É um novo conceito de mobilidade e também de car sharing (partilha de veículos automóveis). Chega a Portugal em 2023 e tem uma premissa simples: por 500€ mensais, uma subscrição que pode ser cancelada a qualquer altura, uma vez que não há período de fidelização, pode ter um carro. Mais especificamente o modelo 01 da Lynk & Co, um SUV crossover compacto híbrido plug-in. 

O 01, o híbrido plug in da Lynk & Co
O 01, o híbrido plug in da Lynk & Co créditos: Lynk & Co

Depois de se estabelecer nos Países Baixos, Alemanha, Suécia, Dinamarca e Itália, a Lynk & Co chegou em 2021 a Espanha, onde a MAGG esteve para conhecer mais sobre esta marca que pertence ao grupo chinês Geely (que também detém a Volvo Cars). E, como em quase todas as empresas, Portugal está presente na Lynk&Co. Apesar de a entrada no mercado luso só estar prevista para 2023, há uma portuguesa nos lugares cimeiros da marca. 

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Falamos de Telma Negreiros. vice-presidente de Relações Públicas e Comunicação da Link & Co para o mercado europeu. “Nascida e criada” em Amesterdão, filha de mãe portuguesa, Telma começou a trabalhar com apenas 19 anos, como assistente no departamento de marketing da KLM Cargo. “Saí de casa, quis morar sozinha e os meus pais disseram ‘vais morar sozinha, pagas a tua renda’”, recorda. Trabalhou para várias multinacionais em Amesterdão e em Berlim, onde vive agora.

Telma Negreiros
Telma Negreiros créditos: Lynk & Co

Criou a sua própria agência aos 27 anos, a Tinc Public Relations & Events, que chegou a ter um escritório em Lisboa. Ao fim de 13 anos voltou ao mundo corporativo, uma experiência cheia de conquistas e também erros. “Comecei numa altura em que o setor era dominado por homens caucasianos. Eu era a única mulher, além da secretária. Isso tornou-se flexível o suficiente para ter o trabalho que tenho agora”, explica a VP de RP e Comunicação da Lynk & Co. 

A representatividade feminina no mundo corporativo, uma realidade que se vai normalizando, não existia quando a luso-neerlandesa, atualmente com 46 anos, entrou no mercado de trabalho. “Comecei a minha carreira a pensar ‘sou uma mulher mas preciso de ser como um homem para ser levada a sério. Olhando para trás, adaptei-me. Não me afetou muito porque sempre fui muito dura e sabia o que queria fazer. Houve situações que não foram boas, mas isso fez-me lutar e trabalhar ainda mais. Tive sempre de trabalhar mais do que os meus colegas homens, tenho de frisar isso. Fui muito julgada, muito questionada e, muitas vezes, gozada. Mas não deixei que isso me desanimasse”, recorda Telma Negreiros, salientando, no entanto, que ajudou a manter essa cultura, “porque era ignorante ou ingénua”. “Só percebi isso nos meus 40. Agora estou muito mais atenta a essas situações e reajo. E, na altura, não tinha uma voz. Na minha posição, agora, tenho e as pessoas têm de me ouvir”.

Com um percurso ainda raro para uma mulher da sua idade, Telma faz questão de ser mentora de outras profissionais e de falar sobre o tema da igualdade de oportunidades, “mas sem atacar os homens”. “Sei que, em todos os países europeus, isto ainda é um problema. Por isso espero, quando chegarmos a Portugal, poder falar sobre este tema e ser, não digo um exemplo, mas não ter medo de falar”. 

E qual é a relação entre a igualdade de género e o sistema de carsharing da Lynk & Co? É mais óbvia do que parece. “Isso está a mudar muito mais rapidamente no setor da mobilidade do que no setor automóvel. A indústria da mobilidade é muito jovem, ao contrário do setor automóvel, que tem 100 anos e é, como costumamos dizer, da era dos dinossauros. Atrai muitas pessoas novas, tem um mindset e uma abordagem diferentes. É uma cultura que se tem de implementar e não ser apenas mais uma marca de automóveis. Essa é a principal razão pela qual o setor está a crescer tão depressa. Não é um setor perfeito, a igualdade de género está mais ou menos resolvida, mas ainda há muitas escolhas no que toca à diversidade, que ainda temos de incorporar e contratar para a nossa empresa”, admite Telma Negreiros. 

Um carro, uma tarifa mensal, um sistema de partilha, um clube: eis a Lynk & Co

Num país em que ter carro é visto, além de uma necessidade, um sinónimo de status, urge compreender como é que a marca pensa singrar no mercado português. “Estávamos a falar das diferentes culturas e essa é a beleza da coisa. O português não sai de casa aos 18 anos mas tem um carro aos 17, antes de ter a carta. O carro significa mobilidade”, começa por dizer Telma.

A vice-presidente de Relações Públicas e Comunicação da Lynk & Co recorre ao exemplo da plataforma de alojamento Airbnb para estabelecer uma comparação. “Se há 10 anos, alguém dissesse ‘vais alugar a tua casa, vais ganhar dinheiro’, até eu dizia. ‘Espera, outra pessoa vai sentar-se no meu sofá, usar a minha cama? Não, não!’. E agora, vemos”. 

A responsável da Lynk & Co sabe que a mudança não vai acontecer de forma rápida. “Vamos oferecer algo que as pessoas não sabiam que precisavam”. Telma refere o mercado italiano, onde a empresa já está presente, como um com a mentalidade semelhante à portuguesa, mas que também “está a mudar”. 

A Lynk & Co tem, para já, um único modelo de automóvel, o 01, criado com tecnologia Volvo. A empresa oferece a possibilidade de o cliente poder ter um carro sem o comprar, pagando uma mensalidade de 500€. A subscrição, ao contrário dos planos de leasing tradicionais, pode ser cancelada a qualquer momento e, depois, reativada. Esse valor inclui o seguro, despesas de manutenção e avarias e taxa de circulação. Por mês, os utilizadores podem fazer 1250 quilómetros, sendo que os não utilizados acumulam para o mês seguinte. O subscritor pode partilhar o seu carro com outros familiares e amigos, fazendo um subaluguer. Quem quiser usufruir do serviço, mas não quiser ser subscritor de um veículo, tem a modalidade pay per use, tendo de se inscrever na plataforma da marca para aceder a veículos disponíveis para aluguer. E o seguro, salienta Telma Negreiros, engloba todos os utilizadores do carro (que têm de estar registados na plataforma). 

A gestão do uso do carro é feita através da aplicação da marca e o valor do subaluguer é deixado à responsabilidade do membro titular da conta, podendo cobrar (ou não) pela utilização do carro. A marca não ganha qualquer percentagem do subaluguer. “O nosso modelo de negócio é baseado na subscrição”, esclarece a responsável da Lynk&Co.  A possibilidade de comprar o veículo, embora não seja a prioridade da marca, também existe: o 01 tem o valor de mercado de 44.500€. 

  • Quem é o consumidor-alvo em Portugal? “Queremos chegar a toda a gente. Sei que soa a loucura, mas não é”, garante Telma Negreiros. E adianta que as mulheres são prioridade para a marca, ao contrário do que acontece no setor automóvel tradicional, cuja comunicação ainda está orientada para o consumidor masculino. “Eu usaria este carro amanhã. E, se a minha irmã vive perto, se os meus pais vivem perto, só preciso de um carro à porta de casa. Toda a gente tem a chave digital, toda a gente está coberta pelo seguro e não tem de pagar mais. Mas posso ganhar dinheiro se o meu vizinho quiser alugar o carro. É a mobilidade nos termos do consumidor. A pessoa decide quando precisa do carro”. 

Apesar de reconhecer que o consumidor português que tem 500€ mensais para deslocações e mobilidade possa preferir comprar um automóvel, Telma Negreiros espera que possa “ver os benefícios”. “Normalmente, quando fazemos um leasing, os contratos são, no mínimo, de um ano. E isso é uma chatice. Se as pessoas analisarem os valores, [na Lynk&Co] podem cancelar a subscrição em qualquer altura, sem complicações. Não há papelada. É fácil”, assegura. 

A responsável explica que a empresa ainda não tem números relativamente ao rácio de membros-utilizadores (ou seja, o número pessoas a que cada subscritor do serviço empresta o veículo). O modelo de subscrição chegou ao mercado em abril de 2021, bem como os veículos e também os clubes. “Estamos a fazer tudo ao mesmo tempo”.

  • Porquê um híbrido e não um carro elétrico? O 01 é um híbrido plug in (funciona a gasolina e a eletricidade). Telma Negreiros explica-nos porque é que a marca optou por não lançar um modelo elétrico. “Parte do nosso conceito é sem complicações, nos termos do consumidor. Se o meu carro for totalmente elétrico, posso ficar irritada quando chego a uma estação de carregamento e ela não funciona. Isto não acontece só em Portugal. Os Países Baixos estão bem equipados, a Noruega também. O próximo carro que vamos colocar no mercado vai ser totalmente elétrico. Vai ser mais pequeno. Mas o 01 é um SUV compacto, tem um motor potente. Por isso temos de garantir que, quando acabar [a autonomia de ] 69km, podemos mudar para combustível”. 
  • E os clubes? São como concessionários? Numa resposta curta e simples: não. “Não sei se tem esta experiência mas, como mulher, quando vou a um stand de automóveis, é… horrível. Os homens olham para nós de alto a baixo e só apetece dizer ‘não me olhem assim’. Odeio e torno-me agressiva”, exemplifica a vice-presidente de Relações Públicas e Comunicação da Link & Co, explicando depois porque é que os clubes da marca são o oposto. “Quisemos criar um ambiente onde isso não acontece. Estive num clube de Amesterdão e estava a observar as pessoas a entrarem, para ver o que acontecia. Vi duas famílias. As mulheres entraram primeiro, foram super bem recebidas. Os filhos e o marido vinham atrás. E eu pensei ‘isto é fantástico, é exatamente isto que queremos’”, conta.

Esta nova forma de utilização do automóvel quer também desconstruir a ideia de que só os homens se interessam por carros. “Até porque, por norma, são as mulheres que gerem o orçamento familiar”, salienta Telma Negreiros. Nos clubes, os carros não estão expostos como num stand. É possível fazer um test drive e, na altura de escolher o veículo, é só optar entre o preto ou o azul. Há também um bar onde se pode trabalhar remotamente, uma loja onde se vendem apenas produtos sustentáveis associados à marca e com parceiros locais.

Veja como é o clube de Roma

Além de CSP (customer service point, que são os locais onde é feita a manutenção dos veículos e onde estes podem ser levantados), a Lynk&Co tem clubes nas principais cidades dos países onde opera. Para breve estão previstas as aberturas dos clube de Barcelona e Madrid, o primeiro em Espanha. 

  • E a sustentabilidade? E o ambiente? Telma Negreiros salienta que o objetivo da marca é que os carros sejam usados “de uma forma mais inteligente”.  “96% do tempo, o carro está parado à porta de casa. Agora imaginemos uma casa onde há quatro carros. Talvez só precisemos de um. Talvez possamos fazer car sharing porque é mais económico. O que estamos a tentar estimular, e esperamos que aconteça, é que isto é sobre usar os carros de forma mais inteligente até termos uma solução melhor”. 

Conduzimos o 01, o modelo da Lynk&Co e até parece que percebemos alguma coisa de carros

Imagine estar a chegar ao El Escorial, o imponente mosteiro nos arredores de Madrid. O sol brilha e, de repente, começa a tocar na rádio “Ingobernable”, do madrileno C.Tangana. Mais perfeito do que isto só por encomenda. 

01 lynk & Co
Levámos o 01 a passear até ao El Escorial créditos: MAGG

Um aviso prévio ao nosso leitor: os nossos conhecimentos técnicos sobre automóveis são, digamos assim, da ótica do utilizador. Esta não é uma análise técnica ao veículo em si, mas à utilização do mesmo (do ponto de vista de um hipotético subscritor da Lynk & Co). Incluímos aqui uma hiperligação para a ficha técnica do 01, para que possa analisar com detalhe as especificações tecnológicas do carro. 

O 01, um híbrido plug in (como explicámos anteriormente, funciona a eletricidade e gasolina) é baseado no Volvo XC40, marca que também pertence ao grupo Geely. Embora seja um SUV, a sensação de condução não é a de um veículo grande, daqueles que causa temor em ruas mais apertadas ou no momento de estacionar num espaço mais exíguo. Para isso também lá estão os sensores e a tecnologia habitual para o auxílio nessas tarefas.

Ao contrário da esmagadora maioria deste veículos modernaços (sim, nós somos dessas pessoas que tem um chaço à porta de casa, que quase nunca é usado), a condução do 01 não dá aquela sensação de que o volante nos vai fugir das mãos a qualquer momento ou que basta uma guinada mais firme para que o carro saia da estrada. A direção é firme, robusta, que dá gosto conduzir, mesmo para aqueles que, como nós, acham uma tristeza estar ao comando de um veículo sem mudanças (adoramos fazer um bom ponto de embraiagem. Processem-nos).

Ainda no Customer Service Point da marca, situado no coração de Madrid, os técnicos da Lynk & Co explicaram-nos em detalhe o modo de funcionamento do painel de controlo, com mil e uma funcionalidades, desde o controlo do ar condicionado, até à journey camara (uma câmara instalada no interior do carro que permite tirar selfies e, depois, partilhá-las com família e amigos).

Detalhe importante: os veículos têm hotspot de wifi, incluído no valor mensal da subscrição. Acabaram-se as guerras pelos dados móveis, venham as horas infinitas de Spotify. O sistema operativo do 01 é compatível com Ios e Android e o emparelhamento é feito através de Bluetooth. O painel de controlo inclui também um botão de emergência que liga o condutor diretamente à assistência em viagem da marca. 

Bagageira do 01
Bagageira do 01 créditos: Lynk & Co

O 01 não é um carro perfeito. Os assentos são de ajuste difícil e pareceram-nos demasiado rígidos para viagens longas. Os comandos do painel de controlo do volante não são intuitivos e é difícil navegar por tantas funcionalidades e opções (o que, sem a ajuda do pendura, se torna quase impossível).

Achámos a bagageira um pouco pequena para, imaginemos, uma família com crianças que vai de férias uma semana e precisa de acomodar todos os itens no carro. Há pequenos pormenores criados para agradar a toda a família, mais estéticos e de conforto do que propriamente técnicos (mas é também disso que um carro para todos é feito): os bancos podem ser aquecidos remotamente através da aplicação e, dentro do carro, existe um sistema de luzes coloridas, que pode ser ajustado por cada utilizador; o porta-luvas tem um refrigerador que mantém, por exemplo, uma garrafa de água a baixa temperatura e há um sistema sem fios de carregamento de telemóveis. 

Veja aqui mais imagens do 01

* A MAGG viajou até Madrid a convite da Lynk & Co

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