Dezembro tem por hábito ser sinónimo de encontros, celebrações, brindes e inúmeros exageros à mesa. Terminadas as festas, é tempo de repensar nos hábitos e promover mais equilíbrio no que à saúde com o fenómeno “Dry January” (janeiro seco, em português).
Promovida no Reino Unido desde 2013, o “Dry January” é uma resolução cada vez mais comum, incluindo em Portugal, que tem como objetivo cortar na ingestão de bebidas alcoólicas durante o primeiro mês do ano.
No entanto, não significa que idas a bares ou refeições fora de casa tenham de ser banidas da agenda. Por isso, temos oito restaurantes que apostam em propostas sem álcool, desde mocktails de assinatura a pairings não alcoólicos com estrela Michelin.
William Restaurant
William tornou-se, há precisamente um ano, o primeiro restaurante da Madeira a lançar uma carta não alcoólica, inspirada em práticas sustentáveis e na filosofia de redução do desperdício alimentar. A proposta do William aposta em bebidas únicas feitas a partir de ingredientes reaproveitados entre os vários restaurantes do Reid’s Palace, tal como a batata-doce, a melancia e o soro de leite.
Com um custo de 45€ por pessoa, o pairing não alcoólico deste restaurante detentor de uma estrela Michelin inclui criações como kombucha personalizada, kwass sem álcool feito de pão reaproveitado e bebidas lacto-fermentadas que resgatam a essência dos ingredientes locais.
Cada bebida, lê-se em comunicado, é cuidadosamente desenvolvida para complementar os pratos do William Restaurant, resultando numa aposta que enriquece não só a experiência gastronómica, como também promove saúde e bem-estar, oferecendo experiências inclusivas e permitindo que todos os clientes desfrutem de refeições únicas.
Xtian
Situado em Melides, a estética de Christian Louboutin, aplicada em cada detalhe do Vermelho, já é por si só uma razão para sair de casa. Mas há muito mais para descobrir neste boutique hotel da Relais & Châteaux, tais como a gastronomia do restaurante Xtian, que combina produtos locais, receitas portuguesas e alguma imaginação à mistura.
A carta de bebidas não alcoólicas conta com mocktails, dos quais se destacam três: Framboesa Alecrim, uma bebida à base de framboesa, limão e xarope de açúcar de alecrim; Ananás Menta, com ananás, hortelã e água com gás; e Marrakesh breeze tea, com menta de Marraquexe, xarope de açúcar de alecrim e lima.
Além de bebidas feitas através de fruta, o menu conta com opções para todos os gostos, desde arroz de perdiz e linguiça de porco preto (72€) até bife do lombo (36€).
Rocco
No Rocco, o Dry January promete não ser um sacrifício, mas uma celebração do sabor, da companhia e da arte da mixologia. O estabelecimento tem uma seleção exclusiva de mocktails, que prometem preservar os melhores sabores e a sofisticação dos originais, tudo sem álcool.
Na carta de bebidas, destacam-se os clássicos cocktails sem álcool como o Negroni 0% (10€) um ícone da coquetelaria italiana, com mais de um século de história, o Fake Bellini (9€), o Virgin Bloody Mary (10€), o Paloma 0% (10€) e o Virgin Mojito (10€).
MAPA
No MAPA, o Dry January promete ser vivido como uma experiência de descoberta e prazer, e nunca como renúncia. Num ambiente sereno entre vinhas, o MAPA prova que beber menos pode significar saborear ainda mais.
O menu de degustação, segundo comunicado, apresenta bebidas não alcoólicas pensadas prato a prato, mantendo intacta a sofisticação de um jantar fino. Sob a direção do chef executivo David Jesus, e com curadoria do sommelier João Pedro Reis, estas harmonizações seguem a mesma lógica de uma carta de vinhos: equilíbrio, acidez e textura.
Infusões frias, kombuchas, sodas artesanais e mocktails botânicos acompanham cada momento do menu (155€), realçando sabores e criando contrastes subtis. Da Ostra da Ria Formosa servida com Soda de gengibre, pera e erva-príncipe, ao Carabineiro do Algarve harmonizado com mocktail de Maçã verde e manjericão, passando pelo Salmonete de Setúbal servido com uma Infusão de hibisco, gengibre e soda, cada pairing é desenhado para dialogar com o prato.
Gandaia Club
O Gandaia Club foi um dos locais mais cobiçados de Lisboa (que atire a primeira pedra quem já não o viu a passar no feed). Assim sendo, promete continuar a sê-lo no ano que agora arranca, com o seu formato dois em um: em cima, funciona um rooftop com uma vista de cortar a respiração para a capitaç, e em baixo, um restaurante com comida de conforto.
A carta apresenta muitos pratos à base de proteínas e vegetais cozinhados no fogo. Conta também com receitas que já se tornaram famosas, como o Frango frito com dip de coentros (14€) ou a Couve-coração grelhada com caldo de amêndoas e citrinos (14€). Para acompanhar, existem dois mocktails de assinatura, sem álcool, a partir de 3€: o TNTonic, uma piscadela ao clássico gin tónico, e o Fake News, com Spritz de toranja e manjericão.
Blind
Distinguido com uma estrela Michelin em 2025, o Blind cada jantar é uma experiência única. Conduzido pelo chef Vitor Matos, lado a lado com o chef residente Stéphane Costa, o projeto de fine dining do Torel Palace Porto convida todos os clientes a serem surpreendidos no momento do jantar, altura em que é desvendada a proposta gastronómica.
Além das duas possibilidades de harmonização vínica para os menus de 12 e 15 momentos, o estabelecimento, em comunicado, sugere ainda uma opção não alcoólica, desenhada em função dos diferentes pratos e ingredientes da estação (seis bebidas a 50€ por pessoa).
Também aqui, o efeito de surpresa mantêm-se, sendo que não faltarão mocktails criativos, que aconchegam a refeição, além de uma infusão Soalheiro de hortelã-chocolate servida no final do jantar. Para um acompanhamento mais simples, mas não deixando único, todos os clientes poderão optar pelo pairing de águas disponível, que contempla exemplares de vários cantos do mundo.
Mirsal
Sabores atlânticos com inspirações árabes. Assim se define o Mirsal, restaurante do Palácio de Tavira, inaugurado no verão passado, onde o chef Fábio Domingues, nascido e criado no Algarve, apresenta uma carta sólida, feita à base de produtos locais.
Entre as especialidades há Polvo grelhado, húmus de feijão branco e vinagrete de alcaparras (13€) ou da Corvina com arroz de enchidos, couves grelhadas e pickles de cebola roxa (23€), que podem ser combinados com algumas bebidas não alcoólicas (todas a 10€), como o Apple Ginger Fizz, o Mojito 0.0 ou a Piña Colada, confecionadas no Bar da Lua, contíguo ao Mirsal.
Casa da Calçada
Detalhe, talento e exuberância são alguns dos ingredientes que caracterizam a proposta do Largo do Paço, restaurante conduzido pelo chef Francisco Quintas. E porque a vontade de criar algo único é algo transversal a toda a proposta gastronómica, também no pairing de bebidas não alcoólicas há bons motivos para se ser surpreendido: entre as várias opções de mocktails refrescantes, encontramos combinações de Manjericão e Lima, Baunilha e Maracujá ou ainda Bivalves e Citrinos. Há também vinhos isentos de álcool, como Fabelhaft, um Riesling alemão ou ainda o Original da José Maria da Fonseca, duas opções sugeridas por João Dória, sommelier do restaurante.
A harmonização tem um valor de 55 € no caso do menu de 13 momentos, ou mais 10 € se complementar a proposta de 15 momentos.