Às 12h30 desta terça-feira, 23 de março, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recebeu um alerta: um grupo, que não reside no bairro da Quinta das Lagoas, em Santa Marta de Corroios, no Seixal, tinha-se aproximado de um outro grupo de jovens que se encontrava à porta de um café e uma troca de palavras acabou em violência. Mas os incidentes estavam longe de terminar. Depois de as forças policiais chegarem ao local, os homens dos grupos rivais deixaram de lado os desentendimentos e uniram-se para atacar os agentes, de acordo com o jornal "Correio da Manhã".

"Depararam-se com suspeitos armados que dispararam" contra a polícia, "tendo os agentes ripostado, recorrendo igualmente a armas de fogo", relata uma fonte da Direção Nacional da PSP ao "Notícias ao Minuto".

Os gangs acabaram por se refugiar no interior do bairro de Corroios e aí permaneceram durante as cerca de oito horas da operação montada pela PSP, que tentou negociar com os suspeitos — procedimento que é usado em casos “que têm um potencial de gravidade elevado” e em que o "policiamento de patrulha” não seja possível aplicar ou seja difícil “lidar com a situação, porque a pessoa que está no centro [do potencial crime] se isolou”, explicou o intendente Nuno Carocha ao jornal "Expresso". O mesmo adianta que há profissionais  “especificamente formados para implementar a ferramenta da negociação”, que na maior parte das situações, é “eficaz”.

Contudo, a operação foi dificultada por dúvidas quanto ao número certo de suspeitos e onde estariam efetivamente barricados. “Foram feitas várias abordagens à habitação onde os suspeitos dispararam contra o efetivo policial”, “tendo-se constatado que não se encontrava nenhum indivíduo suspeito” nesse local, disse a comissária Sara Ferreira, do Comando Distrital de Setúbal, segundo o "Expresso".

O desfecho do cerco

Ao longo da tarde desta terça-feira, 23, chegaram cada vez mais reforços policiais ao local — cerca de cem elementos ajudaram a montar o cerco no bairro da Quinta das Lagoas —, foram postos drones a circular na área para identificar os suspeitos e durante horas ninguém entrou ou saiu do bairro.

As autoridades acabaram por avançar com rusgas em várias casas nos limites do bairro que um suspeito foi detido, o único, numa habituação onde foram "encontrados vários invólucros que tudo indicia pertencerem à arma, ou armas, utilizadas pelos supostos suspeitos, tendo sido acionado para o local o órgão de polícia criminal competente, a Polícia Judiciária", disse a comissária Sara Ferreira num ponto de situação após as operações. Quanto aos restantes membros dos gangues, conseguiram escapar e a PSP suspeita que dois estão em fuga.

Apesar de apenas um indivíduo ter sido detido, sem qualquer posse de arma, é conhecida a identidade de um dos suspeitos dos confrontos com as autoridades, revelada pelo "CM". Trata-se de Paulo Varela, de 35 anos, com cadastro por tráfico de droga e roubos violentos, cuja pena acabou de cumprir há poucas semanas, segundo a Esquadra de Investigação Criminal (EIC) do Seixal. Quanto aos restantes fugitivos, a EIC avança que quase todos já com têm ficha policial.

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A normalidade foi restabelecida por volta das 20h30, altura em que as famílias residentes no bairro, que esteve cercado durante horas, puderam voltar para as suas habitações. Já as autoridades abandonaram o local perto das 21h. O caso está agora nas mãos da Polícia Judiciária, que está a tentar localizar os dois suspeitos em fuga. 

O bairro da Quinta das Lagoas, em Santa Marta de Corroios, no Seixal, é um bairro ilegal que começou a crescer no início dos anos 90 com uma comunidade africana que construiu as próprias casas. Desde então que está ocupado. Não foi a primeira vez que aconteceram desacatos com a polícia neste local, sendo que a última ocorrência foi a 22 de fevereiro, noite em que um carro-patrulha da PSP que se deslocou ao local, após uma denúncia de barulho excessivo, foi atacado com dois tiros. Contudo, o suspeito acabou por escapar.

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