Derek Chauvin, agente envolvido na detenção de George Floyd em maio do ano passado, foi considerado culpado das três acusações de homicídio pelo júri do tribunal de Mineápolis esta terça-feira, 20 de abril. O polícia arrisca agora uma pena de prisão várias décadas, cuja sentença só será conhecida daqui a oito semanas após nova avaliação do juiz Peter Cahill, que presidiu ao julgamento. Até lá, Derek Chauvin ficará detido.

As três acusações contra Derek Chauvin, de 45 anos, dizem respeito a homicídio não intencional em segundo grau (punível até 40 anos de prisão), homicídio em terceiro grau (punível até 25 anos de prisão) e homicídio involuntário de segundo grau (punível até 10 anos). A primeira acusação, de homicídio não intencional em segundo grau, é a mais grave, contudo, os 40 anos de prisão previstos são normalmente reduzidos nos casos em que não há precedentes, como o do agente acusado, o que significa que a pena pode ficar entre os dez e os 15 anos de prisão.

A decisão do júri acontece após terem sido ouvidas 38 testemunhas durante três semanas, entre finais de março e a semana passada, como o responsável máximo da polícia de Mineápolis e ex-chefe de Derek Chauvin, Medaria Arradondo, e o pneumologista Martin Tobin — ambos decisivos para a condenação de Derek Chauvin.

A fase de deliberação começou esta segunda-feira, 19, no entanto, o veredito só chegou na terça-feira, após nova reunião e passadas dez horas de deliberação até ao momento em que os jurados entraram em acordo sobre a decisão a respeito de Derek Chauvin.

Agora, cabe ao juiz Peter Cahill avaliar o veredito para decidir que pena aplicar, tendo em consideração se o agente merece ser punido como qualquer outra pessoa sem antecedentes criminais ou se vai aceitar o pedido da acusação e levar em consideração circunstâncias agravantes.

Contudo, sabe-se que é provável que a defesa de Derek Chauvin peça recurso, conforme já tinha anunciado caso o agente fosse acusado pela morte de Floyd, e há ainda a possibilidade de o advogado do polícia, Eric Nelson, pedir a anulação do julgamento devido a ocorrências antes do julgamento, como ter sido fechado um acordo de indemnização para a família de Floyd, de acordo com o jornal "Público".

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A decisão foi recebida com entusiasmo pelos manifestantes que se encontravam à porta do tribunal e suscitou várias reações. Umas delas foi o presidente, Joe Biden, que deixou no Twitter uma mensagem, destacando que "apesar de nada poder trazer George Floyd de volta, pode ser um passo gigante no caminho pela justiça na América".

Já o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a mulher, Michelle Obama, reconhecem que o júri fez a coisa certa, mas que a "verdadeira justiça requer muito mais".

Também o irmão de George Floyd, Philonise Floyd, depois de saber que o polícia que provocou a morte do irmão foi considerado culpado pelas três acusações, disse que foi "um grande alívio". "Hoje não vou conseguir dormir, porque vou ficar acordado a celebrar, porque é dia de celebrar. Estou feliz", disse à CNN, acrescentando que o facto de se ter feito justiça para George, significa justiça para todos.

George Floyd morreu nas mãos da polícia dos Estados Unidos a 25 de maio do ano passado, quando Derek Chauvin lhe pressionou o pescoço com um joelho durante mais de nove minutos, deixando-o sem conseguir respirar. As suas últimas palavras foram "não consigo respirar”. George Floyd foi detido por comprar cigarros com uma nota falsa.

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