Esta quarta-feira, 25 de março, na conferência de imprensa que dá a conhecer a situação do país em relação à pandemia de COVID-19, a diretora-geral da Saúde, Graças Freitas, e o secretário de Estado da Saúde, António Sales, explicaram que Portugal vai entrar agora na fase de mitigação da doença. “Portugal está prestes a entrar na terceira fase de pandemia, a fase de mitigação, que é mais crítica e isso exige de nós responsabilidades acrescidas”, começou por dizer António Sales. "Temos transmissão comunitária, ainda não exuberante nem descontrolada”, continuou Graça Freitas.

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“Hoje, às 00h00, vai entrar um novo plano para abordar a COVID-19. Vamos passar das medidas da fase de contenção para as medidas da fase de mitigação", disse a diretora-geral da Saúde. "Como em todas as mudanças, a fase de transição pode ter alguma turbulência. Estamos cá para resolver os problemas que vão surgindo e contamos com a ajuda de todos. Vamos prestar assistência aos doentes de acordo com o grau de gravidade da doença”.

Quer isto dizer que as medidas da fase anterior, a fase de contenção, já não são suficientes. Passou agora a não ser possível descobrir a origem da cadeia de transmissão do vírus, porque se depreende que muitos casos de COVID-19 já tenham origem em território nacional. Significa também que estas cadeiras de transmissão já estão estabelecidas e que podem ocorrer tanto em ambientes abertos como fechados. Foi, por isso, necessário acionar o nível 3, o mais crítico, com vista a minimizar a mortalidade até surgir uma vacina ou um tratamento eficaz.

O que quer dizer isto em termos práticos?

A grande diferença prende-se com o encaminhamento de doentes. Nas primeiras fases, os doentes com o novo coronavírus eram encaminhados para hospitais de referência. Agora, as repostas serão mais alargadas, todos os hospitais são chamados a dar resposta, e os doentes serão divididos em quatro patamares. Os casos mais ligeiros ficam em casa por terem sintomatologia ligeira, os moderados são seguidos em centros de saúde com áreas dedicadas ao COVID-19, os graves são encaminhados para as urgências hospitalares, através da linha SNS24, e os críticos avançam para o internamento.

Estas regras entram em vigor à meia-noite desta quinta-feira, 25 de março, e aplicam-se ao setor público e privado. A única exceção são os IPO, que não vão receber doentes infetados.

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Outra das grandes diferenças é o uso de máscara. Até aqui apenas era recomendada para pessoas com sintomas, agora o uso da mesma pode ser recomendado para pessoas mais suscetíveis em contextos de grandes multidões ou em serviços de saúde – mesmo sem sintomas. 

Com este novo plano, entram também em vigor novas medidas no que diz respeito aos lares de idosos, já que estes vão começar a poder recorrer a laboratórios privados para testar os residentes e funcionários. “Os testes serão feitos no local mais próximo para aquele lar em específico, seja no hospital, através do INEM, ou num laboratório especial”, adiantou Graça Freitas na mesma conferência de imprensa. Caso o diagnóstico seja positivo, o mais importante é “separar esses idosos dos outros”.

Estas medidas vão começar a ser tomadas depois de nesta quarta-feira, 25 de março, Portugal registar 2.995 casos de pessoas infetadas, sendo que a grande maioria está a recuperar em casa. 276 pessoas estão internadas, sendo que 61 estão nos cuidados intensivos. O número de vítimas mortais também aumentou e está agora nos 43 mortos. O número de recuperados é de 22 pessoas.

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