O que está a acontecer com a moda não sabemos, apenas que o arrojo foi levado a um novo patamar: sapatilhas sujas, gastas, grafitadas e que parecem ter sido usadas mais de uma década, pelo menos. É assim a nova coleção da marca de luxo Balenciaga, denominada Paris Sneakers, que à semelhança de tudo o que a marca centenária lança, têm um preço elevado.

Estas sapatilhas, semelhantes às clássicas Converse, podem custar entre os 395€ e os 1.450€, dependendo do modelo, que varia entre um cano alto, esburacado e bastante gasto, e uma sapatilha menos "suja" e danificada de cano baixo e já sem calcanhar — que quase parece ter sido cortado por uma criança.

Paris Trainers Mule em vermelho
Paris Trainers Mule em vermelho créditos: balenciaga

Os Paris Sneakers são descritos pela marca como umas sapatilhas de "design clássico reformulado que interpreta o atletismo de meados do século e o desgaste casual atemporal em preto, branco ou vermelho, com sola e biqueira de borracha branca".

Dentro da coleção há uma edição limitada, que diz respeito aos modelos “extremamente gastos, marcados e sujos” que custam acima de mil euros e estão a gerar polémica. Desta edição há apenas 100 pares para vender.

Edição limitada: Paris High top totalmente destruídos em branco
Edição limitada: Paris High top totalmente destruídos em branco créditos: balenciaga

Mas porque é que umas sapatilhas que, aparentemente, já não estão próprias para usar têm um valor tão elevado? A marca explica que o objetivo é passar uma mensagem de sustentabilidade. "É uma campanha dedicada que mostra os sapatos extremamente gastos, marcados e sujos. Esses retratos de natureza morta, do fotógrafo Leopold Duchemin, sugerem que os Paris devem ser usados ​​por toda a vida", refere a Balenciaga na apresentação da nova coleção.

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Os Paris Sneakers, em especial a edição limitada altamente arrojada e dispendiosa, tem gerado polémica e são várias as pessoas que partilharam as suas opiniões nas redes sociais, quase sempre em jeito de crítica.

"Se o Cristobal Balenciaga estivesse vivo e visse isto, matar-se-ia", diz o influenciador Pelayo Díaz Zapico na publicação do site "The Business of Fashion", referindo-se ao fundador da casa de moda Balenciaga.

Por cá, Ana Garcia Martins (também conhecida como A Pipoca Mais Doce) tece uma longa crítica, com o sarcasmo que lhe é característico. "E, ah, e coiso, é moda, é arte, é super progressista, e disruptivo, e só pessoas com imeeeeensa sensibilidade é que percebem. Pronto, se calhar é isso, a mim falta-me toda a sensibilidade e, sobretudo, boa vontade para tentar sequer entender o conceito. Acho só estúpido e mais uma tentativa de as marcas mostrarem que podem fazer o que bem entenderem porque, em sendo caro e levando com a etiqueta do 'é arte', o consumidor papa tudo", pode ler-se.

Contudo, há quem aprecie da mensagem que a Balenciaga tenta passar. "Isto é uma campanha. No entanto, a mensagem é clara: comprar e guardar para sempre. O Demna [diretor criativo da marca] fará com que as pessoas que podem pagar artigos de luxo comprem ténis aparentemente 'pré-desgastados' por 1.450 euros. Ele está a virar completamente a essência do luxo de pernas para o ar. Irrita-me, mas é genial", diz outro comentário na publicação do site "The Business of Fashion".

Há também quem aproveite a oportunidade para fazer algum humor sobre a nova e controversa coleção da Balenciaga.

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