Uma nova vaga de COVID-19 poder estar iminente perante os atrasos na vacinação, a aproximação da última fase do regresso às escolas — com o ensino secundário e superior a voltar a ter aulas presenciais a 19 de abril —, e com o acesso ao interior de restaurantes, cafés e pastelarias, a 3 de maio. Com este cenário, os investigadores de um novo estudo preliminar acreditam que pode surgir uma nova vaga com valores semelhantes aos do outono de 2020.

A investigação envolveu seis especialistas portugueses e holandeses e foi avançada esta quarta-feira, 7 de abril, pelo jornal "Público". Um dos investigadores que colaborou no estudo é Manuel Carmo Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que considera que é preciso ter cautela no processo de alívio das medidas de restrição.

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“Há uma fração ainda muito significativa de portugueses que pode contrair a infeção pelo novo coronavírus e essa fração é suficientemente grande para virmos a ter uma quarta onda, um ressurgimento da infeção, caso o desconfinamento ocorra demasiado depressa relativamente ao processo vacinal”, afirmou Manuel Carmo Gomes ao mesmo jornal.

Um dos alertas dado pelo especialista diz respeito ao regresso do ensino secundário e superior, que no entender de Manuel Carmo Gomes, “não pode acontecer demasiado cedo". No entanto, é justamente isso que se está a passar, uma vez que o regresso está marcado para 19 de abril o que, na opinião do professor, é precipitado. “Temos aqui duas forças contraditórias: a vacinação, que protege, e o desconfinamento, que aumenta o número de contactos. Uma forma de evitar [uma nova onda] seria acelerar a vacinação”, sugere.

Ao mesmo tempo, o especialista questiona se teremos doses suficientes para acelerar esse processo. Este poderá até estar em causa depois de esta terça-feira ,o responsável pela estratégia de vacinação na Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter assumido que pode haver uma “ligação” entre a vacina e a formação de coágulos no sangue. Espera-se agora um parecer final da EMA sobre a administração da vacina, mas o primeiro-ministro, António Costa, já se pronunciou.

"No quadro da UE, consideramos que é fundamental que haja uma posição uniforme relativamente às recomendações e indicações fixadas pela EMA no que respeita a cada uma das vacinas. Se houver um berbicacho, então isso terá inevitáveis consequências no processo de vacinação", afirmou em conferência de imprensa.

O estudo divulgado esta quarta-feira contempla quatro cenários do levantamento de restrições seguindo um modelo ajustado aos dados da seroprevalência — faixas etárias, hospitalizações, projeções do processo de vacinação e a variante inglesa em Portugal —, e está já a ser estudado um quinto cenário com novos dados.

Para já, o primeiro cenário estima que sem quaisquer medidas de restrição, haveria mais de 58 mil hospitalizações ao longo do ano; o segundo, com todas as escolas abertas, prevê uma quarta vaga em maio, com nove mil hospitalizações até ao próximo ano; o terceiro, com medidas semelhantes às do verão, evita-se uma quarta vaga, mas apenas se as restrições continuarem até que uma percentagem significativa da população esteja vacinada; e o quarto cenário projeta que, com uma reabertura gradual, não haverá nova vaga e o controlo da pandemia pode ser conseguido em fevereiro de 2022.

Para os investigadores do estudo, as escolas constituem um fator relevante para o risco de transmissão. "Pensa-se que a abertura das escolas terá sido terá sido o principal fator das mudanças observadas no outono de 2020". Além do risco da reabertura total dos estabelecimentos de ensino, os autores do estudo consideram que com a "reabertura do interior dos restaurantes e bares, será provável que a média diária de contactos na população atinja níveis muito similares aos do outono de 2020", alertam.

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