Pare. Afaste-se de todas as pessoas com quem estiver. Tire a máscara. Agora sim pode respirar como deve ser (maldita máscara) e desfrutar do cheiro da natureza singular que vai sentir mal chega a um dos pontos com vista privilegiada no conselho de Abrantes: o Jardim do Castelo. Este é só o início da viagem por três concelhos do Ribatejo marcados pela tranquilidade, genuinidade e diversidade. Gostaríamos de seguir com mais palavras terminadas em “idade” e adicionar "imunidade" à COVID-19 nesta viagem, mas apesar de não estar garantida, as medidas de higiene e desinfeção, bem como a distância social, estão por todo o lado.

A distância mais difícil de manter é mesmo da gastronomia. Um peixe do rio com açorda de ovas aqui, um vinho branco ali e uma tigelada acolá. Valha-nos os caminhos que podem (diríamos que devem) ser percorridos pelos concelhos ou, para quem não é fã de caminhadas, pode nadar ou ficar estendido ao sol junto à Praia Fluvial de Fontes, uma das praias fluviais da Barragem Castelo de Bode.

E como é que descobrimos estes cantos do Ribatejo Interior? Fomos para fora do escritório (aquele onde tem lugar o teletrabalho aqui para nós) precisamente para acompanhar O Meu escritório é Lá Fora. Carlos Bernardo foi o responsável por nos levar por caminhos nada perigosos, antes pelo contrário: saborosos e com vistas de perder a noção de tempo e espaço.

"O Meu Escritório é lá Fora”. Quase foi atropelado por uma vaca, temeu pela vida na Índia e agora ganhou um prémio
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Carlos abriu a porta do seu, ou melhor, d’O Meu escritório é Lá Fora, em 2013, na altura ainda sem secretária, mas sim com uma bicicleta que foi o ponto de partida para as suas viagens, começando num território que lhe diz muito: Abrantes, por ser também esta a sua casa. A vontade de viajar, conhecer e contar as histórias das gentes e dos espaços já o levaram a vários cantos do mundo e só em território nacional já percorreu desde o Douro a Mértola. No entanto, foi Abrantes, Sardoal e Constância que nos revelou e se há segredos que são para manter, ora, este não é um deles.

Traçámos um roteiro com ida e, infelizmente, volta depois de três dias a conhecer estes três municípios e um Portugal que nos passou ao lado nos últimos anos. Vamos a isso?

Dia 1 — Partir para Abrantes

Podíamos começar o roteiro numa sexta-feira e acabar num domingo, mas esta não é só uma escapadinha de fim de semana. É uma viagem para se fazer em qualquer altura desde que seja com tempo. Contudo, apesar de ser à vontade, não é à vontadinha, e se pudermos ir desfrutar de umas férias sem ter de passar quase três horas dentro de um carro, tanto melhor.

Trazemos então boas notícias: seguindo de carro, em menos de 1h40 chega a Abrantes e pode logo estacioná-lo, porque a partir daqui o percurso é a pé. O primeiro ponto fica lá no alto, já a preparar a forma física para receber a gastronomia da região.

abrantes
Abrantes créditos: Carlos Bernardo

Jardim do Castelo

O Castelo de Abrantes data do século XII e sabe-se que terá sido conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques. Contudo, este não foi um Castelo feito para reis e princesas, foi antes um castelo militar que servia para proteger a cidade de possíveis ataques, uma vez que o Tejo, ali próximo, era a principal via de comunicação à qual chegavam e de onde partiam várias embarcações. Atualmente, toda esta história é conservada nas estruturas que resistem no Castelo de Abrantes, mas ainda assim precisam de conservação, razão pela qual não pode ser visitado para já.

Mas se a vista panorâmica de 360º sobre o Rio Tejo, o Ribatejo, o Alto Alentejo e a Beira Baixa não podem ser vistas do ponto mais alto da cidade, ligeiramente abaixo, no Jardim do Castelo, a mesma vista pode ser desfrutada — e até com uma simbiose de sensações que tornam a experiência igualmente singular.

Logo à entrada o verde é a cor predominante, mas não tarda até começar a descobrir as cores vibrantes das flores bem cuidadas. Com sorte, ainda apanha um dos regadores ligados para refrescar "acidentalmente" em dias de calor, mas se não for suficiente, uma nova lufada de ar fresco chega quando avista a paisagem sobre o rio Tejo, as freguesias ribeirinhas e o Aquapolis, um espaço de lazer junto ao Tejo. Lembra-se dos passos de que lhe falámos no inicio do artigo? Este é o primeiro ponto onde deve tirar a máscara para sentir os cheiros de Abrantes.

Conhecer o Centro histórico de Abrantes

Após descer do Jardim do Castelo é altura de passar da natureza para as gentes. O primeiro sítio para onde deve seguir é para a Praça Barão da Batalha e fazer uma paragem no Chave D'Ouro, um ponto de encontros, de história com mais de 80 anos, e de carregamento de energias — venha de lá esse café e uma água fresca, por favor.

Drogaria Nova

Apesar de o centro histórico ser dotado, lá está, de História, a modernidade também por aqui anda. A Drogaria Nova é exemplo disso: nasceu em 1943 pelas mãos do avô de Joana Borda D'Água, formada em Arquitetura, mas numa altura em que a loja estava já muito velha e com poucos clientes, Joana decidiu dar uma nova vida à drogaria, agora, Nova. As ceras, diluentes e branqueadores da roupa característicos das típicas drogarias antigas continuam a fazer parte da oferta da loja, mas foram acrescentados produtos locais e outros que acompanham, felizmente ou infelizmente, a atualidade: artigos sustentáveis.

"Temos algumas coisas a granel, por exemplo os detergentes biológicos e mais algumas coisas, e queremos aumentar essa oferta cada vez mais, porque tem sido um sucesso", conta à MAGG Joana Borda D'Água que está à frente da loja desde 2013. Ao granel, juntam-se os champôs sólidos e desodorizantes naturais e ainda uma marca própria de Joana: a URSA.

"Surgiu a oportunidade de fazer uma experiência em impressão 3D. Tinha algumas ideias, principalmente de coisas de que gosto, como bijutaria, então fiz uma parceira. Eu fazia o design dos produtos e depois imprimiam. E decidi pôr aqui na loja algumas coisas", refere Joana Borda D'Água.

Janela dos Sabores

Poucos metros à frente vai encontrar a Janela dos Sabores. No dia em que a MAGG visitou este espaço, a loja tinha aberto apenas há 15 dias. O nome do espaço é também o da marca, mais conhecida pelas compotas em bisnaga com vários sabores, desde o de morango com manjericão, ananás com hortelã-pimenta, abóbora com vinho do porto ou só de marmelada. Se não quiser esperar por abrir esta última bisnaga, pode sempre levar a marmelada caseira em fatia ou pedir num pão fresco pronto na hora (adiantamos já que é de recuar no tempo em levava pão com marmelada para a escola).

Além das bisnagas, "o foco são os produtos da região e todos os da Nacional 2", refere Elsa Cristóvão, enumerando os enchidos, o vinho, e o Azeite Zé Bairrão. Também na loja, Elsa vende alimentos de produção própria que apesar de não terem o rótulo de biológicos são "feitos como se fossem para nós", diz Elsa, e se a marmelada feita por si é de pecar, mas comer mais, os legumes certamente não ficam atrás.

Almoço — Do tradicional ao vegetariano e saudável

Começando pelo tradicional e por uma mesa cheia, não a casa porque em tempo de pandemia a distância de segurança prevalece nos restaurantes, ao chegar ao Santa Isabel, também no Centro histórico de Abrantes, é logo servida uma cesta com pão escuro e broa de milho que servem de base ao presunto de pata negra (8,5€) e ao queijo serra da gardunha (2€).

As entradas já prometem, mas a gastronomia da região é servida mal sejam esvaziados os pratos da entrada. Venham os filetes de polvo com arroz malandrinho de feijão (14,5€), arroz esse que é conhecido como o melhor do mundo e que apesar de não ter nenhum reconhecimento oficial, meia palavra dos clientes basta. Outro dos pratos da casa é o churrasquinho de porco preto com migas de alheira (14,5€). Aliás, basta ter migas a acompanhar e o prato já chama tradição.

Para sobremesa, que não tem hipótese de não caber, sempre pode partilhar. Basta pedir o pijama de doces conventuais (9,2€) que traz um pouco de todos os doces que não pode sair de Abrantes sem provar: desde a palha de Abrantes à tarte de coco.

Para quem não é de carne nem peixe, tem opções no Val, Casa de Comeres. Este espaço abriu em agosto do ano passado e oferece alternativas vegetarianas, vegan ou simplesmente saudáveis. Pela ementa, que muda todos os dias, já passaram pratos como vegetais à brás, massada de cogumelos e brócolos, tofu espiritual (6,50€) e para sobremesa pode calhar uma tarte de requeijão ou um bolo vegan de chocolate (1,5€).

Visitar Constância

O município de Constância, onde se encontra o Tejo e o Zêzere, é conhecido como vila poema. Porquê? Porque por aqui, dizem, passaram poetas, reis e nomes como Vasco de Lima Couto e Alexandre O'Neill, já para não falar de Luís Vaz de Camões que embora tenha morrido a 10 de junho de 1580, nesta vila continua bem vivo por toda a parte.

Camões dá nome ao Jardim-Horto, no qual está inserido um painel de azulejos que apresenta as partes do mundo que o mesmo percorreu, à loja de produtos regionais "Camões com Sabor" e, claro, ao Monumento a Camões virado para o Zêzere.

Horário: de segunda a sexta-feira das 9h às 12h30 e das 14h às 18h. Sábados, domingos e feriados das das 14h às 18h.
Preços: desde 1€ para estudantes e séniores (a partir dos 65 anos) até aos 1,50€ para adultos. Para crianças até aos 9 anos é gratuito;
Localização:

Não tão poético era o nome que esta vila tinha inicialmente, Punhete, passando só mais tarde para Constância. Além de todas as referências a Camões, pode ainda descobrir (com marcação prévia) o Centro de Ciência Viva, onde os miúdos que vão poder explorar o avião a jato T33 cedido pela cedido pela Força Aérea Portuguesa ou o parque de astronomia.

Para os que gostam de caminhadas, é possível ver um pouco de tudo o que há em Constância através de um percurso pedestre acompanhado pelo património natural de Constância. Para isso, basta enviar um e-mail: parqueambiental@cm-constancia.pt.

Constância
Constância créditos: Carlos Bernardo

Jantar — Dom José Pinhão

Por esta altura o apetite já deve estar acentuado. Estando num restaurante junto ao rio, o Dom José Pinhão ainda em Constância, seria de esperar que a ementa também tivesse ligação ao mesmo. Mas já lá vamos. Antes do prato principal, pode começar pelo queijo regional (2,85€) e as azeitonas com ervas (1€), sem esquecer de guardar espaço para as especialidades da casa.

Uma delas são os lombinhos de fataça com açorda de ovas (13€) e se não sabe o que é fataça, passamos a explicar: é um peixe de água doce, que no caso é frito e tem um toque suave a limão. Por aqui também é famoso o lombinho de javali (12,75€) para quem gosta de guardar o peixe para o jantar. Para finalizar, um leite de creme ainda com o agradável cheiro a queimado do maçarico e servido quente (2,50€). Agora sim parámos com as descrições de fazer crescer água na boca. Ainda aguenta as imagens?

Quinta de Santa Barbara

Depois da agitação do primeiro dia, falta saber onde dormir. Neste caso sugerimos a Quinta de Santa Bárbara, em Constância, uma mansão do século XV transformada num empreendimento de turismo rural. Além da paisagem rural e dos jardins, a piscina vem a calhar já que as temperaturas não parecem baixar nos próximos tempos.

É caso para dizer que o tempo passa por aqui porque os elementos do século XV continuam presentes e vão desde os quartos ao restaurante, o Refeitório Quinhentista, localizado na antiga adega, com tectos abobadados e paredes em pedra. O preço de uma noite para duas pessoas é de 75€ com pequeno-almoço incluído. E o que é que este inclui? Ovos e bacon acabados de fazer, fruta, sumo de laranja natural, iogurte, café ou chá, pão, cereais, croissants e compotas caseiras. Vai conseguir dormir a pensar nesta mesa?

Dia 2

Museu Metalúrgica Duarte Ferreira

Logo depois do pequeno-almoço reforçado, pode seguir para uma visita a um dos pontos mais marcantes no Tramagal, freguesia do concelho de Abrantes, e também na história dos portugueses. O nome pode, para já, não dizer-lhe nada, mas basta deparar-se com as frigideiras, tachos ou cafeteiras da marca “Águia” que a sua avó ou mãe ainda tem lá por casa para sentir de imediato uma ligação familiar à Metalúrgica Duarte Ferreira.

Aliás, é do conceito de família que esta empresa ainda vive, estando Duarte Ferreira no centro da mesma, cuja história é apresentada numa visita guiada feita por Lígia Marques, que conhece o legado da Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF) de uma ponta à outra.

MDF
créditos: Carlos Bernardo

O Museu, inaugurado em 2017, situa-se no edifício que funcionava como o escritório principal da fábrica e ao longo do percurso, que se inicia, literalmente, a picar o ponto tal como os trabalhadores da empresa faziam, vamos viajando do presente para o passado da MDF, conhecida pelo símbolo da borboleta.

Esta teve uma importância fulcral para a população local, uma vez que apoiou atividades associativas, criou uma caixa de providência, entre outras iniciativas sociais, particularidades que ainda hoje fazem com que os ex-trabalhadores se considerem membros da tal família da MDF.

O Museu Metalúrgica Duarte Ferreira foi o museu do ano em 2019, não pela dimensão física, mas histórica. Para visitar, basta marcar a visita, requisito essencial devido à COVID-19. A entrada é gratuita.

Localização: Rua do Comendador Eduardo Ferreira, N.º 116, 2205-697, Tramagal
Contacto: 968504601
E-mail: museumdf@cm-abrantes.pt
Horário: De quarta-feira a domingo entre as 10h e as 12h30 e as 14h e as 18h30

Adega Casal da Coelheira

Branco, tinto ou rosé: eis a questão. Na dúvida, o melhor é provar todos e é isso mesmo que pode fazer no Casal da Coelheira, também no Tramagal. A quinta do Casal da Coelheira tem já uma longa história, um pouco mais curta nas mãos da família do enólogo Nuno Falcão Rodrigues, que nos contou o percurso da marca de vinhos premiados.

Casal da Coelheira
Enólogo Nuno Falcão Rodrigues créditos: Carlos Bernardo

Os vinhos eram outro dos ramos de atividade da família Duarte Ferreira, apesar de vinhos e metalúrgica não terem nada que ver, mas o empenho em cada um dos projetos fez com que marcassem o Tramagal até hoje.

O trabalhado principal acontece nas vinhas, mas é na adega que podemos ver (e degustar) o produto final. Ainda com a arquitectura tradicional ribatejana, a adega combina traços antigos com estruturas modernas. É aqui que tudo acontece, desde o processamento da uva em função das características de cada vinha até ao vinho acabado.

Para conhecer cada um deles, incluindo o rosé distinguido como o Melhor Rosé, em 2015, no Concurso de Vinhos do Tejo em Portugal e com uma medalha de ouro no concurso mundial em Bruxelas, Bélgica, em 2010, basta marcar uma visita à adega Casal da Coelheira.

Localização: Estrada Nacional 118, Nº1331 | 2205-645 Tramagal – Portugal
Contacto: 241 897 219 / 241 897 802
E-mail: geral@casaldacoelheira.pt

Casal da Coelheira
Casal da Coelheira créditos: Carlos Bernardo

Piquenique no Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes

De volta a Abrantes e já de vinho do Casal da Coelheira na mão, é altura de fazer um piquenique na margem sul da zona ribeirinha do Aquapolis junto ao Tejo. Para acompanhar o vinho da região, o lanche só precisa de mais alguns produtos regionais. Ah, e de uma toalha aos quadradinhos típica de piquenique.

Se nos passeios que fez pelo Centro histórico de Abrantes e por Constância já adquiriu produtos da região o lanche está completo, caso não, há quem monte a cesta por si. A TAGUS, não o park, mas sim a Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, tem como missão mostrar o melhor que há nos concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e concelhos limítrofes. E se o melhor for um queijo de cabra curado com capa de pimentão do Brejo da Gaia, os cubos de marmelada Quinta do Côro ou as tigeladas da pastelaria Tágide Gourmet, então vai lá estar tudo.

piquenique
Piquenique créditos: Carlos Bernardo

Jantar — Túlipa

Devíamos ter avisado previamente que para conhecer o Ribatejo Interior há uma regra: a palavra "cheio" não entra no vocabulário. Tem de haver sempre um espacinho para provar algo mais. Desta vez é no restaurante Túlipa, em Pego, no conselho de Abrantes, no qual mais uma vez o peixe é prato de ordem (mas não só).

Localização: Estrada Nacional 118, 2205-324 Pego, Santarem, Portugal
Reservas: 241 833 128
Horário: De quarta a segunda-feira entre as 12h e as 15h e das 17h às 23h

António Larguinho, natural de Sines, é quem trata de quase tudo na cozinha, mas se há coisa onde ninguém mexe é no marisco, escolhido e preparado por si, chegando fresco e uma parte ainda vivo ao restaurante todas as quintas-feiras. Além do marisco, há também bacalhau assado com batata a murro (11€) ou o clássico da casa, lombinhos na frigideira com camarão (23€ para duas pessoas).

Monte da Várzea

"Pare. Afaste-se de todas as pessoas com quem estiver. Tire a máscara. Agora sim pode respirar como deve ser (maldita máscara) e desfrutar do cheiro da natureza singular". Onde é que já leu isto? Aqui mesmo. E é também aqui, no Monte da Várzea, em Alvega, Abrantes, onde os filtros não são bem vindos: quer os das máscaras (por breves instantes) e o das fotografias, porque não vai mesmo precisar.

"Eu sou produtora de pequenos frutos. Sou da parte agrícola. Toda a minha área é a biodiversidade, agricultura sustentável, sustentabilidade. Aplico estes conceitos na prática, na produção de alimentos", conta à MAGG Manuela Ruivo, diretora do Monte da Várzea, mas que em tempos já foi formadora com base no mestrado em produtos fitofarmacêuticos e diretora na cooperativa Agromais.

A agricultura não ficou para trás, mas foi-se dedicando a outras áreas quando conheceu Francisco Romãozinho, a quem casa pertencia inicialmente a casa e cujo terreno fazia barreira com o de Manuela. Conheceram-se quando Francisco Romãozinho, referência internacional por ter ganhado o Campeonato Mundial de Rally em 1973, quis comprar um terreno ao lado do de Manuela para aumentar a exploração e a "partir daí ele nunca mais me largou", diz Manuela, acrescentando que o espírito empreendedor e o gosto pela terra são influências do mesmo.

Francisco Romãozinho morreu em março, deixando um legado imenso e um monte, o Monte da Várzea, cujo destino já tinha traçado. "Uma das coisas que ele disse desde início é que era eu que ficava a gerir e está acontecer, vamos ver", diz Manuela. A verdade é que a paixão pela terra e pelos automóveis ficou também nas veias da nova gerente da propriedade, que de forma destemida deu-nos a conhecer um trilho aventureiro através do qual se pode ver um fantástico pôr do sol — e Manuela revela qual o ângulo para o captar na fotografia — e recantos que parecem encaixados numa outra dimensão.

Lembra-se quando no filme "A Pequena Sereia" Ariel e o príncipe Eric foram passear de barco ao som da música "Kiss the Girl" e entram numa zona pantanosa mágica, própria dos filmes da Disney? É neste cenário que se vai sentir ao entrar num desses recantos, mais romântico se for a dois. Outra das particularidades da propriedade é que aqui tem lugar uma das árvores mais antigas de Portugal, com 3 mil anos.

Mas experiências, palavra tão em voga, não faltam: andar de canoa, apanhar uma espiga na altura da colheita do milho, os miúdos podem dar passeios de trator com os responsáveis da propriedade, pode fazer um piquenique ou até um churrasco.

Para rematar, falta só saber o que tem o pequeno-almoço. Além do pão branco, escuro, até de leite, é servido sumo de laranja natural, manteigas, queijos, fruta, iogurte e cereais, tigelada, e ainda compota de mirtilo e mel produzidos no Monte da Várzea, o mesmo onde anda um pastor as suas ovelhas, cuja criação é em parte usada na cozinha do restaurante Entre Milhos do alojamento.

Está a decorrer uma promoção de férias, cujo valor a partir de três noites para duas pessoas é de 190€.

Dia 3

Centro histórico do Sardoal

É na Semana Santa e na Páscoa que o Sardoal se enche de gente, festa e misticismo marcado pelas capelas enfeitadas e pelas procissões, mas qualquer época é boa para conhecer a história desta vila.

O património de fé e religiosidade é um ponto assente no Sardoal e pode ver visitado durante todo o ano. Começando na Igreja Matriz, com elementos góticos e onde pode ver a mais antiga imagem da Igreja — a uma Pietà de pedra —, passando para a Igreja da Misericórdia, a Capela de Nossa Senhora do Carmo e do Espírito Santo, até chegar ao Convento de Santa Maria da Caridade, que fica no cimo de uma escadaria singular, estes são apenas alguns dos pontos mais importantes.

Sardoal
Sardoal créditos: Carlos Bernardo

O percurso pode ser percorrido com ajuda de um guia que conta a história do património da vila, ou sozinho, na busca da inspiração pelo qual esta vila é tão procurada. Se Sardoal ganhar as 7 Maravilhas da Cultura Popular, vai reforçar uma das suas atrações: as Capelas enfeitadas com tapetes de flores, que são estendidos à porta das Capelas na Semana Santa de Sardoal, e que derrotaram 140 finalistas regionais. Os resultados são divulgados a 5 de setembro.

Apesar de não ser concorrente às 7 Maravilhas, de sete e mais produtos incríveis é composto o espaço Cá da Terra: um ponto de saída para levar as últimas tigeladas das férias, o mel regional para oferecer e o vinho para juntar à garrafeira (ou beber mal chegue a casa). Não se preocupe que também há queijos e a lista não fica por aqui.

Marcar uma visita guiada ao centro histórico: turismo@cm-sardoal.pt
Contacto do posto de turismo: 241 851 498
Contacto da Câmara Municipal de Sardoal: 241 850 000

Praia Fluvial de Fontes

Vamos contar aqui um segredo. Fica só para nós? É que se há coisas únicas que merecem ser partilhadas e ao mesmo tempo cuidadas, a Praia Fluvial de Fontes, em Cabeça Ruiva, Abrantes, é uma delas. É apenas uma das praias fluviais da Barragem Castelo de Bode, mas tem tudo aquilo de que precisa para um dia de praia e, no caso, encerrar as férias.

Entre a Zona Balnear de Montes e de Vila nova, a praia Fluvial de Fontes é marcada pelo azul: o da água cristalina e da bandeira azul. É o local perfeito para os miúdos passarem o tempo a dar mergulhos na piscina flutuante, para percorrer em família o per­curso Pedestre da Grande Rota do Zê­zere, descobrir paisagens onde o verde da natureza se cruza com o azul do Zê­zere e ainda fazer uma série de atividades náuticas, como andar de canoa (10€), passeios de barco (10€), WakeBoard (140€) ou fazer  Ski Aquático (35€).

Sem ter de se deslocar, pode mesmo passar todo o aqui o dia, porque além da piscina flutuante, o bar Tasquinha ao Rio tem tudo aquilo de que precisa para uma refeição leve já que não há tempo a perder com digestões. Saladas, hambúrgueres e iogurte com granola e fruta são algumas das opções do bar com explanada e vista para a piscina fluvial e para a barragem Castelo de bode. Os tons brancos e decoração descontraída do Tasquinha ao Rio vão fazer com que se sinta algures no Hawai, mesmo que esteja apenas junto ao Zêzere.

Praia Fluvial de Fontes
Praia Fluvial de Fontes créditos: Carlos Bernardo

A MAGG esteve acompanhada de Carlos Bernardo, criador do projeto O Meu Escritório é lá Fora!, em parceria com a Tagus, Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, com o objetivo de descobrir os municípios de Abrantes, Constância e Sardoal.

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