São os óculos de sol pouco discretos e o habitual casaco de vinil que permitem a Margarida Vila-Nova transformar-se em Vera, filha do responsável da casa de alterne mais famosa de Lisboa e que serve como o centro da ação de "O Clube". Falamos da nova grande série portuguesa, com argumento assinado por João Matos, que se estreou esta sexta-feira, 18 de dezembro, na OPTO SIC. Ainda que a narrativa seja passada na noite de Lisboa, a atriz diz, em entrevista à MAGG, que se trata de uma série muito transversal na medida em que toca em temáticas muito diversas — como o tráfico humano, a corrupção ou o sexo.

"São temas que estão na ordem do dia e que muitas vezes não são falados, ora porque são proibidos ou porque há um lado clandestino, promíscuo e até negro que lhes está associado. O facto de não falarmos sobre eles, no entanto, não significa que eles não existam", começa por dizer Vila-Nova. É por isso que considera importante a existência de "O Clube" enquanto produto de ficção, por ser capaz de dar "corpo e voz a estas mulheres e aos seus dramas pessoais".

A diferença, explica, está no facto de a série fazer essa representação sem qualquer agenda associada. "É uma série completamente amoral na medida em que não pretende fazer quaisquer julgamentos sobre os homens que frequentam estes espaços e que procuram as mulheres que, de facto, os compõem."

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Especificamente sobre a personagem a que dá vida, Vera, Margarida Vila-Nova descreve-a como uma mulher que sempre "cresceu neste ambiente" e que não se deixa "melindrar por uma voz mais alta". "O pai de Vera é o dono d'O Clube [assim que chama o espaço noturno que dá nome à série] e ela foi crescendo naquele ambiente, estando constantemente rodeada por aqueles homens e aquelas mulheres que fazem parte do negócio. Cresceu no lado negro da da noite marcado pelo tráfico de droga, pela prostituição e, por isso, aquele espaço também é dela", refere.

É também por ter muita dedicação ao espaço que pretende herdar do pai que a levam "a ter muito orgulho n'O Clube e a querer fazer de tudo para que aquele negócio, que lhe pertence, sobreviva". Para isso, diz a atriz, "Vera não se coíbe de jogar algumas cartadas que podem ser consideradas menos politicamente corretas para atingir um determinado fim" — reforçando-a como uma personagem "ambiciosa e fria, mas também muito distante porque escolheu viver sozinha". 

E ainda que já some vários anos de carreira, não tem dúvidas de que terá sido Vera a personagem que mais a obrigou a sair da sua zona de conforto — muito devido à composição marcada da figura a quem dá vida. "É uma personagem que marca o espectador pelas pequenas coisas: pela forma como fala, age, anda ou se veste. Olhando para o argumento, foi daquelas que levei para muito longe da forma como estava escrito e isso, claro, representa sempre um risco".

Mas só assim é que fazia sentido, garante.

A realização de uma mulher e a estética de "O Clube"

Além de um elenco composto maioritariamente por mulheres — como Vera Kolodzig, Sara Matos, Luana Piovani, Filipa Areosa, Carolina Torres, Margarida Vila-Nova, Vera Moura e Sharam Diniz —, a realização está a cargo de Patrícia Sequeira que teve a responsabilidade de transportar, com sensualidade e muito néon, o argumento de João Matos para o ecrã.

créditos: Nash Does Work/OPTO SIC

"Faço representação há muitos anos e a verdade é que estamos habituados a ver séries destas a serem filmadas, pensadas ou idealizadas por homens. O facto de esta contar com a realização de uma mulher, permite uma nova abordagem e um novo ponto de vista". O que, para Margarida Vila-Nova, é complementado com as prestações das atrizes principais que são "carismáticas e muito intensas" nesta história.

Mas embora a componente feminina se encontre bem vincada ao longo de todos os episódios — e no total serão dez —, a atriz considera que, nesta narrativa, uma determinada personagem não vive sem a outra. "A prostituição não existiria se não houvesse homens à procura de mulheres. A diferença está, parece-me, na abordagem que 'O Clube' faz às escolhas, às dúvidas, aos dilemas e às angústias destas mulheres. O sexo faz parte de todos os episódios, mas também ele pode ser tratado com gosto e elegância", diz.

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Escrita por João Lacerda Matos, "O Clube" estreou-se esta segunda-feira, 18 de dezembro, em exclusivo na OPTO SIC. O elenco é composto por Vera Kolodzig, Sara Matos, Luana Piovani, Filipa Areosa, Carolina Torres, Margarida Vila-Nova, Vera Moura, Sharam Diniz, Vitor Norte e José Raposo — e conta ainda com a estreia de Ljubomir Stanisic na representação.

A SIC já fez saber ter encomendado a produção de uma nova temporada, ainda sem data de estreia anunciada.

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