Empresários da restauração em Lisboa estão a organizar a manifestação "NÃO! Não são vocês que mandam" que serve para protestar contra as medidas impostas pelo Governo, sobretudo o recolher obrigatório às 13 horas nos próximos dois fins de semana. Assim, o evento começa pouco antes da regra entrar em vigor: às 12h30, no Rossio.

"Os trabalhadores dos restaurantes saem do trabalho às 13h, e depois irão juntar-se à manifestação”, diz ao jornal "Expresso" Paulo Silva, chef e um dos responsáveis pela organização do protesto. "Fomos dizimados pelo Governo. Há duas semanas tive de mandar 12 empregados para o fundo desemprego e estou em vias de mandar os restantes e abrir insolvência. Com as regras novas nada funciona. Cortaram-nos as pernas de todas as maneiras e feitios”

Com um evento no Facebook que conta já com 777 pessoas interessadas e 265 confirmações, o chef e proprietários diz ao mesmo jornal que a expectativa é de que muitas pessoas marquem presença: “Esperamos que apareçam mais de mil pessoas.”

No mesmo dia, haverá outra manifestação. Define-se "apartidária", chama-se "Marcha pela Liberdade", será na Avenida da Liberdade e terá inicio pelo meio-dia. Também contra as novas medidas impostas pelo governo, as queixas são mais abrangentes e vão além da área da restauração. Quanto à previsão de participação, no grupo de Facebook há 1,7 mil pessoas interessadas e 560 que confirmam a presença. 

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A ideia é que as duas manifestações se juntem. “Estamos em contacto com eles e é provável que, no final, as duas manifestações se juntem”, diz Paulo Silva ao mesmo jornal.

Segundo o "Expresso", as duas manifestações foram confirmadas pela Câmara Municipal de Lisboa. E a Polícia de Segurança Pública (PSP) frisa que "as liberdades e garantias não foram afastadas". Por isso,“as pessoas têm de cumprir as normas, e a PSP irá sempre acompanhar as normas de distanciamento, não numa perspectiva de interferir mas apenas para garantir segurança e dar apoio, caso se justifique.”

Paulo Silva considera "incompreensíveis" as regras do recolher obrigatório para as próximas duas semanas. "Como é que os supermercados podem continuar abertos, com comida para take away à venda, e nós não?”, questiona.

Frisando que o Governo não tem culpa de existir uma pandemia, atribui-lhe outras responsabilidades:  “Mas tem culpa de não assegurar o emprego que durante todo este tempo fez a cidade mexer. Ou nos deixam trabalhar ou, se é para fechar, que fechem tudo, mas assegurem os salários dos trabalhadores e dos sócios gerentes. Não pedimos dinheiro para distribuir lucros, mas temos os nossos ordenados pelos quais descontarmos este tempo todo. Todo o meu dinheiro foi gasto a tentar manter o trabalho da minha equipa", diz o empresário, que abriu um segundo espaço durante a pandemia para tentar dividir o seu staff e garantir os postos de trabalho.

Aos apoios anunciados na segunda-feira, 9 de novembro, deu o nome de "migalhas" e "bolinho envenenado". “Uma das condições para receber o dinheiro a fundo perdido é não ter dívidas ao fisco ou à Segurança Social. Quem é que não deve nada neste momento? Ninguém. É um bolinho envenenado."

Também esta sexta-feira, 13 de novembro, pelas 16 horas, haverá nova manifestação no Porto. Depois da que decorreu na segunda-feira, 9, e que reuniu mais de uma centena de cozinheiros, empregados de mesa, donos de bar e de restaurantes, o movimento de restauração e hotelaria A Pão e Água volta a reunir-se na Praça dos Aliados, no Porto.

"Chegou o momento de nos unirmos", lê-se no evento de Facebook. "Não podemos viabilizar a nossa queda. Jamais poderemos permitir a 'queda dos inocentes', sem pelo menos ter tentado a salvação até à exaustão e quem conhece, vive e ama a restauração/hotelaria, sabe que não vai ser fácil ficarmos exaustos."

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