Não há nada melhor para os fãs de filmes e séries do que a chegada da data de estreia da sua produção favorita - e a de "Fallout" está mesmo aí à porta. Para ser lançada numa primeira instância na sexta-feira, 19 de dezembro, a verdade é que nem o público nem a plataforma de streaming conseguiram esperar tanto tempo, e a segunda temporada será lançada dois dias antes, no dia 17. Misturando três histórias diferentes e muita ação, segredos e uma pitada de comédia, esta é uma das novidades mais esperadas do ano da Prime Video, e a verdade é que fez por merecê-lo.

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Aqui, a nova temporada vai seguir o final épico da primeira, onde o público ficou a perceber que Maximus (Aaron Moten) se vai tornar num cavaleiro, Hank (Kyle MacLachlan) é um dos maus da fita, Lucy (Ella Purnell) desvenda um pouco da personalidade do pai e caminha por sítios diferentes, e Ghoul (Walton Goggins) ainda tem muito por resolver. Baseada em "Fallout: New Vegas", a série regressa assim com diferentes narrativas que, no fim, vão dar à mesma história, e que promete honrar aquilo que o público jogou anos antes. 

"Estamos sempre a tentar ser o mais fiéis possível aos jogos. Ao mesmo tempo, sabíamos que tínhamos de criar a nossa própria narrativa e a nossa própria história, e é por isso que não estamos a fazer uma adaptação direta. É também por isso que existe um intervalo temporal entre os eventos dos jogos e a nossa série, há mudanças que o público vai notar em termos de paisagens, ambientes, personagens e facções, mas essas mudanças têm sempre uma intenção narrativa", explicou Geneva Robertson, uma das produtoras executivas, em entrevista.

Uma das mudanças claras que se sente da primeira para a segunda temporada é, claro, a presença de novas facções, que existem desde sempre nos videojogos. Ao lado das que já se conhecem, como a Irmandade do Aço ou os Ghouls, é agora que ficamos a conhecer a Legião de César, altamente inspirada no Império Romano e que traz uma nova cara ao elenco: Macaulay Culkin. "O Mac é um ator incrível, e a primeira imagem que tenho dele é a de um miúdo inocente e adorável no 'Sozinho em Casa'", disse a produtora.

"Por isso, achámos divertido escolhê-lo para a Legião. A interpretação dele é muito interessante, porque quando jogamos, a Legião é uma organização brutal, uma sociedade baseada na escravatura, claramente inspirada no Império Romano. E depois há quase uma surpresa quando o encontramos e ele é, na verdade, bastante intelectual, articulado e interessante", continuou. Esta adição ao elenco veio assim tornar a série mais completa, prometendo não ficar por aqui: já está uma terceira temporada confirmada e pronta para ser gravada.

No entanto, esse não é o foco. "Fallout" regressa a 17 de dezembro com um premissa excecional, onde nada vai ser o que parece - ou se calhar até vai, mas só no final é que o público irá descobrir. Esta é, na verdade, uma história sobre quem está constantemente a lutar para sobreviver num mundo cada vez mais sombrio, e onde, duzentos anos após o apocalipse, os habitantes dos luxuosos abrigos Vault são obrigados a deparar-se com o mundo real, onde a morte é protagonista e o caos é o dia a dia. 

"Estava muito ansioso por regressar a esta história. 'Fallout 'explora este mundo antes da queda das bombas, mas o verdadeiro 'fallout' é sobre reconstruir a sociedade a partir do zero. Não sei exatamente para onde estamos a ir, mas sei que, tal como no jogo, toda a gente quer salvar o mundo, simplesmente não concorda sobre como fazê-lo. Cada personagem tem o seu próprio ponto de vista, as suas próprias motivações e razões para agir", explicou Walton Goggins na entrevista. 

Uma das pessoas a quem o ator se refere é Hank, o pai de Lucy que se mostra muito prestável durante a primeira temporada e, no final, descobrimos que ele foi na verdade um dos causadores de toda a destruição. Contudo, como explicou Kyle MacLachlan, é porque também ele acredita que está a fazer o certo. "Tens de acreditar a cem por cento na tua missão, é isso que o Hank faz. Ele acredita verdadeiramente no que está a fazer. Acredita que é a única forma de salvar a humanidade, mesmo que isso implique fazer escolhas difíceis. E isso é o que torna alguém assim assustador". 

Mas, como seria de esperar, isso faz com que a relação com a filha fique (quase) totalmente destruída. Acontece que, no final da primeira temporada, Hank desaparece depois de ser desmascarado, o que dá o mote para, na segunda, Lucy se juntar a Ghoul para encontrar o pai e pedir justificações. Ainda assim, parece que o amor fala sempre mais alto, e isso irá ser perceptível ao longo da temporada. "Eu diria que, apesar de tudo, o amor continua lá. O amor não morre. Não se deixa de amar alguém assim tão depressa", começou por explicar Ella Purnell.

"Não se deixa de amar alguém só porque se descobre que essa pessoa fez algo errado, ou algo que nos magoou ou magoou outros. Podemos sentir muita raiva, podemos sentir ódio, mas o oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. E a Lucy certamente não se sente indiferente em relação ao Hank", continuou. Kyle MacLachlan concordou, garantindo que "um dos objetivos do Hank na segunda temporada é recuperar a filha". "Ele quer que ela compreenda a sua racionalidade, a forma como ele vê o mundo, e força isso de uma forma muito determinada". 

Espreite as fotos da série.

E quem também tem objetivos é Maximus, que apesar de não os expressar, vê-se na sua postura que está determinado a mudar algo. O jovem soldado, que é agora cavaleiro, sofreu muito ao longo da vida, e esta temporada promete ser transformadora. "O Maximus foi abandonado até pelos pais. Crescer na Wasteland, sob uma disciplina como a da Irmandade, é algo que nem sempre se alinha consigo, e a história dele passa por aprender a usar o que lhe foi dado. O crescimento não acontece de forma direta, e há a procura por essa honra, por um lugar transcendente". 

Mas voltando a personagens novas, Justin Theroux entra agora no elenco da segunda temporada de "Fallout" para interpretar Robert House, uma das personagens mais icónicas deste universo. Uma vez que esta nova temporada é baseada em "Fallout: New Vegas", só fazia sentido integrar esta personagem agora, um empresário extremamente rico e visionário fundador da RobCo Industries. "Antes mesmo de ter oportunidade de assistir à série, o Walton ligou-me a dizer que me iam convidar, e foi mais ou menos assim que entrei", começou por explicar. 

"Comecei a ver a série e foi completamente diferente do que estava à espera. Pelo visual e pelas coisas que tinha visto, não fazia ideia da sua profundidade, nem de como era espontânea e ambiciosa", acrescentou Justin Theroux, que explicou que foi muito divertido interpretar alguém mais inteligente do que ele. "Como seres humanos, todos queremos algo, e há dois aspectos muito divertidos: é divertido interpretar alguém com uma riqueza enorme e é divertido interpretar alguém que é inteligente, mais inteligente do que eu", disse.

E sim, antes que fique com essa dúvida, há cenários do videojogo que entraram mesmo para a nova temporada. Algumas delas são Novac, Freeside, o casino Lucky 38 de Robert House e até a Área 51. "Pude pegar em elementos muito icónicos de 'Fallout: New Vegas', que tem uma história incrível que adoro, e misturá-los com aquilo que fizemos na primeira temporada. Não estamos a recriar o jogo, por isso não estamos presos, mas foi incrível", disse Howard Cummings, o designer de produção da série. 

Assim, a segunda temporada, que termina a 4 de fevereiro, encontra os heróis e anti-heróis da narrativa ainda a lutar pela sobrevivência, pelo poder e pela família, ao mesmo tempo que procuram respostas para todos os pontos de interrogação que ficaram pendentes - e sempre com uma pitada de humor. “Tentámos garantir que esta é uma série pós apocalíptica que é realmente divertida de ver. Os jogos contam uma história sobre os erros da humanidade e sobre a natureza cíclica da guerra, mas é apresentada de uma forma curiosa e até engraçada", rematou Geneva Robertson.