Há personagens que só vestem roupa e há outras que a usam como extensão da sua personalidade. Poppy Wright, a protagonista de "Pessoas que Conhecemos nas Férias", pertence claramente ao segundo grupo. No novo filme da Netflix, que é uma adaptação do bestseller homónimo de Emily Henry, o estilo da personagem interpretada por Emily Bader é uma ferramenta narrativa que acompanha, sublinha e amplifica tudo o que ela é.
O enredo incide sobre Poppy e Alex, dois melhores amigos que, ao longo de uma década, mantêm a tradição de viajar juntos todos os verões. Enquanto Alex é metódico, previsível e emocionalmente contido, Poppy é o seu contraponto absoluto, assumindo-se como expansiva, curiosa, impulsiva, sempre pronta a dizer “sim” a novas experiências. Essa energia vibrante reflete-se de forma imediata no seu guarda-roupa.
Este funciona quase como um diário visual das viagens, dos estados de espírito e das transformações internas da personagem e, por isso, vive num equilíbrio delicioso entre o vintage e o espontâneo. Há vestidos mini estampados, conjuntos em malha canelada, saias coloridas, tops bordados, macacões em tons quentes e peças com um claro ADN artesanal, que, estranhamente, não parecem excessivamente coordenadas.
Muitos dos looks parecem recolhidos ao longo do caminho, em lojas locais, mercados de rua ou pequenas boutiques de férias, reforçando essa ideia de um guarda-roupa vivido, muito mais assente em memórias do que em tendências. Aliás, mesmo nos momentos mais funcionais, Poppy recusa o óbvio, pelo que a sua versão de roupa de viagem, por exemplo, prova que conforto e estilo não são mutuamente exclusivos.
Por exemplo, um conjunto de malha neutro, combinado com uma tote de ráfia e acessórios dourados, é suficiente para passar de um voo longo diretamente para um jantar. Já num cenário de aventura, troca o típico outdoor wear por jardineiras em tom ferrugem e camadas leves, com um ar nostálgico que parece retirado de um álbum de fotografias antigas. A par disso, os acessórios são fundamentais nesta narrativa visual.
A personagem usa argolas, colares coloridos, lenços no cabelo, botas western, sandálias de plataforma, cintos estruturados ou até auscultadores oversized, detalhes que ajudam a compor a imagem de uma mulher que se diverte com a moda e a usa como extensão do seu estado emocional. Há referências subtis aos anos 70, à Riviera europeia, ao espírito boémio das viagens sem destino fechado e isso está a fazer a Internet apaixonar-se pela sua roupa.
Em ambiente de férias, Poppy também é prova de que menos pode ser mais. Sob um chapéu de sol às riscas, um look de silhueta simples e paleta tonal ganha uma qualidade quase cinematográfica, lembrando que o verdadeiro impacto do resortwear está muitas vezes na leveza, no movimento e na naturalidade. Já nas noites mais festivas, a personagem entrega-se por completo ao espírito do momento, com lantejoulas, brilho, perucas e dramatismo.
No contexto do filme, esta abordagem faz todo o sentido, uma vez que "Pessoas que Conhecemos nas Férias" é, acima de tudo, uma história sobre o tempo, sobre mudança e sobre as diferentes versões de nós próprios que coexistem ao longo dos anos. Se achar que a versão em que se encontra agora vai ao encontro do estilo da personagem a que Emily Bader, inspire-se nos looks da mesma.