Para cada grande produção como “A Guerra dos Tronos”, há cinco ou mais séries que passam despercebidas e que não são conhecidas ao ponto de se tornarem assunto de conversa em jantares de amigos. “The Americans”, terminado em 2018 e considerado pela crítica como um dos melhores (e mais desconhecidos) títulos dos últimos anos, é só um exemplo.

Todas as semanas, a MAGG traz-lhe uma sugestão imperdível na rubrica "A série que ninguém está a ver". O objetivo, claro, é dar a conhecer algumas das produções com menos visibilidade, mas que merecem tanto ou mais elogios como outras bem mais populares.

É o caso de "Barry", um original da HBO que alterna entre o drama e a comédia para contar uma história que tem tanto de absurda como de tocante — mesmo que à primeira vista pareça tudo menos isso.

A ação arranca com Barry, assim se chama a personagem principal interpretada por Bill Hader, a ser apresentado aos espectadores como um assassino contratado. Mas este não é um assassino comum, assumindo que qualquer de nós sabe distinguir um "assassino normal" de outro pouco convencional. Eu não sei, mas o primeiro episódio faz questão de estabelecer essa diferença.

É que embora a sua profissão o obrigue a ser uma pessoa perfeitamente capaz na sua "arte" (matar pessoas, leia-se), Barry é, acima de tudo, um indivíduo desajeitado, cáustico e com sérias dificuldades em se relacionar com os outros. A ter de encontrar uma comparação que lhe fizesse justiça, seria esta: Barry é aquela pessoa desastrada que, num restaurante, consegue a proeza de partir sempre um copo ou atirar um talher ao chão e, no final, culpar tudo e todos menos a sua falta de jeito. 

Fora as interações sociais, Barry é um assassino implacável e sem remorsos. A reviravolta acontece quando, a meio de uma missão para que foi contratado, encontra um spot publicitário referente a uma companhia de teatro de Los Angeles, nos EUA, e decide que quer deixar para trás a sua vida de crime. De repente, um novo objetivo de vida: especializar-se na representação enquanto ator de teatro.

O mais hilariante é que esse sonho materializa-se e Barry vê-se obrigado a sair da sua zona de conforto, e a lidar com os traumas da guerra que lhe deixaram mazelas graves. É que, descobre, um bom ator precisa de estar em contacto com o seu interior e em domínio de todos os seus sentimentos — que Barry passou grande parte da sua vida a reprimir.

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Mas será que um assassino deixa de o ser só porque quer? Ahahah. A piada faz-se sozinha. É óbvio que não e, por isso mesmo, não demora muito até que a sua vida dupla comece a vir à superfície quando aqueles que lhe pagavam pelo trabalho sujo começam a recear que Barry possa "amolecer" e falar mais do que deve.

As consequências são trágicas e ameaçam revelar a verdadeira identidade daquele homem que, no fundo, só quer a oportunidade de levar uma vida normal pela primeira vez. Problema? Barry é um assassino e isso não se reprime. Está feito o piscar de olhos aos fãs de "Dexter".

Ao longo das duas temporadas, todas elas disponíveis na íntegra na HBO Portugal, resultam de uma mistura entre a comédia absurda e a tragédia para fazer chorar compulsivamente e, logo de seguida, levar ao riso incontrolável. E a premissa é muito simples, tornando-a numa série fácil de seguir — mesmo depois de um dia cansativo de trabalho — numa altura em que há cada vez mais produções complexas e exigentes.

Embora já tenha sido confirmada uma terceira temporada de "Barry", não se sabe quando estreia uma vez que a pandemia atrasou todas as estreias do sector televisivo. Sabe-se, no entanto, que os atores principais vão todos regressar para mais um série de episódios.

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