Vários profissionais de saúde assinaram uma carta partilhada com o jornal “Expresso” onde acusam o Governo de não estar a preparar o Serviço Nacional de Saúde para o inverno — em que se prevê surtos de gripe e possivelmente uma segunda vaga de COVID-19. Luís Campos, presidente do Comité de Qualidade e Assuntos Profissionais da Federação Europeia de Medicina Interna; Kamal Mansinho, diretor do Serviço de Infecciologia do Hospital Egas Moniz; Paulo Telles de Freitas, diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Amadora-Sinta, Víctor Ramos, professor na Escola Nacional de Saúde Pública e Constantino Sakellarides, ex-diretor-geral de Saúde, são os profissionais que assinam o documento e pedem a implementação de várias medidas.

No próximo inverno iremos enfrentar a habitual sobrecarga das urgências e dos hospitais pela gripe sazonal e por outros vírus respiratórios, agravados por estes doentes terem de ser abordados como potenciais infectados por SARS-CoV-2. Em simultâneo, poderemos ter uma segunda vaga de COVID-19, sendo ainda imperioso preservar a capacidade de resposta para todas as outras doenças, além do esforço adicional para recuperar a atividade adiada na primeira fase de pandemia. Digamos que estamos perante o cenário de uma tempestade perfeita no campo da saúde”, pode ler-se na carta.

A mesma continua ao aplaudir a “dedicação” dos profissionais de saúde e explica que a próxima temporada traz desafios para o SNS. “Corremos o risco de o próximo inverno poder pôr a nu algumas das fragilidades mais críticas do SNS: o reduzido nível de integração entre os vários níveis de cuidados, a falta de recursos humanos e financeiros e o excesso de centralismo nas decisões”.

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“As urgências hospitalares vão colapsar se não atuarmos a montante. O internamento irá transbordar se não interviermos a jusante”. Quer isto dizer que é necessário intervir de forma atempada, com “medidas excecionais”. Assim, esta carta apresenta diversas precauções que devem ser acauteladas antes da chegada do outono.

É essencial a “colaboração dos cuidados primários no atendimento aos doentes com sintomas gripais ou infeções respiratórias em estruturas dedicadas fora do espaço das urgências”, é necessário que se implemente uma política de testes rápidos para os mais variados vírus respiratórios, e a Saúde 24 deverá assumir o papel de referenciação dos doentes. Além disto, os doentes sem situação urgente deveriam ser atendidos nos centros de saúde para libertar as equipas hospitalares.

Mas não é só. Segundo os vários profissionais que assinaram a carta é imperativo que se aumente a capacidade do internamento hospitalar, quer nos cuidados intensivos, quer nos outros serviços de internamento. Deve também criar-se locais, com o apoio das autarquias, que permitam receber os doentes COVID e preparar-se alternativas ao internamento do SNS.

Outra questão abordada no documento é o esgotamento dos profissionais que lidam com os doentes infectados com o novo coronavírus. “É premente dar descanso e compensar os profissionais que lidam com os doentes infectados por SARS-CoV-2”, alertam. “Muitos estão exaustos e desmotivados”.

A juntar a todas estas medidas, é necessário que haja também uma campanha para “minimizar a transmissão” da doença. É preciso “controlar surtos, prevenir a infeção, unificar os registos e partilhar os dados, separar áreas COVID-19 e não COVID-19 e manter a atividade programa”, pode ler-se. “Não há solução simples para problemas complexos, por isso todos temos que colaborar para que o próximo inverno não se transforma num inferno no campo da saúde”.

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