Ok, a partir de agora vou ser sustentável. Vou deitar fora todos os tupperwares de plástico, a minha escova de dentes e os frascos de champô ainda por abrir. O melhor mesmo é ir já comprar saquinhos de pano para a fruta, palhinhas de bambu para a família toda e um termo feito de alumínio para levar o almoço para o trabalho.

Pessoal, calma, respirem fundo, sentem-se e parem um bocadinho. Então se a ideia é ser sustentável, reduzir a pegada ecológica, ver o mar mais azul, as árvores mais verdes e os peixes sem plástico nos estômagos, vamos agora desatar a comprar coisas desenfreadamente?

Estes já foram frascos de tudo e mais alguma coisa. Apenas pintei as tampas de preto e reescrevo o nome sempre que mudo de produto

Eu percebo. É como quando decidimos inscrever-nos no ginásio e imediatamente pensamos em entrar na primeira SportZone que encontrarmos para comprar a toalha que seca mais rápido, os ténis que viram a influenciadora promover, a leggin que dá com a fita do cabelo e todos os suplementos da Prozis, porque toda a gente sabe que depois de uma aula de Body Pump o corpo já precisa de uma dose de whey e BCAA.

É que isto da sustentabilidade é uma moda como outra qualquer. Ou acham que é por amor ao planeta que agora todas as marcas lançam a linha green-feita-de-plástico-do-oceano-olha-eu-tão-ecológico? Isto é um negócio e, como em qualquer negócio, há que saber gerir as necessidades versus aquilo que nos tentam impingir em mensagens subliminares.

Se querem ir às compras, podem muito bem usar os sacos plásticos que tenho em casa vezes sem fim. E se querem passar a usar uma escova de dentes de bambu, muito bem. Mas antes há que gastar a que tem, assim como a pasta de dentes, o gel de banho e o creme hidratante embalados em plástico. E se forem como eu, ainda cortam a embalagem a meio com uma tesoura para aproveitar aquele restinho que fica, num misto de zero waste com orçamentos apertados.

Plástico. Temos muito a aprender uns com os outros
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Se querem levar comida para o trabalho, ótimo. Mas use os tupperwares que tem em casa. Se já os tem, porquê deitá-los fora e gastar dinheiro nuns de bambu, alumínio ou cera de abelha? Outra dica, espreite os armários do seu local de trabalho. Por lá coabitam seguramente uma boa dezena de recipientes de plástico esquecidos por quem não tem uma mãe que reclama constantemente: "Depois queres comida e onde a levas?".

Se querem reciclar, perfeito. Mas não precisam de comprar um ecoponto caseiro que custa os olhos da cara e ocupa metade da cozinha. Um saco de papel para o papel, um de plástico para o plástico. Simples e com inúmeras reutilizações possíveis. O vidro, como é mais raro a não ser que deem um jantar em casa que envolva vinho e cerveja, pode ser levado num qualquer saco até ao vidrão mais próximo.

Se fizer esta separação, vai ver que aquele caixote único no qual depositava todos os resíduos, vai ser agora o mais pequeno, até porque depois de descartar o plástico, o papel e o vidro, para lá só vão os restos de comida e o material que não é reciclável. Sabem o que uso para esse lixo? Um balde da praia (e sim, comprei. Não faço castelos na areia desde 1995).

Estes já foram frascos de tudo e mais alguma coisa. Apenas pintei as tampas de preto e reescrevo o nome sempre que mudo de produto

Quer ter uma despensa cheia de frasquinhos com sementes e farinhas como as que vêm no Pinterest? Incrível. Mas não comprem os frascos, reutilizem os que vêm com as compotas, as azeitonas, a polpa de tomate ou os pickles. Depois é só ter uma caneta que escreva em vidro para poder rotular, apagar e substituir sempre que o frasco servir para um novo produto.

Querem continuar a ter produtos de beleza sem embalagens e descartáveis? Espetacular. Para isso basta — depois de deixar acabar tudo o que tem em casa — comprar champô sólido e sabonete ou, melhor ainda, aprender a fazê-los em casa. E cortar tecidos antigos em círculos pequenos para usar como discos desmaquilhantes.

Sabem do que o ambiente precisa? De imaginação. De ver frascos de tomate transformados em recipientes para levar a sopa, de ver folhas de jornal a servir para apanhar cocó de cão, de ver discos desmaquilhantes feitos de lençóis antigos e de ver bicarbonato de sódio misturado com óleos essenciais para dar origem a champôs e géis de banho.

Saiam dos supermercados e até das lojas zero waste. Metam-se nos armários da cozinha, na despensa, no sótão. Nos vossos e no das vossas famílias e amigos. Há sempre alguém a dar frascos ou a deitar fora lençóis. E vocês — e o ambiente — agradecem.

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