Fingia ser filho de Lev Leviev, conhecido pelo "rei dos diamantes" e CEO do grupo LLD Diamonds, apresentava-se sob o nome de Simon Leviev e seduzia mulheres na aplicação de encontros Tinder. Quando a relação começava a avançar, alegava estar a ser perseguido por inimigos e pedia-lhes o cartão de crédito emprestado, única e exclusivamente para poder sobreviver. Pedido a que as vítimas respondiam sem pensar duas vezes, sob a ilusão de socorrer o namorado dos seus sonhos.

Era um plano quase perfeito, mas não teve um final feliz. Pelo menos, para as vítimas que, anos depois, continuam a pagar empréstimos, enquanto o burlão viaja pelo mundo, em liberdade e sem dívidas.

Vem aí um novo documentário sobre um sedutor vigarista do Tinder. Saiba quando estreia
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É esta a história de Shimon Hayut, nome verdadeiro do falso magnata, que chegou à Netflix pelas vozes de Cecilie Fjellhoy, Pernilla Sjöholm e Ayleen Charlotte, três vítimas do golpe do israelita, através do novo documentário "O Impostor do Tinder". Estreou-se na Netflix a 2 de fevereiro e, desde aí, marca presença nas tendências tanto da plataforma de streaming como das redes sociais. 

O protagonista (e vigarista) roubou as namoradas, foi investigado, preso e mais tarde libertado, mas já anunciou que não vai permitir que circule uma versão fraudulenta do que aconteceu e garante estar prestes a divulgar a sua própria versão da história, sob ameaça de processar os produtores do documentário.

No entanto, os registos bancários não mentem: até à data, segundo as autoridades, no total terá roubado mais de 10 milhões de dólares (cerca de 8.76 milhões de euros), que as vítimas ainda estão a pagar. Ainda assim, só depois de o documentário se estrear na Netflix é que houve repercussões reais no que ao rasto digital do israelita diz respeito.

Se ficou indignado com o final do documentário "O Impostor do Tinder", é provável que fique satisfeito pela mais recente decisão do Tinder: Shimon Hayut foi oficialmente banido de forma permanente pela empresa responsável pela aplicação. "Fizemos uma investigação interna e Simon Leviev já não está ativo no Tinder sob nenhum dos seus pseudónimos conhecidos" anunciou, no dia 4 de fevereiro, a empresa através de um comunicado citado pelo  jornal "TheWallStreet". Está ainda proibido de usar os sites e aplicações de encontros do MatchGroupInc. — Match.com, Plenty of Fish, Dobradiça e OkCupid.

Recorde-se de que a história de vigarices de Shimon já tem mas de 11 anos. O falso magnata fugiu de Israel, o seu país de origem, em 2011, quando era procurado por roubo, falsificação e fraude, já depois de ter enganado uma família nos Estados Unidos, a quem roubou cerca de 32 mil euros em 2008. Depois, foi para a Finlândia, onde acabou condenado a dois anos de prisão, em 2015, por ter enganado três mulheres. Mas a saga continua, avança o jornal "Observador".

Em 2017 foi extraditado para Israel, mas voltou a fugir, para dois anos depois ser novamente preso na Grécia. De novo extraditado, foi condenado a 15 meses de prisão por fraude e a pagar 38 mil euros de indemnização a vítimas. Só cumpriu 5 meses, saiu por bom comportamento, e já está livre, em paradeiro incerto, com uma nova namorada, com a qual publicava fotos nas redes sociais, enquanto desfrutava de uma alegada vida milionária.

"Não acredito que conheci o impostor do Tinder"

Mas as repercussões do documentário não ficam por aqui e o "Impostor do Tinder" não só expôs o esquema de Shimon às várias vítimas de burla, como revelou a identidade do falso magnata a todos aqueles com que se cruzou, incluindo artistas internacionais. Como é o caso de French Montana, que fez questão de partilhar publicamente que conheceu o falso magnata, sem qualquer noção de que se tratava de um vigarista

O artista de 37 anos repostou um story antigo, cuja data não foi revelada, onde se encontrava ao lado do homem que se apresentava sob o nome de Simon Leviev, Shimon Hayut.

French Montana Once Flew Private with the Tinder Swindler: 'I Can't Believe I Met' Him créditos: Instagram

E foi com recurso a emojis a rir e uma nova descrição que brincou com a situação. "Saímos agora do hospital. French Montana já está bem, já estamos bem, mas os nossos inimigos continuam atrás de nós. Enviem 50 mil dólares rápido, por favor", escreveu na sua conta oficial de Instagram, como se de palavras do vigarista se tratassem.

E o músico não foi o único a puxar pelo lado cómico das vigarices de Shimon Hayut. Também os internautas da rede social Twitter comentário o documentário com recurso à comédia.

"Anda por aí alguém a usar a camisola da Gucci do Simon", escreveu um utilizador, com recurso à imagem da vítima que, ainda hoje, vende peças de roupa do falso magnata online. "Nunca me vão apanhar nesses esquemas, só me apaixono por pobres", lê-se na mesma rede social.

Afinal, como estão as vítimas depois das burlas milionárias?

A norueguesa Cecilie Fjellhoy conheceu Shimon no Tinder, enquanto morava em Londres. Tudo parecia um sonho, diz, com longas conversas íntimas e viagens de jato privado, mas meses depois revelou-se um autêntico pesadelo, do qual ainda está a tentar recuperar financeiramente.

Ainda assim, depois do que viveu, decidiu criar uma fundação na Noruega, com o principal objetivo de ajudar outras vítimas de fraude, chamada Action:Reaction. "Ainda há muitas falhas [na forma como as vítimas são tratadas]. Precisamos de leis e legislações ", rematou Cecilie, atualmente com 33 anos, em declarações à revista "GQ".

Pernilla Sjöholm nunca chegou a manter uma relação amorosa com o israelita, mas nem a alegada forte amizade que os unia a tornou imune aos esquemas de Shimon Hayut. A norueguesa, que morava em Olso à data da fraude de que foi vítima, tem agora 36 anos e mora com a mãe. "Ainda é uma luta. Para mim, foi uma traição. O meu melhor amigo quis destruir-me", disse, em declarações à mesma revista.

Garante ter perdido mais de 60 mil euros ao longo de todo o processo de fraude, mas confessa que ganhou uma irmã durante as gravações do documentário "Impostor do Tinder". Pernilla e Cecilie tornaram-se grandes amigas e já viajaram juntas até à Grécia.

"Não acredito que conheci a minha melhor amiga desta forma", escreveu numa publicação recente, na sua conta oficial de Instagram.

Depois da estreia do documentário, Ayleen Charlotte revelou-se a mais reservada do trio de vítimas. Com apenas 26 anos, é a ex-namorada mais nova de Shimon Hayut. No entanto, revelou-se astuta e já conquistou os internautas do Twitter e não só. Recorde-se que Charlotte denunciou o israelita, guardou as suas roupas luxuosas e continua a vendê-las online. Neste caso, a vender e a utilizar, segundo as suas redes sociais.

Isto porque, recentemente, a vítima de 26 anos publicou uma fotografia no Instagram com um óculos de sol e a descrição surpreendeu os seguidores. "Sim, estes óculos são dele", brincou.

As três vítimas continuam a tentar pagar todos os empréstimos que fizeram enquanto julgavam estar a ajudar o namorado, mas qualquer pessoa pode agora juntar-se à luta de Cecilie Fjellhoy, Pernilla Sjöholm e Ayleen Charlotte. Neste caso, através da página de angariação de fundos, que já conta com mais de 59 mil euros.

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