Quando Sherlock Holmes decide trocar o campo pela vida cosmopolita de Londres, onde ganharia reconhecimento como um astuto e importante investigador privado, há uma pessoa que decide deixar para trás. Falamos de Elma Holmes, a sua irmã, que se vê obrigada a crescer sem o irmão e sem notícias suas durante longos períodos de tempo.

É este período conturbado que o novo filme da Netflix tenta idealizar. Chama-se “Enola Holmes” e é uma adaptação direta da saga “The Enola Holmes Mysteries” de Nancy Springer — que idealiza a adolescência da jovem, no filme interpretada por Millie Bobby Brown (de “Stranger Things”) à medida que se vai apercebendo do sucesso do seu irmão em Londres.

Ao ler-se o nome da jovem de trás para a frente, a palavra que se forma é “alone” que, em português, significa “sozinha”. Este é um detalhe especialmente importante nesta história. É que, quando Sherlock Holmes (interpretado por Henry Cavill) decide mudar-se para Londres, essa decisão é acompanhada pela recusa em visitar ou escrever à família. O único contacto que a irmã tem com ele, portanto, é à distância — através da coleção de peças de jornais sobre os feitos do detetive em Londres.

Mas ao contrário da mulher vitoriana do século XIX, Enola Holmes não tem uma personalidade recatada. Na verdade, pratica jiu-jitsu, joga ténis e o ponto alto do seu dia passa por fazer experiências científicas em laboratório. E se isso envolver pequenas explosões, melhor. Tudo características que herdou da mãe, Eudoria Holmes, aqui interpretada por Helena Bonham Carter.

Quando a mãe desaparece de forma misteriosa, Sherlock Holmes e Mycroft Holmes, o irmão mais velho, são obrigados a regressar a casa. De repente, o choque quando se apercebem de que a irmã não teve uma educação tradicional. Mycroft, inconformado com a ideia de que Enola não tenha sido educada para ser uma senhora,  decide inscrevê-la numa escolha de alto prestígio. Esta, claro, foge.

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No fundo, “Enola Holmes” é uma história de descoberta pessoal em que a protagonista, uma feminista assumida por influência da própria mãe, se recusa a corresponder aos estereótipos sociais da época vitoriana. 

O melhor de tudo? É que o filme é realizado por Harry Badbeer, o mesmo que conduziu vários episódios de “Fleabag”, o que significa que há vários momentos em que Millie Bobby Brown quebra a quarta parede da ação e fala diretamente para a câmara, como que a explicar exatamente aquilo que está a sentir. Nós só temos de a ouvir.

“Elma Holmes” estreou-se esta quarta-feira, 23 de setembro, no catálogo da Netflix.

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