Para cada hora de trabalho, há um momento em que o nosso cérebro pede descanso nem que seja à frente de um ecrã a ver conteúdo giro ou surpreendente, que nos faça rir ou chorar. Olhando para os catálogos dos serviços de streaming ou para os cartazes das salas de cinema em Portugal, não há dúvidas: há cada cada vez mais coisas para ver e nem sempre temos disponibilidade para nos dedicarmos de forma imediata a tudo o que vai sendo lançado.

A pensar nisso, todas as sextas-feiras a MAGG traz-lhe uma nova rubrica chamada "Os filmes e séries que vimos esta semana", com o objetivo de lhe dar a conhecer algumas das produções que mais nos entusiasmaram (ou que mais amámos odiar).

E vale tudo: filmes ou séries, das mais antigas às mais recentes, das mais aclamadas às mais achincalhadas. A ideia é que possa fazer a sua seleção com base naqueles que passam o dia a em frente ao ecrã. E que, neste caso, são os jornalistas da MAGG.

Mostramos-lhe as 7 séries e filmes que vimos esta semana.

1. "Jojo Rabbit", Cinemas (Fábio Martins)

Agora que já terminou esta azáfama dos Óscares, lamento informar que "Jojo Rabbit" não surpreendeu. Apesar de moderadamente bonito e fofinho, e de apresentar uma dicotomia interessante entre o fanatismo (após a exposição a uma retórica pobre e populista) e a desconstrução do fascismo pela cabeça de uma criança, tudo o resto é esquecível.

O filme é inconstante em ritmo, fraco em subtileza e tudo é meio tonto e forçado. Tanto o humor, que muitas vezes roça a repetição e se revela pouco eficiente, como a nomeação a Melhor Filme para os Óscares — mesmo numa categoria de nove.

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Até a interação entre as duas crianças, que deveria ser o ponto principal da história, revelou ser muito sem alma e, por isso, o ponto mais aborrecido. Scarlett Johansson foi Scarlett Johansson, na medida em que raramente desilude, mas aqui foi apenas ok. Já Sam Rockwell, que ultimamente tem estado muito bem em cinema e televisão, trouxe algum dinamismo à história e surpreendeu pela positiva.

No geral, "Jojo Rabbit" não é a nulidade que uns diziam ser, mas também não é brilhante. Apesar disso, continua a ser pouco inteligente que se diga (e escreva) que o filme menospreza os horrores do nazismo e da guerra. Se há coisa que a história nos ensinou, é que o humor e a sátira são a melhor arma para combater o mal.

Só é pena que aqui esse humor não passe do chavão "ser nazi é mau".

2. "Joker", Cinemas (Mariana Leão Costa)

Sim, eu sei. Devo ser a única pessoa à face da terra que gosta de filmes e que ainda não tinha visto este. E devo confessar que só o vi depois de ter a certeza de que Joaquin Phoenix tinha ganho não-sei-quantos-prémios como Melhor Ator por esta prestação. E na verdade, mereceu arrecadar tudo o que havia.

Vamos ao que interessa. É um filme bom, pesado, que toca em temas complexos e que não são assim tão comuns. A doença mental é um deles e é incrivelmente bem retratada pelo ator. Se é o melhor filme que já vi na vida? Diria que não. Mas a prestação de Phoenix vale muito, muito a pena.

Em conversa com o jornalista Fábio Martins, ele disse-me que a situação de Phoenix é um Leonardo DiCaprio em segunda edição. Vou explicar. O ator esteve não-sei-quantos-anos a fazer papéis dignos de Óscar e nunca foi reconhecido. Num filme em que até teve uma prestação assim-assim ("The Revenant"), ganha o Óscar.

Com Phoenix é igual: já teve dezenas de papéis incríveis e só agora ganhou num registo que nem é assim tão novo na sua carreira porque já o tinha feito em "You Were Never Really Here". Se é justo ter ganho em 2020 com este filme? Sim, claro. E, para mim, é só por isso que vale todo o burburinho infinito sobre o película.

Conclusão? É um filme bom, que todos devem ver pelo menos uma vez na vida. Nem que seja, lá está, para ver Phoenix e aquele riso que nos faz arrepiar a espinha.

3. "Sex Education", Netflix (Rafaela Simões)

Shame on me. Ao contrário de quase todas as pessoas que têm Netflix, eu ainda não tinha visto “Sex Education”, por uma simples razão: como não sabia o que me esperava, não podia ver ao lado de qualquer pessoa. E havia sempre pessoas. Até ao dia em que, com o sofá só para mim, decidi rumar até à primeira temporada e o resto aconteceu.

Foi a minha primeira vez com “Sex Education” e já lá vão sete episódios. Não é nada do que esperava e isto é muito positivo. Precisamente porque não é só sexo, não são só dramas de adolescentes e não há entusiasmo por aí à toa.

Há, sim, temas pertinentes que através da série ganham maior visibilidade, ajudando a descomplicar tabus. Serão os primeiros episódios os preliminares até à segunda temporada? Terei de continuar a assistir e não posso demorar. É que entretanto já foi confirmada mais uma temporada.

4. "Watchmen", HBO (Marta Gonçalves Miranda)

Depois de muita insistência por parte do Fábio Martins, decidi finalmente dar uma oportunidade a “Watchmen”, na HBO. O meu principal problema com esta série prendia-se com o facto de ser à base de super-heróis, uma temática que regra geral dispenso quando o assunto são plataformas de streaming.

E não é que o rapaz tinha razão para insistir comigo 345 vezes para lhe dar uma hipótese? Com uma narrativa interessante e envolvente, acabei o primeiro episódio com vontade de ver imediatamente o segundo. E o terceiro.

E já percebeu onde quero chegar. O elenco é de luxo, a realização exímia e não vou continuar porque há um quarto episódio para ver.

5. "Mulherzinhas" (Marta Gonçalves Miranda)

Acho que ainda não superei este filme. A história inspirada no livro autobiográfico de Louisa May Alcott é uma das obras que tenho mais presentes na minha infância — acho que uma pequena parte de mim sempre acreditou que Jo era a minha cara, não só porque amava escrever como também por ser a irmã com o feitio mais, bem, chamemos-lhe “particular”.

Depois de inúmeras adaptações para o cinema, só os zunzuns e os prémios à volta deste filme me deixaram sedenta de vontade de ver este filme — tinha demasiado medo de me desiludir, confesso. 

E não é que a adaptação é brilhante? Nem sequer Emma Watson — um ser humano excecional, mas uma péssima atriz — desilude. O trabalho de Greta Gerwig é maravilhoso, Saoirse Ronan está brilhante no papel de Jo e o único problema deste filme é ter apenas 2h15 de duração. Vale muito, muito a pena.

6. "The Pharmacist", Netflix (Ana Bernardino)

Entrei na Netflix (nota do editor: na Netflix da Marta Gonçalves Miranda) e este era daqueles documentários acabadinhos de chegar, em grande destaque na plataforma de streaming. Sem pesquisar ou refletir muito, carreguei play. E, pronto, assim começou um enorme binge watching, que culminou numa sessão de 3h35 colada à televisão. Shame on me, eu sei. Mas, calma. É que o que aqui se narra é absolutamente chocante.

Um farmacêutico começa a notar que cada vez mais jovens lhe chegam à farmácia com um ar anormalmente combalido. E trazem todos o mesmo: uma receitas para oxycontin, um analgésico semissintético opioide altamente viciante, e potencialmente mortífero, derivado da mesma planta que faz nascer a heroína.
No início dos anos 2000, este medicamento começou a ser comercializado pela indústria farmacêutica e prescrito pelos médicos como uma espécie de milagre para aliviar a dor.
Com isto, médicos transformam-se em traficantes de droga, camuflados pelo seu estatuto e pelo enquadramento legal daquela 'terapêutica'.
Ao final dos quatro episódios, ficamos a perceber como é que a indústria farmacêutica, em colaboração com médicos, criou um crise de heroína nos Estados Unidos.

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