Num dos brilhantes diálogos da fabulosa série italiana “Gomorra”, alguém dizia que depois da morte do Rei, há sempre alguém que nunca chora: o filho. Em Espanha, a monarquia “juancarlista” sempre teve elevados índices de popularidade, pela sobriedade institucional na transição da ditadura para a democracia e porque a “Hola” se tornou uma máquina de percepção positiva e simpatia daquela família.

Até que um dia, sucessivos escândalos de revistas sociais, caçadas e corrupção inverteram a boa imagem e a Casa Real teve de antecipar o futuro. Porém, houve sempre uma pessoa que manteve a sua linha condutora e permaneceu no coração daquele Estado povoado por diversas nações: a rainha Sofia. Um símbolo de estoicismo, de dignidade, de apagamento da sua “persona” face às exigências e obrigações do seu dever institucional.

O amanhã passava por Filipe e pela sua consorte. Uma ex-jornalista, sem sangue azul, sem pudor de recorrer a plásticas. O novo rei e Letizia tentaram rapidamente apagar os problemas do pai e das suas irmãs, retomando e recuperando a popularidade perdida. Contudo, nunca é bom estarem em jogo duas visões da mesma função e, mais cedo ou mais tarde, surgem as quezílias.

O incidente entre Sofia e Letizia marcou esse dualismo que persiste enquanto existirem dois reis. E apesar das coisas estarem aparentemente regularizadas, com uma foto para descansar os imensos painéis de debate de “revistas del corazón” que inundam as televisões espanholas, é evidente que Letizia, que representa a modernidade face à tradição, ainda não matou Sofia no coração dos espanhóis.

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