A cerca de três meses do final do ano, a Netflix lançou um novo documentário no qual se alerta para os perigos das redes sociais. Chama-se "O Dilema das Redes Socias" e porque a ironia tem destas coisas, não demorou muito para que se tornasse num dos assuntos mais comentados da internet.

A surpresa poderia ter sido genuína se, até agora, o Facebook já não tivesse no seu currículo vários escândalos como o que envolveu a Cambridge Analytica — em que se descobriu que a empresa usou dados privados dos utilizadores da rede social para influenciar a campanha política de Donald Trump. Pouco tempo depois, os dados de milhares de utilizadores foram roubados e agora a plataforma está novamente debaixo de fogo devido à relutância em combater discurso de ódio ou a propagação de notícias falsas por altas figuras do governo americano.

Os perigos das redes sociais são amplamente conhecidos e, talvez por isso, este documentário não seja capaz de surpreender ninguém.

Mas isso não quer dizer que não seja eficaz, uma vez que parte dos testemunhos de alguns dos principais protagonistas do universo tecnológico para nos explicar, com conhecimento de causa, os horrores do monstro que fomos alimentando.

Criado e realizado por Jeff Orlowski, "O Dilema das Redes Sociais" conta com testemunhos de vários engenheiros informáticos e figuras ligadas às gigantes Google, Facebook e Pinterest. E ainda que todos eles sejam rápidos a explicar de que forma é que a monetização dos dados pessoais dos utilizadores destas plataformas é problemática, também é verdade que todos têm dúvidas sobre qual deve ser o caminho a seguir.

E no que toca à difusão de notícias falsas? A dificuldade no combate, diz um dos convidados ouvidos para o documentário, assenta na ideia de que a verdade incomoda. Nesse sentido, as notícias falsas tornam-se rentáveis para agências de publicidade que ganham dinheiro consoante o aumento do alcance de uma informação não confirmada.

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O Brasil é um dos exemplos mais citados ao longo do documentário, que nos força a não esquecer que foi lá que um presidente foi eleito quase através do WhatsApp — muitas vezes com recurso a informação assumidamente duvidosa, falsa e enganadora.

No entanto, esta realidade não é nova. A particularidade, à falta de melhor termo, deste documentário é o facto de mostrar a um público amplo — a vantagem da Netflix continua a ser a disponibilização de conteúdo para vários mercados — a visão daqueles que, cada um à sua maneira, ajudaram a alimentar a máquina que hoje todos utilizamos diariamente.

O objetivo destes convidados? Consciencializar para que, no presente, e não num futuro longínquo, sejam implementadas novas leis para regular o uso da internet e proteger quem a utiliza.

"O Dilema das Redes Sociais", um documentário de cerca de uma hora e 34 minutos, está disponível na Netflix e surge numa altura em que são várias as plataformas debaixo de olho devido à proximidade das eleições presidenciais nos EUA, no final do ano.

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