A data está marcada e prevê-se que no próximo sábado, 25 de julho, a Comporta, no concelho de Alcácer do Sal, receba uma festa de sexo organizada pela Purília. O nome pode soar estranho à maioria, mas a verdade é que esta não é a primeira festa organizada por esta comunidade restrita e dedicada a "satisfazer as necessidades dos seus membros e convidados", como se pode ler na declaração de intenções da empresa no comunicado de anúncio da festa.

Durante o período de desconfinamento faseado em Portugal, a 26 de junho, a organizadora promoveu uma festa de sexo em Cascais numa propriedade de luxo, com vista panorâmica para o mar e na qual estiveram presentes cerca de 70 pessoas. O evento, claro, transgrediu todas as recomendações da Direção-Geral de Saúde face ao aumento do número de casos de contágio no País.

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Mas há o risco de a história se voltar a repetir. É que a nova festa, marcada para este sábado, conta já com mais de 40 pessoas confirmadas numa altura em que estão proibidos os ajuntamentos com mais de 20 pessoas.

A Direção-Geral da Saúde considera a festa ilegal por pôr em causa a saúde pública, mas a organização defende-se dizendo que tem autorização para que o evento siga em frente. E vai mais longe ao adiantar que, nesta nova edição, só poderão entrar os "membros" — é este o nome dado àqueles que compõem a elite frequentadora destas festas — que forem testados no local para a COVID-19 e cujo resultado seja negativo, soube o jornal "Observador".

Mas afinal, o que são estas festas?

As festas privadas organizadas pela Purília são comunicadas ao público e à imprensa como eventos exclusivos para os amantes e entusiastas do sexo. Ainda que a organização garanta não promover a prostituição nas suas festas, em declarações dadas à mesma publicação, sabe-se muito pouco sobre o que, de facto, acontece nos eventos já que o acesso é muito restrito e todos os participantes estão impedidos de recolher imagens.

Esta é, aliás, uma das cláusulas presentes no contrato de confidencialidade que cada membro tem de assinar antes de entrar na festa. E são eventos geralmente frequentados por membros da elite portuguesa — como políticos e governantes, treinadores, jogadores de futebol e estrelas de televisão.

A experiência, essa, decorre em "casas históricas e sofisticadas, embarcações de luxo ou em espaços de prestígio", segundo avança a organização na sua página oficial.

O local exato, no entanto, só é divulgado aos membros a dois dias do arranque do evento através de um e-mail pessoal enviado a cada participante. A ideia é evitar que a localização do espaço seja revelada a quem não tem permissão para comparecer nas festas ou até mesmo a jornalistas.

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"A privacidade é um aspecto muito importante e que deve ser respeitado e protegido em todos os momentos", defende a Purília. Por isso mesmo, o uso de telemóvel está completamente proibido ao longo de todo o evento.

Numa festa que marca pelo "prestígio" e por algum secretismo, a atenção ao detalhe, mas também o mistério, são as imagens de marca do evento. Por isso mesmo, a estipulação de um dress code não foi ao acaso: os homens devem levar um fato escuro, com ou sem gravata, e as mulheres devem apresentar-se com um vestido de noite (ou curto). Quem quiser proteger o anonimato ao longo da festa, poderá ter acesso a uma máscara veneziana.

Quanto a materiais interditos, a Purília diz que peças à base de peles ou de latex não serão aceites à entrada. Embora a Purília promova o evento como uma festa exclusiva com erotismo, requinte e exclusividade, a imprensa portuguesa fala em "orgias milionárias" com altos nomes da elite portuguesa.

A exclusividade da festa vale cerca de 3 mil euros

Para que a exclusividade do evento seja mantida, cada participante tem de passar por um longo processo de seleção depois de se candidatar a estar presente, através do site oficial da organização. À entrada do evento, é sujeito a uma verificação de identidade para que seja provado que, de facto, é quem diz ser.

Mas é o dinheiro que faz desta festa uma das mais exclusivas da região. É que, depois do evento, que vai arrancar com um cocktail Moet & Chandon de boas-vindas e que continua com um jantar, nem todos os participantes vão poder permanecer no local.

Isto significa que depois do jantar, só um número reduzido de convidados terá a oportunidade de passar a noite inteira no espaço. Essa permanência, no entanto, só é válida depois de confirmado o aluguer de uma suite privada, cujo valor pode chegar aos cerca de três mil euros por casal.

Sobre o que acontece ao longo dessa noite, e no decorrer de todo o evento, pouco se sabe.

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