14 de abril de 2022. É a data que Sara Rodrigues, influenciadora digital de 31 anos, nunca esquecerá. Foi o dia em que lhe diagnosticaram oficialmente cancro da mama. Contudo, Sara soube muito antes disso.

"Descobri por palpação. Estava deitada no meu sofá, em finais de março, e senti uma dor e tirei o sutiã, porque achei que pudesse ter sido o aro do sutiã a magoar-me ou algo do género. Tirei o sutiã e continuou a doer-me. Até que decidi ir lá com a mão, na mama esquerda, e apalpar e senti um nódulo. Levantei-me, assustada, e pensei 'o que é que será?'. Fui à casa de banho, fiz a palpação normal. Levantei o braço e ficou mais saliente o nódulo, porque tenho um implante e o implante empurrou o nódulo para fora e via-se mais. E senti. Portanto, comecei a ficar preocupada", conta Sara Rodrigues à MAGG.

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Devido ao implante, ficou na dúvida se se trataria de algo relacionado com este ou se poderia ser algo mais grave. Decidiu marcar primeiramente uma consulta com o médico de implantologia. No entanto, por ser especialista em cirurgia estética, percebeu somente que algo não estava bem através de uma ecografia onde verificou um nódulo de 1,5 cm.

Encaminhou Sara para um médico de patologia mamária e a influenciadora digital, por recomendação de uma amiga, recorreu a um médico do hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, onde realizou mais uma ecografia.

"Foi assim que quase tive a confirmação. O médico disse que era preocupante, que nunca tinha visto nada assim, porque há casos em que conseguem dizer logo pelo aspeto se é benigno ou maligno, mas também há o erro humano do médico, que não conseguiu dizer com certeza absoluta. Portanto, pediu-me para não adiar mais tempo e fazer logo a biópsia nesse dia", lembra Sara.

Uma vez que tinha também uma dor na axila, zona onde o médico detetou um gânglio inflamado, na dúvida, Sara aceitou realizar a biópsia em ambos os locais, uma vez que, se desse positivo na mama, teria também de realizar na axila, alertou o especialista.

Passado uma semana, a confirmação oficial: cancro da mama triplo negativo grau 3. "Portanto, é dos tumores mais agressivos de cancro da mama, que são os mais comuns na minha idade, entre os 25 e os 35 anos", refere Sara Rodrigues, que soube três dias depois que tinha também metástases no gânglio da axila.

"A velha questão de quanto mais velho, mais agressivo o cancro, é um mito", afirmou o médico oncologista Daniel Romeira anteriormente à MAGG a propósito do caso da influenciadora. "Existem pessoas muito idosas com tumores menos agressivos e jovens com tumores mais agressivos, não está relacionado com a idade", continuou.

O especialista defende que no caso de mulheres com histórico familiar deve existir um rastreio mais recorrente, quase anual, desde os 18 anos, como era o caso de Sara, que já estava em alerta devido a outras situações familiares.

"Sendo jovem, fiz estudo de caso genético. Tenho casos de família com vários cancros. A minha mãe teve cancro da mama há três anos, a minha avó também teve", refere Sara. Contudo, o estudo deu negativo para a origem genética, desconhecendo-se então a causa do mesmo, que também não está relacionado com os implantes, sublinha a influenciadora.

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Apesar do tempo que passou entre a palpação e a confirmação oficial, Sara já sabia que algo não estava bem. "Há caras que não se esquecem. O médico não quis dizer, porque acho que as pessoas generalizam muito o cancro da mama e há vários tipos, e ele disse-me: 'Este aspeto é preocupante, mas dentro do mal pode ser uma coisa boa'. Porque há vários que são bons, menos invasivos e que os tratamentos são menos agressivos", conta.

E foi esse o seu caso. Dentro do mal, foi bom. "Entretanto entrei no IPO de Lisboa, que era o que eu mais queria, e fiz os exames todos à velocidade da luz. E tive a boa notícia de que era só localizado, ou seja, no sítio do tumor da mama nem sequer estava a afetar o tecido mamário", explica Sara.

Isto significa que o próprio processo de recuperação será mais simples. A operação será menos invasiva e Sara não terá de tirar toda a mama, como acontece com outras mulheres. Muitas das quais se identificaram com a influenciadora.

"Não preciso de uma coisa muito má para valorizar certas coisas"

Sara Rodrigues decidiu partilhar a sua história, ou a jornada que acaba de começar, a 7 de junho, através de uma publicação no Instagram. Conta já com mais de 20 mil gostos e incontáveis palavras de força nos mais de dois mil comentários. Podia não tê-lo feito, mas a influenciadora optou por contar o que estava a acontecer de modo a ser transparente e a manter alguma normalidade.

"De outra forma, não me sentiria bem. Porque o que mais me afeta a nível de cabeça é o facto de deixar de fazer a minha vida normal. E como não quero deixar de fazer a minha vida normal e não quero parecer uma coisa que não é real, porque vai chegar a uma altura desta fase em que iria explodir, acho que preferi antecipar-me, ser sincera e transparente", refere.

E não foi só Sara que se encheu de força com a publicação. Também outras utilizadoras do Instagram o sentiram. "Recebi muitos testemunhos de pessoas que estão a passar pelo mesmo e de alguma forma viram em mim alguma força, coragem. Porque há muitas que se isolam muito", lamenta.

Daqui em diante, Sara Rodrigues adianta que vai continuar a partilhar ambas as realidades: a doença pela qual está a passar e o trabalho como criadora de conteúdos digitais que já fazia anteriormente e que faz parte da sua vida "normal" que espera "continuar a ter energia para fazer".

Sara Rodrigues é jovem, tem apenas 31 anos, mas para si a doença não foi um despertar da consciência para a forma como vê ou leva a vida. Está a ser, acima de tudo, um processo de superação.

"Isto é o que estou a pensar neste momento: não preciso de uma coisa muito má para valorizar certas coisas. Já valorizava as pequenas coisas da vida. Não acho que estou a ver as coisas de outra forma, até porque não quero ser absorvida na totalidade por este problema. Ou seja, o que até me dá mais força é ver as pessoas a continuarem as suas vidas normais", refere.

Esta força resulta também de uma saúde mental em equilíbrio, reconhece Sara, pelo que até agora, e após a avaliação de uma psicóloga do IPO, não foi necessário recorrer a consultas de psicologia nesta fase, além de que tem um grande suporte da família e amigos.

"Se eu encontrar paz nos meus dias, fizer aquilo de que gosto e respeitar o meu corpo, acho que vou encontrar aqui um equilíbrio e, um dia de cada vez, conseguir ultrapassar isto de uma forma muito leve", termina Sara.

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