Não sabemos exatamente o que teria acontecido se "Tiger King" tivesse chegado noutra altura à Netflix. É que o lançamento do novo documentário de crime, a 20 de março, coincidiu com o surto de COVID-19 no mundo e com a implementação de várias medidas de contenção.

Há mais pessoas em casa e o consumo de entretenimento aumentou exponencialmente. Se baralharmos tudo e juntarmos ainda uma história — mais uma — repleta de acontecimentos macabros e reviravoltas impressionantes, percebe-se que a fórmula para a popularidade do documentário misturou um bocadinho de sorte e o fascínio do público por desfechos bizarros.

“Tiger King: Morte, Caos e Loucura” dá a conhecer a figura de Joe Exotic, um homem de Oklahoma, dos EUA, assumido entusiasta de leões e tigres e com um parque selvagem repleto de felinos grandes. E se dúvidas houvesse quanto ao tipo de história que nos esperava, os minutos iniciais do primeiro episódio esclarecem.

"Quando saio deste parque, uso um colete à prova de balas. As coisas ficaram assim tão graves para me obrigarem a isto", ouve-se da boca de Joe Exotic que foi preso em 2018 depois de ser condenado por encomendar a morte da sua maior opositora, Carole Baskin — uma ativista que o acusou de crueldade animal e de tentar lucrar com a exploração dos tigres e leões que tinha no parque.

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Os contornes surreais e bizarros de uma história que parece ficção, mas que é bem real, transformaram "Tiger King" numa das séries mais comentadas da internet. Além de ser um dos assuntos mais populares do Twitter desde a estreia, é a terceira série mais vista da Netflix nesta segunda-feira, 6 de abril.

Mas agora, numa altura em que já passaram duas semanas desde a chegada à Netflix, há novas informações (muitas delas mirabolantes) quanto ao parque e às pessoas envolvidas na sua manutenção. Se ainda não viu o documentário, recomendamos que guarde o artigo para mais tarde e volte depois de uma sessão de binge no sofá.

Mostramos-lhe os 5 novos factos sobre o documentário de crime mais bizarro da Netflix. Com spoilers, claro.

1. Depois da popularidade, o parque fechou

Apesar de uma história que envolveu violência, mortes encomendadas, armas e acusações de crueldade animal, o parque de Joe Exotic esteve aberto até à sexta-feira passada, 3 de abril, mas foi obrigado a fechar.

Através de uma publicação no Facebook entretanto apagada, Jeff Lowe, o homem que comprou o parque após a condenação de Joe Exotic, escreveu que as visitas tinham aumentado exponencialmente depois da estreia do documentário e que isso trazia dificuldades na gestão do espaço.

"O público e a adesão dos visitantes tem sido enorme desde a estreia da Netflix e estamos a ter muita dificuldade em gerir o tráfego de pessoas nas horas em que estamos abertos", escreveu.

No entanto, citado pelo "The New York Times", o xerife Jim Mullett anunciou que o parque tinha sido fechado devido às medidas de contenção para combate o surto de COVID-19 — nas quais está estabelecido que só os negócios essenciais devem permanecer abertos.

2. Afinal, o que aconteceu a Joe Exotic?

Joe Exotic e Carole Baskin protagonizaram uma rivalidade que durou anos. A ativista, que gere um santuário para tigres e leões e que usa roupas com padrão tigresa, acusou Joe de crueldade animal. Depois de ver a sua imagem constantemente contestada, Joe encomendou a sua morte. Mas o FBI já o tinha debaixo de olho.

Depois de várias investigações e acusações, o homem foi condenado em janeiro a uma pena de prisão de 22 anos apesar de ainda hoje se declarar inocente. Apesar disso, diz adorar a fama que o novo documentário da Netflix lhe trouxe.

3. O marido de Carole Baskin continua desaparecido — e as teorias são várias

Embora o documentário se foque na rivalidade entre Joe e Carole e no desfecho que se conhece, há pelo menos um mistério que continua à espera de resposta. É que o marido de Carole Baskin, desaparecido em 1997, continua desaparecido e ninguém sabe o que lhe aconteceu.

No entanto, ao longo dos episódios, Joe Exotic garante que o marido foi morto pela mulher e dado a comer aos tigres que Carole protegia no seu santuário. Na página oficial da Big Cat Rescue, a organização animal que gere, Carole Baskin nega todas as acusações e diz-se ainda muito desiludida com a foram como foi representada no documentário da Netflix.

"Os realizadores não quiseram saber sobre a verdade. As mentiras desagradáveis são melhores para conseguir mais espectadores e mais audiências", escreveu.

Mas parece que a popularidade da história serviu para que, pelo menos, o condado do xerife na Flórida pudesse retomar as investigações e foi até feito um tweet a apelar para quem soubesse mais detalhes sobre o desaparecimento do marido de Carole Baskins contactar as autoridades.

4. Os tigres e leões eram mal-tratados e viviam em condições desumanas

Depois do documentário ter chegado à Netflix, os realizadores e argumentistas Eric Good e Rebecca Chaiklin foram entrevistados pelo jornal "L.A Times" e foi aí que revelaram um dos acontecimentos mais desumanos a que assistiram durante as gravações.

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"Muitos dos tigres que estavam naquele parque eram sujeitos a uma crueldade abjeta. Vimos crias a serem arrancadas das mães num pranto. Muitos ficavam doentes de serem mexidos e remexidos por tanta gente que chegavam mesmo a ter ténias e sarna. Foi muito perturbador."

Por isso mesmo, os realizadores recusaram-se a fazer festas aos tigres e leões que estavam enjaulados por Joe Exotic que os usava para espetáculos. Até porque era assim que o proprietário fazia dinheiro — cobrando uma quantia aos visitantes que quisessem interagir com os animais.

5. Joe é um cantor de música country (mas nem sempre é ele que canta)

Além de uma paixão por tigres e leões, Joe Exotic gaba-se da sua carreira musical de country. É logo no primeiro episódio de "Tiger King", aliás, que se ouve a canção "I Saw Tiger" que faz parte de um dos seus discos de originais. Problema? A voz que se ouve na canção é muito diferente e mais polida do que a de Joe.

Sabe-se agora que foram os músicos Vince Johnson e Danny Clinton os responsáveis pelas vozes da música. Segundo Johnson revelou à revista "Vanity Fair", ambos trabalharam de graça na esperança de virem a receber algum reconhecimento depois da estreia do documentário da Netflix. 

Ao "L.A Times", os realizadores explicaram que não confrontaram Joe com essa descoberta depois de terem encontrado provas de que, em vários momentos de algumas das canções, era mesmo a voz de Joe que estava presente no tema.

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