Uma auxiliar de enfermagem de um hospital do norte de Madrid, em Espanha, foi multada em San Sebastián de los Reyes, por estar a levar comida aos pais de 89 e 85 anos, na companhia da filha.

Foi a caminho desta residência, onde também vivem os irmãos — um com 57 anos e outro de 61, portador de deficiência — que foram mandadas parar pelas autoridades responsáveis por fazer cumprir as regras do estado de emergência em que o país mergulhou para travar a pandemia COVID-19. No porta bagagem do carro tinham bens essenciais no valor de 200€, conta o "El Mundo".

Segundo o mesmo jornal, a compra dos produtos tinha sido feita neste mesmo dia, 22 de março, o único de folga desta funcionária de saúde — a filha ia consigo de modo a que a pudesse ajudar a transportar as compras, uma vez que os pais vivem num segundo andar de um prédio sem elevador.

O erro, disse a mulher, foi que ambas iam sentadas no lugar da frente do carro. "A polícia nacional deteve-nos no posto de controle. Com gentileza, expliquei que íamos a casa dos meus pais levar as compras. Até lhes disse para olharem para o porta bagagens que ia cheio", disse, citada pelo mesmo jornal. "

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A mulher quis comprovar esta deslocação mostrando o seu bilhete de identidade, mostrando ainda a dos pais, que carregava consigo para o caso de serem paradas pela polícia.

Mas não valeu a pena. "O agente disse-me que não podíamos ir duas pessoas à frente sem máscara. Eu disse que eu e ela [a filha] morávamos juntas. A minha filha até lhes mostrou a identificação para provar que morávamos no mesmo local. Também mostrei a identidade dos meus pais, novamente. No entanto, nada convenceu a polícia, que começou a preencher o boletim."

A enfermeira não se conteve. "Estava no carro e houve um momento em que parei de falar e começaram a cair-me lágrimas de raiva e desamparo, porque tínhamos tido uma semana muito difícil no hospital."

A multa do agente dizia que estava um carro a "transportar duas pessoas para fazer uma compra sem justa causa, violando as regras do estado de emergência."

"Não sei porque é que ele me fez tantas perguntas, porque nada do que eu lhe dissesse importava. Ele não me perdoou. Entendo que eles façam estes controles, mas devem ter em conta as situações excepcionais", disse Maria José.

A 24 de março, terça-feira, José Luis Martínez-Almeida, presidente da Câmara Municipal de Madrid, anunciou, em entrevista ao "Europa Press", que a Polícia Municipal da capital espanhola iria multar os cidadãos que, a circular para ir e voltar do trabalho, não tivessem prova da empresa. Ainda assim, logo de seguida, o vice-presidente da Polícia Nacional negou a existência de uma alegada ordem do Ministério do Interior, para castigar aqueles que não tivessem esta prova específica.

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