Através de uma carta aberta assinada por 21 médicos e farmacêuticos, os profissionais da saúde mostram-se descontentes com a forma como o governo tem gerido a pandemia, com medidas extraordinárias de confinamento "que não se justificam", e apelam à adoção de uma estratégia diferente para tratar aquela que já não é uma pandemia, mas sim uma epidemia.

"Estamos numa fase endémica e apenas o desconhecimento sobre o que se passa realmente no terreno pode levar a adiar novamente a necessidade de instalar um sistema de monitorização em tempo real, informatizado e centralizado, das camas hospitalares", pode ler-se na carta publicada no jornal "Público". Os médicos e farmacêuticos combatem este desconhecimento com números logo no início do texto, que faz um balanço entre a gravidade da COVID-19 e de outras doenças.

Num período de 14 dias, até 8 de julho, de acordo com os especialistas, a taxa de mortalidade da COVID-19 foi de 0,03 por 100 mil habitantes, ao passo que por outras causas foi de 2,7 por 100 mil. Passando à média de doentes internados em unidades de cuidados intensivos, os médicos e farmacêuticos indicam que "foi de 121,9 — para uma lotação média de 639,8 camas, em 2020, segundo dados da ACSS, e um pico de 1008". Além disso, em pleno período pandémico em 2020, a taxa de ocupação das camas hospitalares do SNS foi sempre inferior à de 2019, referem adiante.

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Face ao quadro atual e à retrospetiva dos últimos dados, para os especialistas — entre os quais a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e o ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa — "em nenhum período da pandemia se verificou, em Portugal, um colapso do sistema de saúde – e essa situação, perante os números atuais, também não ocorrerá nem no presente nem no futuro previsível", afirmam.

Assim, entendem que "não se justificam medidas extraordinárias de confinamento e supressão da atividade social e económica" e apresentam três alternativas de combate à COVID-19 que, de qualquer o modo, dizem ser "prioritária e que não pode de forma alguma deixar de ser uma preocupação em Portugal", embora o risco de morrer por outras doenças esteja neste momento a aumentar — aspeto que defendem que deve ser tido em conta na matriz de risco.

Em alternativa ao confinamento e restrições, os médicos e farmacêuticos sugerem então que se acelere o processo de vacinação, simplificando-o e envolvendo, por exemplo, farmácias, que "haja aperfeiçoamento da vigilância epidemiológica, a qual tem sido um insucesso em Portugal", criticam, e que acabem as restrições ao fim de semana "e outras do mesmo tipo, que já demonstraram não ter impacto no número de novos casos".

Os profissionais da área da saúde terminam a carta com um apelo às autoridades de saúde e ao governo para que tomem medidas com base na opinião "dos cientistas e profissionais de saúde" e deixam uma nota final: "É tempo de reconquistarmos o direito a viver".

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