Grandes vozes, lágrimas, momentos hilariantes  e atuações arrepiantes. O "The Voice Portugal" regressou à antena da RTP1 este domingo, 17 de outubro, com os ingredientes que nos fazem ficar presos ao ecrã.

Mais mentores bloqueados e música portuguesa. "The Voice Portugal" regressa este domingo
Mais mentores bloqueados e música portuguesa. "The Voice Portugal" regressa este domingo
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Temos Catarina Furtado a continuar a derrotar a concorrência no que diz respeito às mulheres mais elegantes de Portugal (e claramente a beber de um qualquer elixir de juventude, que está cada vez mais bonita)? Temos. Temos um António Zambujo com as melhores tiradas de sempre e um Vasco Palmeirim a imitar adolescentes? Também. E lamechice, há? Pois, continua a haver, mas até eu me rendi depois de achar demasiado no passado — mas já lá vamos.

Catarina Furtado
Catarina Furtado deslumbrou com um vestido Nuno Baltazar. créditos: Instagram

A fórmula continua a ser a mesma, começando pelas Provas Cegas, a fase do programa de talentos em que os quatro mentores só podem ver com os próprios olhos a atuação dos concorrentes se virarem as cadeiras — até lá, como o próprio nome indica, estão às cegas.

Mas há novidades, para além de não haver cá pobrezas e o vencedor receber um BMW: Diogo Piçarra, Marisa Liz, Aurea e António Zambujo têm a oportunidade de bloquear os colegas duas vezes durante esta fase do programa, mas este ano dois mentores podem ser bloqueados na mesma prova.

E acreditem que eles não estão cá para brincadeiras, já que o botão entrou ao ativo já na estreia. E vamos só recordar a cara de Marisa Liz quando percebeu que não podia lutar por Huca, um dos participantes mais marcantes da noite de domingo, depois de Aurea a bloquear? Aurea, amiga, eu cá dormia de olhos abertos.

Vasco Palmeirim
Vasco Palmeirim apresenta o "The Voice Portugal" ao lado de Catarina Furtado. créditos: Instagram

Deixei para trás as enxadas dos agricultores da SIC e os dramas da casa do "Big Brother", peguei nas pipocas — mentira, era um copo de vinho; tenho filhas a moer-me o juízo, deixem-me — e sentei-me no sofá pronta para analisar esta estreia e os seus momentos mais marcantes. Vamos a isto?

Aurea é aquela amiga que nunca se cala no cinema

Sou fã assumida deste formato há vários anos. Há vários anos que digo a mesma coisa — a Aurea dá comigo em maluca porque nunca se cala durante as atuações. Ora canta por cima, ora comenta do timbre, ora chora ainda antes de virar a cadeira, ora dá-lhe forte nos "uis", "eish", "uau", "opahhhhh". Estão a ver aquela amiga que não se cala no cinema, comenta tudo e grita "olha eleeeee" quando vê o vilão com uma pistola atrás da porta? É isso.

Aurea
Não temos palavras para o talento de Aurea — nem para o vestido. créditos: RTP

Este domingo, mal Miguel Dias, o primeiro concorrente a pisar o palco, começou a cantar, Aurea soltou logo um dos trejeitos dela e lá está, lá vieram os nervos outra vez. Porém, para todas estas pequenas irritações, a artista portuguesa compensa ao parecer ser verdadeiramente boa pessoa, ser uma das melhores cantoras de Portugal — a sério, bastou cantar dois segundos do "Menina estás à Janela" para me derreter toda ou acompanhar Matilde Jacob em palco, que também ficou na sua equipa — e ter um dos vestidos mais bonitos que já passou por aquele programa, e que lhe ficava a matar. Isso, e é das poucas pessoas pessoas que consegue ter os olhos pintados com sombra azul, estar linda e não parecer a doida dos gatos que mora no 5.º esquerdo. É de valor.

Vamos à opinião pouco popular da estreia. Miguel Dias? Meh.

Miguel Dias, de apenas 16 anos, foi o concorrente a inaugurar o palco da nona edição, com uma entrada apoteosa pelas portas luminosas. Sim, isto agora já não se entra pelos lados do palco assim à ninja, a coisa é feita em grande. Mal o concorrente abriu a boca, as quatro cadeiras viraram-se praticamente no mesmo momento — o chamado efeito Fernando Daniel. Depois de uma grande luta entre os mentores, o jovem Miguel acabou por escolher Marisa Liz, que arrancou a formação das equipas logo com um concorrente forte.

Miguel Dias
Miguel Dias ficou na equipa de Marisa. créditos: RTP

Porém, todavia, contudo. Miguel é um dos grandes favoritos à partida? Sim, senhor. Tem uma grande voz, ainda por cima em tão tenra idade? Também. Foi uma atuação que me fez sentir coisas? Não. É verdade que não sou grande fã do tema escolhido, “I Can’t Make You Love Me”, e talvez isso não tenha ajudado, mas não me arrebatou. Claro que merece estar no programa e, depois de confessar ser um fã de Queen e Freddie Mercury, já só quero ver Miguel a dar tudo com "Bohemian Rhapsody".

Mentores, não consigo perceber os vossos critérios

É verdade que não percebo nada de música, não sou especialista e "treinadores de bancada" somos todos. Mas tenho sérias dificuldades em perceber como é que os mentores, por vezes, não viram uma única cadeira para vozes boas e com atuações incríveis, e depois viram para outras que pronto, 'tá giro, mas podia ser tão melhor.

Lamechice a mais, momentos de vergonha alheia e a atuação épica de Aurea. Altos e baixos da estreia de "The Voice Portugal"
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Na noite de estreia, nada foi tão gritante como o que se passou com Filipa Menina, que apesar da sua ótima interpretação de “Menina do Bairro Negro”, não avançou no programa, para imediatamente depois Cláudio Pereira (bocejo), que virou duas cadeiras, seguir em frente.

"Ah, estavas nervosa". "Ah, senti insegurança". 'Tá bem, 'tá. Queridos mentores, já viraram cadeiras para outras atuações em que os mesmos argumentos foram desvalorizados (o chamado "já comi pior, e a pagar"). Não gostei, malta.

Sara Salazar
Sara e o namorado prometem voltar em dupla. créditos: RTP

Na mesma lógica, também Sara Salazar (uma das atuações que mais gostei na noite de domingo) não seguiu em frente, mas há esperança: Catarina Furtado e Vasco Palmeirim garantiram que Sara poderá voltar às Provas Cegas, desta feita em dupla com o namorado. Há esperança.

Ok, fui apanhada pela lamechice

Já fui muito crítica (mas com amor) da lamechice toda que o "The Voice Portugal" ganhou nos últimos anos. Toda a gente tem uma história triste, toda a gente tem mensagens até do periquito, tudo é um drama. Mas se, no passado, a coisa me pareceu forçada, este domingo dei por mim lavada em lágrimas com a história de Filipa Menina.

A participante de 32 anos revelou sofrer de uma doença degenerativa, paramiloidose, patologia que a deixou incapacitada e à beira da morte há cerca de quatro anos. Filipa contou aos mentores que lutou pela vida — algo que só conseguiu quando encontrou uma médica disposta a fazer-lhe um transplante de fígado — e prometeu à filha mais velha, de 9 anos, que se iria inscrever no "The Voice" mal conseguisse recuperar autonomia.

Filipa Menino
Lágrimas, amigos. Muitas lágrimas. créditos: RTP

Olhem, lágrimas. Toda eu era choro enquanto ouvia Filipa contar a sua história, rodeada das duas filhas pequenas e do marido. Eu chorava, os mentores choravam, e mal me aguentei com a cara da filha mais velha, tão triste por a mãe não ter passado. Culpo as minhas filhas, que me tornaram uma pessoa de lágrima fácil com estas coisas. Eu e Diogo Piçarra, que também ele chorava, claramente mais emocionado depois de ter sido pai.

Ah, e no fim de tudo, Filipa não passou. Ainda não ultrapassei.

O "The Voice" não é só um programa de televisão

Uma das últimas participantes da estreia foi Ava Vahneshan, 22 anos, natural do Irão, mas que vive em Portugal desde os 19 anos para poder seguir o sonho de ser cantora. Depois de virar as cadeiras dos mentores com a interpretação de "Lalayi", uma música tradicional iraniana, Ava explicou que os pais deixaram uma vida no Irão para vir para Portugal, onde a jovem pode cantar livremente — no seu país natal, as mulheres não se podem expor e, ao cantar em público, Ava iria parar à prisão.

Ava
Ava escolheu Zambujo como mentor. créditos: RTP

Já com a família em palco, e depois de ver mensagens dos avós e de amigos que vivem no Irão, Ava acabou por escolher ficar na equipa de António Zambujo, um dos vários mentores que aproveitou o momento para lamentar que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas presas por fazer algo tão simples como cantar. Também Catarina Furtado não deixou passar o momento para chamar a atenção para a quantidade de liberdades que são negadas às meninas e mulheres por esse mundo fora. Um simples programa de entretenimento consegue provar que a televisão está cá para muito mais do que simplesmente entretenimento.

Aurea, acho que a Marisa já não gosta de ti

A cumplicidade entre Marisa Liz e Aurea é notória desde as primeiras edições e ultrapassa o programa. Tanto que, para além de já terem cantado juntas em diversas ocasiões, as duas artistas até têm um projeto em comum, "Elas", mais conhecido pelo single "Eu Gosto de Ti", que é praticamente uma declaração de amizade da dupla de cantoras.

Pois, mas acho que o cenário vai ser diferente depois da passagem de Bruno Huca pelo programa. O último concorrente da noite de domingo deslumbrou tudo e todos com uma interpretação de “Se Eu Quiser Falar com Deus”, que não só virou as quatro cadeiras, como colocou o participante de 37 anos como um dos favoritos à grande vitória, assim de caras.

Bruno Huca
Bruno Huca já é um favorito à vitória. créditos: RTP

Quem percebeu que não só Huca era um participante de ouro, mas também a tendência para escolher Marisa Liz, foi Aurea, que não hesitou em bloquear a colega. Marisa não conseguiu disfarçar a desilusão — para ser simpática, que acho que Marisa Liz ficou mesmo lixada com F —, principalmente depois de Huca afirmar que, se pudesse, iria para a sua equipa. A cara da cantora dos Amor Electro é digna dos melhores memes e, para ajudar à causa, vou já começar a sugerir opções para o projeto de Aurea e Marisa. Que tal "Eu (Já Não) Gosto de Ti"? Sucesso garantido.

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