha duas formas de agir: uma forma de agir com os meus amigos mais próximos e com os meus pais e outra que ia mais ao encontro daquilo que eu via os meus colegas rapazes agir em sociedade. Eu adaptava-me e tentava silenciar algumas coisas em mim para ir mais ao encontro que era a 'norma'."

Segundo o jovem, a pandemia em 2020 acabou por ser um "ponto de viragem" no seu processo de autoconhecimento, depois de anos a sentir que "estava a policiar o que fazia".

Durante a entrevista à Antena 3, o ator revelou ainda outro episódio vivido numa casa de banho pública, após uma festa. "Estava numa festa e um senhor mais velho, e eu estava até com um amigo meu que também é ator, tínhamos ido à casa de banho e eu estava com um top e esse senhor disse-me, 'estás na casa de banho errada, este não é o teu sítio com esse top'", revelou, contanto que a situação foi agravando. "Pronto, depois foi escalando, escalando, escalando e dizendo coisas mesmo muito graves."

Tomás Taborda assumiu que não foi apenas um caso isolado e relatou outro episódio que ocorreu na rua. "Na rua foi um rapaz, enquanto eu estava a sair à noite, eu passei também com as minhas amigas, estava com um top, e também me chamou uma data de nomes. Sempre ligado à homossexualidade, ou seja, tudo o que é pejorativo ou o que na cabeça deles é, são palavras como se gay fosse um insulto, para muitas pessoas ser gay é um insulto ainda. Era isso que ele me estava a chamar, entre outras coisas, mas aí ia partindo mesmo para uma agressão física."

O ator falou ainda sobre o impacto a níveis psicológicos que estas experiências têm, assumindo que durante algum tempo sentiu a necessidade de pedir desculpa por existir.

"Eu não tenho que pedir desculpa por ser eu e por usar aquilo que me apetece, eu não tenho que pedir desculpa por ter a expressão que é a minha expressão, eu não tenho que pedir desculpa por isso. E todas estas construções que nós desenvolvemos de crescermos com uma identidade, ou antes de termos uma identidade, termos uma personagem, essa minha personagem também era sempre baseada no desculpa, desculpa por estar aqui sentado, desculpa por estar a falar, desculpa por estar a usar esta roupa, desculpa por me expressar desta forma, desculpa, não te queria deixar desconfortável."

O testemunho do jovem terminou com uma reflexão sobre a liberdade e respeito pelo o próximo. "Mas é sobre essa pessoa ou é sobre mim também? E quando é que é o meu momento de viver? Quando é que é o meu momento de eu poder usar o que me apetece? Se eu vou estar sempre a pensar no desconforto do outro, sendo que eu estou só a ser eu próprio e eu não estou a invadir a liberdade individual de ninguém. A pessoa é que está a invadir a minha liberdade por achar que está no direito de fazer comentários em relação àquilo que eu sou e em relação à forma como eu me visto e como eu me expresso."