Luís Pedro Nunes foi um dos grandes convidados desta quinta-feira, 22 de outubro, do programa das manhãs da SIC "Casa Feliz". É profissional do INEM, pai de uma filha de 10 anos, e foi ele o enviado para o local onde tinha sido encontrado um bebé no lixo, há cerca de um ano. No programa, Luís Pedro falou um pouco sobre o seu percurso, e contou tudo sobre este episódio especial que marcou a sua carreira.

"Há 16 anos que faço o que gosto e mantenho o que gosto porque isto realmente era aquilo que eu queria, era a minha paixão". Desde que se lembra, sempre quis trabalhar na área da saúde. Começou como Nadador Salvador e quando conseguiu entrar no INEM sentiu uma grande emoção. "Só tinha olhos para o INEM, era estudar, estudar e estudar". Luís Pedro anda de mota desde os 16 anos, mas só fez a formação de condução de mota quando entrou no INEM. Até hoje mantém-se na equipa que se desloca de mota.

Ainda que tivesse já um percurso cheio de histórias para contar, foi a 6 de novembro de 2019 que aconteceu o mais peculiar. Nesse dia, eram poucos os meios de comunicação social que não passavam a notícia do bebé que tinha sido encontrado no lixo perto da discoteca Lux, na zona de Santa Apolónia, em Lisboa, sem roupa e ainda com restos do cordão umbilical. Luís Pedro Nunes foi o profissional do INEM destacado para esta ocorrência.

Estava de serviço na mota de urgência quando recebeu uma chamada do CODU, Centro de Orientação de Doentes Urgentes, que lhe disse para ir para a discoteca Lux, em Lisboa, e que havia uma "situação um pouco complicada". "Nós pensamos sempre que estamos preparados para tudo, mas nem sempre", afirma Luís.

"Disseram-me que era uma criança que não se sabia se estava viva ou não, que foi encontrada num caixote do lixo e para eu ir o mais rápido possível porque todos na central estavam à espera que eu chegasse para saberem informações, saberem o que se estava a passar e quais os meios mais rápidos para ir para o local.", recorda.

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O facto de estar de mota facilitou-lhe o caminho e, quando chegou ao local, estava escuro, havia vários polícias e de imediato quis apenas saber onde se encontrava o bebé. "Realmente era um bebé que precisava o mais rápido possível de ajuda. Naquela altura não sabia se iria ter sucesso, mas quando comecei a sentir que ele estava perto de mim, que me estava agarrar, consegui ver que o perigo já tinha passado", afirma o profissional do INEM. "Consegui reverter o que era para reverter e sinto-me feliz por isso, porque tudo correu bem", acrescenta.

À conversa com Diana Chaves, Luís Pedro afirma que não sabe há quantas horas o bebé se encontrava no lixo, mas o estado era grave. Não ouviu o choro do bebé quando chegou e, depois de conseguir estabilizar o estado clinico da criança, Luís Pedro manteve-se perto do local onde já estavam também médicos para depois levar o bebé para o hospital.

Após socorrer o recém-nascido, Luís viveu momentos de grande tensão. Precisou de descansar, visto que não se sentia capaz de socorrer mais ninguém de imediato. Regressou mais tarde à base e quando chegou a altura de terminar o turno sentiu que não podia ir para casa antes de ir ver a criança que tinha salvo. "Eu queria saber, eu não estava bem. Então eu fui saber".

Luís foi diretamente ao hospital, disse quem era e foi muito bem acolhido pelas enfermeiras de serviço. Acabaram por falar sobre a situação e no meio da conversa surgiu o facto de o recém-nascido ainda não ter nome. Luís Pedro acabou por dar o nome de "Salvador" à criança, referindo que se tivesse um filho era esse o nome que lhe dava. Não o pegou ao colo, "só queria ver se ele estava bem". Quando se foi embora disse: "Adeus, Salvador".

Soube-se esta semana que a mulher que abandonou o filho recém-nascido foi condenada a nove anos de prisão. A leitura do acórdão aconteceu nesta quarta-feira, 21 de outubro, no Campus da Justiça. O Ministério Público considerou que Sara Furtado, acusada de tentativa de homicídio qualificado, agiu de forma premeditada, por ter escondido a gravidez da família, do namorado e de outros sem-abrigo com quem vivia junto à referida discoteca, em Santa Apolónia.

O profissional do INEM refere ainda a importância das pessoas que encontraram a criança no lixo e que tiveram a calma de ligar para o 112 e explicar detalhamento a situação. Foi uma cadeia que levou ao sucesso do caso.

Luís Pedro chegou ainda a falar com o psicólogo do INEM sentindo-se mais aliviado. "A missão é salvar todos. Mas a criança indefesa mexe um bocadinho connosco", confessou Luís. O profissional foi ainda surpreendido no programa pela visita da mulher e da filha que se mostraram muito orgulhosas do seu trabalho.

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