O Papa Francisco desistiu de ir a Kiev por considerar que de nada vale ir à Ucrânia se a guerra continuar, e também porque isso poderia pôr em causa a batalha que tem sido travada pelos ucranianos contra as forças russas.

"Não posso fazer nada que coloque em risco objetivos maiores, que são o fim da guerra, uma trégua ou mesmo um corredor humanitário. De que adiantaria o Papa ir a Kiev se a guerra continuasse no dia seguinte?", questionou Francisco numa entrevista dada ao jornal "La Nación", esta sexta-feira, 22 de abril.

A afirmação foi proferida depois de o jornalista perguntar porque é que a mais alta figura da igreja ainda não foi a Kiev, "onde certamente as pessoas comuns o esperam", questão que o Papa continuou a aprofundar.

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Francisco foi ainda questionado sobre o facto de nunca falar de Putin ou da Rússia, justificação que não hesitou em dar. "Um papa nunca nomeia um chefe de Estado, muito menos um país, que é superior ao seu chefe de Estado”, esclareceu o pontífice.

Sobre a visita à embaixada russa no Vaticano assim que a Ucrânia foi invadida, o Papa revelou que foi uma decisão tomada numa noite e explicou ainda porque foi sozinho. "Não queria que ninguém me acompanhasse. Era uma responsabilidade pessoal minha. Foi uma decisão que tomei numa noite de vigília a pensar na Ucrânia. É claro, para quem quiser ver bem, que estava a mostrar ao governo que pode acabar com a guerra. Para ser honesto, gostaria de fazer algo para que não haja mais uma morte na Ucrânia. Nem mais um. E estou disposto a fazer tudo para parar a guerra", disse ainda o Papa.

Além de não ir a Kiev, o Papa também já não vai a Jerusalém em junho para se encontrar com o patriarca ortodoxo Cirilo, que apoiou a invasão russa na Ucrânia. A realizar-se, o reencontro aconteceria ao fim de seis anos desde que os dois estiveram juntos em Havana naquela que foi a primeira vez que os chefes das duas igrejas se reuniram depois do Grande Cisma de 1054.

“A nossa diplomacia entendeu que um encontro dos dois neste momento poderia causar muita confusão. Sempre promovi o diálogo inter-religioso. Quando era arcebispo de Buenos Aires, reuni cristãos, judeus e muçulmanos num diálogo frutífero, iniciativas das quais mais me orgulho. É a mesma política que promovo no Vaticano”, disse.

Apesar de ter um “muito bom” relacionamento com o patriarca ortodoxo Cirilo, o Papa lamentou que “o Vaticano tenha tido de suspender um segundo encontro”.

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