Estávamos em 2014 quando começaram a surgir os primeiros indícios de que Terry Jones não estava bem. Michael Palin, e os restantes membros do grupo (John Cleese, Terry Gilliam e Eric Idle) repararam que era cada vez mais frequente o colega esquecer-se das falas durante as gravações. "O Terry era muito bom a lembrar-se das falas, mas neste momento estava com problemas graves e, ao final, já precisava de usar um teleponto quando nunca precisou. Foi aí que percebi de alguma coisa mais grave do que apenas perdas de memória o estavam a afetar", terá dito Michael Palin ao jornal britânico "The Guardian".

Jones fez (e passou) os testes necessários para despiste de doenças como Alzheimer, mas a capacidade de falar ia-se deteriorando. "Ele dizia cada vez menos coisas ao jantar. Ele, uma pessoa que adorava começar conversar e estar nelas durante muito tempo", recorda a filha ao mesmo jornal. Seguiram-se mais testes até que, em setembro de 2015, o artista foi diagnosticado com uma forma de demência rara que afetava a parte frontal e lateral do cérebro. À medida que as células foram morrendo, Terry Jones foi perdendo a capacidade de comunicar e o seu comportamento foi-se tornando errático.

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Quase cinco anos após o diagnóstico, Terry Jones morreu esta terça-feira, 21 de janeiro, pacificamente na sua casa junto à mulher. A notícia foi avançada em comunicado oficial pelo agente do comediante de 77 anos. "Estamos profundamente tristes por termos de anunciar a morte do nosso amado marido e pai, Terry Jones depois de uma longa, muito corajosa, mas sempre bem humorada batalha contra uma forma de demência rara", lê-se no comunicado.

Considerado um dos membros mais carismáticos do grupo, a notícia da sua morte foi recebida com pesar pelos seus companheiros. Na sua página oficial de Twitter, John Cleese lamentou a morte do amigo.

"Acabei de saber das notícias sobre o Terry Jones. É estranho que um homem de tantos talentos e de um entusiasmo interminável tenha desaparecido de forma tão gentil. Dos seus vários feitos, o maior presente que nos deu foi ter realizado 'A Vida de Brian'", lê-se.

Para recordar a vida e legado de Terry Jones, a MAGG reuniu algumas das histórias mais caricatas protagonizadas pelo grupo humorístico Monty Python — que chegou a processar a ABC depois de o canal ter transmitido uma versão editada dos episódios da série.

1. O ódio entre os membros do grupo que nunca chegou a existir

É uma das teses mais repetidas de sempre quando o assunto é Monty Python. Não se sabe exatamente como é que o rumor surgiu, mas a verdade é que permaneceu entre fãs e imprensa. Foi a revista "Entertainment Weekly", aliás, que em 2014 pediu a cada membro que revelasse quem mais os irritava do grupo — e isso foi o suficiente ganhasse ainda mais força.

John Cleese, co-fundador do grupo humorístico, revelou que era Terry Gilliam quem mais o irritava. Segundo conta, este achava-se menos engraçado do que os outros e, por isso, falava demasiado com a imprensa sobre os assuntos do grupo. "Não me lembro de alguma vez ter concordado com alguma coisa que ele tenha dito nos 40 anos em que nos conhecemos", adiantou.

À mesma publicação, John Cleese revelou que quem mais o irritava era precisamente Gilliam. "Era mais do que uma irritação. Sempre que fazíamos um sketch, eu olhava para o John e sabia de imediato que ele queria que eu me fosse embora para que ele pudesse fazer o papel dele em condições."

No entanto, tudo isto não passou de uma brincadeira para entreter os meios de comunicação. É que em meados de 2015, quando os Monthy Python se apresentaram no Festival de Cinema de Tribeca, nos Estados Unidos, todos eles foram questionados sobre os rumores de que se odiavam. E todos desvalorizaram, dizendo que foi a imprensa quem tentou causar problemas junto do grupo estando sempre à procura da próxima polémica. Terão havido divergências em questões de material e caminhos artísticos, mas no final de cada dia de trabalho todos eram amigos.

2. Há ódio, sim, dos membros sobreviventes do grupo à imprensa britânica

Com a propagação de rumores e de notícias falsas que davam conta que os membros do grupo humorístico se odiavam, os artistas foram criando anticorpos à imprensa e, em especial, à imprensa britânica. John Cleese, por exemplo, já veio várias vezes a público falar sobre o seu desdém por tabloides como o "Daily Mail".

"Acho que coisas como o 'Daily Mal', que é o meu ódio de estimação, funcionam ao tentar deixar as pessoas ainda mais ansiosas e ligeiramente deprimidas porque é assim que vendem mais cópias"

Eles não querem que as pessoas sejam felizes e nós fizemos muitas pessoas felizes", e terá sido esse o motivo que leva John Cleese a crer que o tabloide britânico deu palco a muitos dos rumores que iam surgindo.

3. Os Monty Python processaram a ABC por estrearem episódios alterados

Aconteceu em meados de 1975, quando os Monty Python descobriram que o canal americano ABC tinha transmitido três episódios de meia-hora da série do grupo com uma diferença: o facto de terem cortado 23 minutos para os tornar mais adequados ao espectador americano.

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Nesta altura, o grupo tinha um contrato assinado com a BBC, no Reino Unido, que limitava quaisquer cortes ou alterações nos episódios. E ainda que a cláusula fosse viável em qualquer país, a ABC ignorou.

No final, os Monthy Python venceram o caso em tribunal num processo que demorou menos de um mês a ser julgado.

4. Graham Chapman diz que a rainha~mãe o aconselhou a trocar a medicina pelo entretenimento

Antes de ficar conhecido como um dos rostos dos Monty Python, Graham Chapman (que morreu em 1989) preparava-se para seguir o curso de medicina para um dia vir a ser médico. No entanto, quando ele e John Cleese, que estava ligado à advocacia, decidiram participar no coletivo de comédia Cambridge Circus, Chapman hesitou, exatamente por ter o sonho de se tornar médico.

No entanto, e tal como escreveu na sua autobiografia fictícia (o que já de si levanta muitas dúvidas sobre a veracidade desta história), terá sido a rainha-mãe a aconselhá-lo a escolher a área de entretenimento durante uma sessão de chá. "Tens de viajar", terá dito a Graham Chapma. E o resto é o que se sabe.

5. Como surgiu o nome Monty Python

Segundo as informações que Michael Palin foi revelando ao longo dos anos, o nome do grupo surgiu de forma completamente aleatória numa altura em que a BBC precisava de promover a série. E embora o canal britânico gostasse de nomes que descreviam exatamente que tipo de conteúdo se tratava, os humoristas não queriam estar associados a quaisquer rótulos porque não sabiam exatamente que tipo de programas iam fazer.

O nome Python foi sugerido primeiro em conversa até que Eric Idle juntou Monthy e todos adoraram porque não fazia qualquer tipo de sentido. Já a BBC não gostou da ideia, mas acabou por aceitar.

6. Os membros sobreviventes recusam-se a reunir a menos que todos concordem

Quando o grupo se separou, todos os membros acordaram que não voltariam a reunir-se para espetáculos se não estivessem todos de acordo. E a verdade é que, ao longo dos anos, os rumores de que novas tours poderiam estar a caminho foram várias vezes postos de lado pelo desinteresse ou pouca disponibilidade de alguns membros do grupo.

Eric Idle, no entanto, foi contra esta ideia e reinventou sozinho o filme "Monty Python e o Cálice Sagrado" para um espetáculo da Broadway. Contra todas as probabilidades, a peça foi um sucesso e "Spamalot", o nome original da adaptação, recebeu os elogios da crítica.

Apesar disso, a adaptação também foi bem recebida pelos restantes membros do grupo que tiveram conhecimento da adaptação depois de Idle lhes mostrar o guião. "Se correr mal, podem simplesmente culpar-me a mim e só a mim", terá dito na altura.

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