A 12 de setembro teve lugar no Capitólio, em Lisboa, o concerto solidário "Juntos pelo Iémen", evento, que será transmitido na RTP e cujo objetivo seria chamar atenção para a crise humanitária que o país do Médio Oriente atravessa, a maior da atualidade, considerou já a Organização das Nações Unidas, na sequência de uma Guerra Civil que já dura desde 2015.

O evento amealhou, através da venda de bilhetes e recolha de donativos, 3.238€ para os Médicos Sem Fronteiras e custou 16.760€ à Câmara Municipal de Lisboa, relata a revista "Sábado".

Segundo a mesma revista, o concerto que foi organizado e promovido pela atriz Cláudia Semedo, e que contou com a atuação de reconhecidos artistas portugueses como Ana Moura, Carlão, Branko ou Dino D'Santiago, além da componente humanitária, teve também como objetivo ajudar os artistas portugueses: cada um, terá, através do montante cedido pela câmara, recebido mil euros, o que resulta num total de dez mil euros — sendo que outros 6,760€ foram para a produção.

Só que este propósito nunca foi sido referido por nenhum dos intervenientes — que, nas suas redes sociais, promoveram o evento, sublinhando sempre a importância de ajudar o país que, como disse Mayra Andrade, "vive uma das maiores catástrofes do século".

"Em resposta ao estado de emergência em que o Iémen se encontra, a querida Cláudia Semedo tomou a iniciativa de juntar alguns artistas", escreveu, por exemplo, Ana Moura. "Coisas boas a acontecerem. Vamos ajudar os Médicos Sem Fronteiras a ajudar o Iémen", disse Carlão.

Cláudia Semedo, que trabalhou pro bono na iniciativa, falou, a partir das suas redes sociais, da "generosidade de todos os artistas que, com a sua voz, vão tornar visível uma nação que atravessa uma das maiores crises humanitárias deste século."

A revista "Sábado" questionou Cláudia Semedo, perguntando, inclusivamente, o porquê da escolha daqueles dez artistas e não de outros, tendo em conta que o cachê era pago pela Câmara Municipal de Lisboa. Descontente com as questões, a apresentadora refere que os motivos que levaram à criação do evento ficaram bem explícitos em entrevistas que deu a propósito do mesmo (não tendo, no entanto, acedido ao pedido da revista, que facultou um exemplo de entrevista em que fizesse referência a isto).

"Lamento que não tenha acompanhado as entrevistas que dei sobre o 'Estamos Aqui, Iémen!', onde deixei bem claros os propósitos desta iniciativa, que nasceu com o objetivo triplo de dar visibilidade ao que se vive no Iémen (…), angariar fundos para as missões da ONG Médicos Sem Fronteiras (…) e dar palco aos artistas e aos profissionais das artes que, neste quadro pandémico, atravessam momentos difíceis sem os devidos apoios."

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Lamentou ainda o facto de ser ainda necessário referir a dignidade das profissões, numa alusão ao cachet pago aos artistas: "Posso apenas lamentar que, em pleno 2020, ainda tenha de falar sobre dignidade para com todas as profissões. Não acha bizarro que nos espetáculos ditos solidários todos os profissionais envolvidos recebam pelo seu trabalho menos os artistas, os que dão a cara e fazem esgotar as bilheteiras?"

Garante que ninguém tentou esconder o pagamento, explicando ainda que nenhum músico cobrou o dinheiro — este já vinha associado ao convite. "Ninguém vendeu nenhuma mentira ao público ou tentou 'esconder' um pagamento que é público e publicado. Talvez seja confuso para si alcançar a idoneidade dos artistas convidados, que não precisam de amigos para terem concertos marcados", escreveu. "Ninguém vendeu nenhuma mentira ao público ou tentou "esconder" um pagamento que é público e publicado. Talvez seja confuso para si alcançar a idoneidade dos artistas convidados, que não precisam de amigos para terem concertos marcados."

Em vários momentos, Cláudia Semedo demonstrou hostilidade face às perguntas da revista. A certa altura, terá falado sobre o papel das autarquias no apoio à cultura. "Talvez seja confuso para si conceber que as autarquias têm como missão apoiar a cultura. Talvez seja confuso para si compreender que não está a fazer um trabalho jornalístico mas sim a tentar consubstanciar acusações gratuitas e sem fundamento. Mas isso diz mais de si do que da iniciativa."

No final, deixou uma espécie de apelo. "Deixava-lhe um último apelo como tenho feito todos os dias nos últimos tempos, para contribuir por transferência bancária para esta causa, mas se você estivesse interessado no que por lá se passa já teria perguntado sobre o Iémen."

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