Depois de um surto de COVID-19 num lar de Reguengos de Monsaraz, que causou a morte a 18 pessoas, o relatório da Ordem dos Médicos que investigou o sucedido revela a falta de higiene e medidas de segurança das instalações. De acordo com o mesmo relatório, os profissionais que trataram os utentes do lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) encontraram idosos desnutridos, desidratados, alguns apenas de fralda e em quartos sujos, com lixo e vestígios de urina seca no chão. Além disso, utentes com resultados positivos para o novo coronavírus partilhavam quarto com outros ainda a aguardar diagnóstico, bem como espaços comuns como casas de banho. E nenhum deles usava máscara.

O lar registou o primeiro caso positivo de COVID-19 a 17 de junho, mas só foi visitado pela Segurança Social cerca de uma semana depois, a 23 de junho, avança o "Correio da Manhã". Só aí foram separados os casos positivos dos restantes utentes, e colocados no primeiro andar. E apenas depois de oito pessoas morrerem é que os restantes 60 infetados foram levados para o pavilhão multiusos da cidade, depois de ativado o Plano Municipal de Emergência.

Alimentação nos lares de idosos: “Nós, se tivéssemos de almoçar ali, perderíamos o apetite"
Alimentação nos lares de idosos: “Nós, se tivéssemos de almoçar ali, perderíamos o apetite"
Ver artigo

No relatório, existem várias denúncias feitas pelos profissionais, desde a falta de locais para os médicos e enfermeiros trocarem de roupa, bem como a escassez de esquipamentos de proteção individuais com tamanhos adequados. Outra falha apontada é a inexistência de um plano de contingência por parte do lar, bem como registos clínicos atualizados dos 84 utentes.

No mesmo relatório da Ordem dos Médicos, pode ler-se que "os quartos e corredores não tinham frascos de gel de desinfeção das mãos", nem "aparelhos de climatização ou circulação do ar, pelo que os quartos se encontram a temperaturas elevadas". Vários doentes referiram que não tomavam remédios "há vários dias", por não haver ninguém que os preparasse ou administrasse. Entre esses medicamentos, estavam fármacos como a varfarina (prevenção de tromboses) ou a insulina.

Estas notícias sobre as condições do lar de Reguengos de Monsaraz, onde um surto de COVID-19 matou 16 idosos, uma funcionária e um homem na comunidade, surgem depois de Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ter alegadamente desvalorizado a situação nos lares portugueses ao afirmar, numa entrevista ao jornal "Expresso", que “a dimensão dos surtos nos lares não é demasiado grande”.

Depois de ser alvo de duras críticas devido à afirmação publicada na entrevista de 15 de agosto, o gabinete do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social já emitiu um esclarecimento, indicando que “a frase escolhida para título foi descontextualizada de forma grave”.

"Retirar uma parte essencial da frase, descontextualizando-a, e dando assim a entender que o governo não considera graves os números de mortes em lares em Portugal, é um ato grave e que, como tal, deve ser desmentido”, pode ler-se no mesmo esclarecimento. Na mesma entrevista, Ana Mendes Godinho assumiu que não leu o relatório da Ordem dos Médicos sobre o surto no lar de Reguengos de Monsaraz, tendo pedido “que o analisassem”.

Subscreva a newsletter da MAGG.
Subscrever

As coisas MAGGníficas da vida!

Siga a MAGG nas redes sociais.

Não é o MAGG, é a MAGG.

Siga a MAGG nas redes sociais.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.