Atenção: o título tem uma razão de ser e não é porque decidimos passar os limites das boas maneiras. É o nome do novo vinho Que se foda, que já vai na quarta e última edição e desta vez lança um rosé. Aliás, mil garrafas de rosé e quando apenas restar uma, vai ser vendida a preço de ouro: 999 mil euros.

A nova edição resulta de mais um trabalho do artista plástico português Francisco Eduardo: a nova edição limitada chama-se "Que se foda toda a gente".

Francisco Eduardo, artista plástico português responsável pela marca Que se foda
Francisco Eduardo, artista plástico português responsável pela marca Que se foda créditos: instagram

No ano passado, a escolha daquela que foi a primeira edição teve um tema óbvio — "Que se foda 2020" — que surgiu com  o objetivo de animar as pessoas. "Quis assinalá-lo com um registo humorístico à altura, que significa tudo menos desistência. Pela resposta que tive, percebi que fez muito bem à saúde mental das pessoas, que fez descomprimir, relativizar e falar do preconceito da asneira. Foi um gesto bem educado da minha parte", brinca Francisco Eduardo em entrevista à MAGG. Seguiram-se os vinhos Que se foda dedicados ao universo vinícola, e à competição na segunda e terceira edição, respetivamente.

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Resta saber porque é que na quarta edição Francisco perdeu a paciência por completo com todos. "Para mandar foder toda a gente, com o sentido que eu queria passar, precisava de uma construção para que fosse bem entendido. Não falo de explicação, porque há coisas que só se explicam fazendo. Ora, os passos anteriores são essenciais para chegarmos a este último" que fala sobre inclusão, diz o artista plástico.

O Que se foda toda a gente é o último talvez porque já não haja mais para beber nas mensagens que quer passar. "[O projeto] foi assim desenhado e programado por mim, de forma a conseguir dizer várias coisas pelo caminho. E consegui", sublinha o artista plástico, ainda que não tenha já dito "que se foda" a tudo. "Talvez este projeto leve a outro no futuro, mas para já gosto da pintura como está".

No entanto, é como se nenhum dos quatro vinhos seja verdade, porque a marca não existe em Portugal. O registo não foi autorizado, mas em alternativa, Francisco Eduardo criou um site para proceder à venda dos vinhos cujo sucesso deve-se em grande parte à comunicação que descreve como "insólita" e que foi trabalhando ao envolver-se no mundo da publicidade após terminar o curso de Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Um vinho com notas de inclusividade

"A cores e livre de preconceitos" é o mote do vinho cujo rótulo se apresenta de forma minimalista, num fundo branco com o nome do vinho inscrito a preto, envolvido numa moldura com as cores LGBTI+. As cores combinam com o tom deste último vinho, rosé, mas têm um propósito mais forte para existir.

"As mensagens requerem sentido de oportunidade. Há mensagens, com letras ou só imagens, que quando expressas hoje dizem uma coisa diferente do que diziam ontem. Hoje a atitude 'Que se foda' tem de ser de inclusão", refere Francisco Eduardo, que quer combater a falta de tolerância e fomentar o respeito de todos por todos. "É a garrafa ideal e a mais bonita para representar tudo e todos. É um degrau que temos de acabar de construir. Colocar verniz e glitter no fim para que não se desfaça", citação que só podia pertencer a um artista plástico.

Num look com ou sem glitter ou mesmo de pijama, só é preciso um copo para degustar o vinho que é bom por si só, pela arte e por aquilo que quer transmitir. "Este rosé vem da minha cabeça. No entanto, para o fazer, decidi comprar garrafas com uvas da Quinta das Minas, de Fafe", diz Francisco à MAGG.

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Depois do tinto, do branco e do verde, está agora à vista (e pronto a provar) o novo rosé, à venda no site Que se foda a partir desta quinta-feira, 19 de agosto. Serão vendidas mil garrafas a 15€ por unidade e a última do lote terá um custo de 999 mil. O que é que faz com que uma só garrafa custe 999 mil euros? "Marketing", diz o artista plástico, e também o facto de estar assinada pelo mesmo.

Já não é possível comprar apenas uma unidade de vinho, tal como indicado no site de forma divertida. "Não há caixas de uma unidade. Leve duas" ou como "duas não vão chegar para toda a gente, compre um porradão delas". Duas garrafas Que se foda toda a gente custam 28€ e seis custam 70€ — ambas estão em promoção.

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