Os primeiros e segundos anos de escolaridade deverão ter prioridade no regresso ao ensino presencial de acordo com o calendário de desconfinamento que está a ser preparado pelo Governo. A previsão, avançada pelo jornal "Público", é também defendida por vários especialistas que consideram que já não é possível baixar mais o número de infeções e já se pode pensar na reabertura das escolas.

“O encerramento das escolas tem um impacto muito grande na sociedade e neste momento já podemos pensar em reabri-las”, disse o virologista Pedro Simas ao mesmo jornal, acrescentando que “Portugal já estará muito perto do ponto em que não é possível fazer baixar mais o número de infeções por via do confinamento”. A mesma ideia é reforçada numa carta aberta assinada por vários especialistas na área da saúde, na qual são feitos vários apelos ao primeiro-ministro, António Costa, e aos ministros da Educação e da Saúde, bem como ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Reabrir as creches e os estabelecimentos de educação pré-escolar no início de março"; "abrir o ensino básico a partir do início de março, gradualmente, a começar pelos 1.º e 2.º ciclo"; e "dar prioridade às componentes práticas do ensino artístico e profissional".

Esta sequência sugerida para o regresso ao ensino presencial é, na opinião dos especialistas, a que deve prevalecer, sempre em linha com as devidas medidas de segurança, como o uso de máscara obrigatória a partir dos 6 anos, bem como o arejamento dos "espaços, manter distâncias entre assentos, manter os mesmos lugares de assento nas salas de aula, e evitar o agrupamento de pais e alunos; reforçar o rastreamento e assegurar a quarentena de crianças e jovens em risco".

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No plano de desconfinamento que está a ser avançado pelo Governo, a ideia é deixar os alunos do ensino secundário e do superior para a última fase de retoma às escolas e universidades, que deverá acontecer em abril. A principal preocupação do Executivo é para com as crianças do 1.º ciclo, principalmente aquelas que entraram para a escola no ano letivo 2019/2020 e 2020/2021, uma vez que ambas depararam-se com períodos de confinamento que estão a afetar a aprendizagem.

Tal como apontado por Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, os professores revelam que é “difícil ensinar a ler e escrever à distância”, reforçando ainda mais a necessidade de colocar em primeiro lugar no processo de desconfinamento os alunos do 1.º e 2.º ano.

Os especialistas apontam ainda que ao mesmo tempo dos alunos do 1.º e 2.º ciclo, devem regressar ao ensino presencial “todas as crianças e jovens beneficiários da Acção Social Escolar, sinalizadas pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, ou para as quais a escola considere ineficaz o ensino à distância e estejam em risco de abandono escolar”, escrevem na carta aberta.

O plano de desconfinamento já está em fase de preparação, mas falta precisar as datas para cada fase. Contudo, segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, "este é o momento de nos concentrarmos em conter a transmissão da doença" e ainda não é "tempo de falar do tempo e de falar do modo", disse após a reunião desta segunda-feira, 22 de fevereiro, no Infarmed, apesar de reconhecer que o desconfinamento começará pela reabertura das escolas. "O último encerramento que desejámos ter feito foi o das atividades escolares. Poderá ser por aí que começaremos a desconfinar", acrescentou a ministra.

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